Esse domingo, 18 de outubro de 2026, ficou para a história dos movimentos populares de Maringá. Foi nesse dia que milhares saíram às ruas da cidade em apoio à democracia e à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os organizadores, mais de 10 mil pessoas compareceram ao ato na região central do município. Gente de vermelho, de azul, de verde e amarelo – arrisco dizer que pessoas de esquerda, centro e direita ocuparam o estacionamento do estádio Willie Davids, andaram pela avenida Herval e encerraram a atividade na Catedral.
E todo maringaense ficou sabendo disso na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, já pela manhã, certo?
Errado. Ao menos em parte.
Se o maringaense hipotético acompanhou apenas a imprensa tradicional, com toda certeza ele não ficou sabendo. Os veículos de rádio e televisão não dedicaram nenhum minuto para registrar o que alguns já disseram ter sido um dos maiores atos políticos – senão o maior – de Maringá.
“Ah, mas os portais de internet com certeza cobriram, né?”, você pode estar pensando. Não também.
Os principais veículos de notícia não dedicaram nenhuma linha ao acontecimento. As exceções foram o blog do Rigon, importante noticioso político da cidade, e, ao final do dia, outro portal, mas que optou por colocar o ato de domingo em uma mesma notícia de uma carreata feita por um deputado estadual do PL em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).
(Uma digressão. No sábado, dia 17, de fato ocorreu uma carreata em apoio ao adversário de Lula, que não obteve tanta repercussão na imprensa. A questão é que carreatas de apoio a Bolsonaro têm sido comuns em Maringá. Um ato com 10 mil pessoas, promovido não pelo PT, mas por diferentes lideranças partidárias, movimentos sociais e estudantes da região noroeste do Paraná. O peso do fato e o ineditismo são notícia por si só).
É sabido que o mercado da comunicação passa por dificuldades e que os jornalistas vivem momentos de sucateamento. Em conversa com alguns deles, de redações diferentes, a informação dada foi a de que havia ordens para não publicar nenhuma notícia quanto às ações do fim de semana, nem de um lado e nem de outro.
Isso por si só já é ruim.
Contudo, fica ainda pior quando, ao colocarmos na balança cada um dos fatos, o valor noticioso do ato pela democracia e vira voto tem um peso histórico muito maior do que carreatas corriqueiras de apoio ao bolsonarismo aqui, terceira cidade mais populosa do estado. Vale lembrar que o candidato do PL teve 63,14% dos votos válidos no município, contra 26,78% de Lula no 1º turno.
Esse silêncio dos nem tão inocentes repercute menos na sociedade hoje. Nas redes sociais, páginas de nível nacional, como “Brasil fora da caverna”, “Mídia Ninja” e este “Plural” registraram o ato em Maringá.
Perfis locais de notícia, influenciadores e lideranças políticas também publicizaram, mas no modo postagem de rede social. Sem muito contexto, sem entrevista e afins. Sem a profundidade e reflexão que poderíamos esperar do Jornalismo.
Neste momento de eleição, em que se discute como a democracia pode sofrer a depender do resultado do próximo domingo, o silêncio da imprensa maringaense é ensurdecer para o debate público e para a sociedade.