Marcos Pamplona | Crônicas

Newchance

É uma loja estreita, longa e escura onde mal se pode andar. Prateleiras, balcões e araras estão atulhados de milhares de artigos usados, objetos tão diversos que os olhos e o olfato não encontram repouso naquele caleidoscópio do mundo kitsch da pequena burguesia

Marcos Pamplona

Só as sombras falam

O nepalês passa a navalha pela minha nuca, eu não respiro. No espelho, a imagem transida de medo me ironiza, sorri para mim: A navalha é o risco, você não tem controle sobre ela

Marcos Pamplona

Lampião no carrossel

Tento conceber os livros, que tanto admirei ao longo de mais de quarenta anos, como pesos de papel, revistas abandonadas por falta de imagens, inúteis caixas de palavras desprovidas de valor

Marcos Pamplona

O talho do Moreira

Desde que me mudei para cá vejo idosos por toda parte, andando cabisbaixos, hesitantes, parados nas esquinas para olhar boquiabertos uma banalidade qualquer, sentados nos bancos de praça com suas máscaras mal colocadas

Marcos Pamplona

Lavanderia Roupa Feliz

As lavadoras de antigamente lavavam com água e produziam espuma espessa. Faziam um barulho assustador, às vezes tinham ataques epilépticos e saltitavam pelo chão

Marcos Pamplona

À sombra de Salazar

A fome era tanta que tinham uma ficha metálica com um triângulo vazado no meio. De posse desta ficha podiam buscar comida “na tropa” ou na Santa Casa de Misericórdia

Marcos Pamplona

Barco na chuva

Por entre as nucas das pessoas à minha frente, estáticas como eu diante da vidraça da estação de barcos do Barreiro, o Fernando Namora descreve…

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