Marcos Pamplona | Crônicas

Daemon

Contaminamos o menino com países, religiões, profissões, números, sobrenomes, diferenças de sexo, de classe, de raça, desenhamos em sua nuvem multiforme o mapa sombrio das fronteiras

Marcos Pamplona

As esquecidas

Posso imaginá-la sentada na poltrona de veludo gasto, pequena, rechonchuda, entre santos de gesso descorado, andorinhas de porcelana negra e retratos de parentes mortos

Marcos Pamplona

Tapada das Necessidades

A bola vermelha cai diante do banco em que estou sentado. Olho em volta, à procura de quem virá buscá-la. Curiosamente, ninguém aparece. Imagino alguém que desistiu de jogar, de ter metas, de provocar em si as excitações da derrota ou da vitória

Marcos Pamplona

Em busca do velho

Numa curva – esta curva aqui – vi o homem à minha frente. Tinha o andar destrambelhado e novidadeiro de meu pai. Os mesmos cabelos lambidos, reluzentes de brilhantina

Marcos Pamplona

A ponte

O dia está lindo. Umas poucas nuvens passeiam unidas pela leveza. Do meu posto à janela, nunca tinha visto a ponte Vasco da Gama com tanta nitidez

Marcos Pamplona

Sobre Camões

A pandemia afastou todos. Onde estão os alemães, franceses, brasileiros, russos, japoneses que comiam bacalhau sentados na rua?

Marcos Pamplona