21 dez 2020 - 13h08

A boca foi feita pra ser usada

Você quer conversar ou ficar doente para perceber que seu problema é real?

Disseram: – “Escreva mais, Silvia!”

A questão é que quando escrevo “pra mim” precisa ser do coração. Sem botar o coração no que eu faço não dá!

É às vezes o coração da gente enfraquece.

Eu observo e falo tanto sobre a comunicação e me entristece saber que tantas pessoas ainda não conseguem ou não querem se comunicar. Dizem que evita brigas, desconfortos, discussões acaloradas.
É fato! Evita mesmo uma discussão momentânea.

A questão é que não se comunicar causa danos muito maiores.

O rancor pode gerar doenças.

Quer dizer que ficar continuamente com esse sentimento pode acarretar danos ao nosso corpo maiores do que se pode imaginar: desde a dor de cabeça, que pode ser só o início de uma enxaqueca, como a hipertensão, artrose, bronquite, gastrite.

A psicóloga Denise Diniz, coordenadora do Setor de Gerenciamento de Qualidade de Vida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que “tanto o corpo quanto a mente vão pesando na medida em que eles se acumulam e uma hora a panela de pressão transborda na tentativa de aliviar o sofrimento. É um processo natural”.
Isso significa que nosso corpo não foi feito para segurar sentimentos.

A medicina chinesa acredita nesta relação entre um desequilíbrio emocional e o desencadeamento de doenças psicossomáticas. Quantas vezes já fui na minha naturoterapeuta com dor ou problemas no baço e ela me perguntou: “Você está com alguma preocupação, algum pensamento repetitivo que não sai da sua cabeça?”.

Bingo!

Mais do que as lágrimas, a raiva, a dor, a alegria, temos a boca: e ela foi feita pra ser usada!

“O cara do cartaz”, perfil no instagram que promete “trazer verdades” fez o melhor anúncio do ano, ao meu ver: “a boca não vai cair se você der um bom dia pra galera do prédio”.

E é aí que entra a beleza da comunicação!

Para isso existem terapeutas: eles nos estimulam a falar, tentam arrancar de nós as verdades que guardamos por tanto e tanto tempo que não é qualquer pessoa que consegue, nos fazem pensar, refletir e abrir a nossa mente para um mundo em que podemos, sim, expor nossas queixas com amor, com cuidado, sem causar ainda mais danos, mas resolvendo os nossos problemas que não devem se acumular a ponto de nos adoecer.

Dia desses uma amiga reclamou de algo que não gostou na minha internet que dizia respeito ao marido dela (Olha onde eu fui mexer!). Foi algo inocente, na tentativa de fazê-los rir. Para a minha surpresa, o efeito foi contrário.

Imediatamente ela deu sua opinião e doeu ouvi-la, justamente porque minha intenção era outra, bem diferente da interpretação que foi dada. Mas eu aprendi (ou relembrei) que somos diferentes.

Se ela não tivesse me falado, eu continuaria “brincando” e, consequentemente, “magoando”. Agora já sei como me portar e ela evitou ficar com aquele sentimento engasgado. Não é muito melhor?

Esses dias a Maria Rafart, conhecida psicóloga curitibana, disse em um de seus vídeos algo tão simples e verdadeiro sobre uma paciente que não sabia se deveria perdoar o cônjuge em uma situação delicada, mas que ela aparentemente tinha superado.

Ela disse: -“O perdão serve para ser usado”.

Oras, e não é isso?

Perdoe! Peça perdão! Solta a tua voz!

Você quer conversar ou quer ficar doente para perceber que seu problema é mesmo um problema?

Seguindo à risca meu método de escrita, segui o coração porque sei que para alguém já de servir essa fala. Me avise se for você!

Se não for pra edificar, a vida não vale a pena.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

Últimas Notícias