País registra aumento no contágio de Leishmaniose

Falta de vacina comprometeu o controle da doença que é transmitida por mosquito e que tem cães como hospedeiros

O Brasil registrou um aumento de 8% nos casos de leishmaniose no ano passado. Este é o primeiro crescimento no índice desde 2017. De acordo com o Ministério da Saúde, 174 pessoas morreram no ano passado por causa da doença.

A taxa de letalidade da doença é alta, podendo chegar a 95% dos casos, mesmo com o tratamento correto. A leishmaniose é uma doença endêmica, ou seja, é registrada com frequência em mais de 80 países. O Brasil, juntamente com Sudão, Quênia e Índia registram mais da metade dos casos.

A forma mais letal de leishmaniose é a visceral. Os cachorros são os principais hospedeiros, mas a doença é transmitida por um vetor, um inseto conhecido popularmente como mosquito-palha. Ao picar o cão contaminado, o mosquito passa a carregar o parasita. Quando este mosquito pica o ser humano, contamina a corrente sanguínea do indivíduo com a leishmania.

Um dos motivos que pode explicar o aumento da doença é a falta de vacinas. A fabricação e a venda da Leish-Tec, única vacina contra a leishmaniose visceral canina em comercialização no Brasil, foi suspensa em maio desse ano. O motivo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, foram desvios de conformidade detectados em lotes do produto, gerando risco à saúde animal e humana. A vacina contra a leishmaniose não tem previsão para voltar ao mercado.

A recomendação dos órgãos públicos de saúde é a eutanásia de animais contaminados para evitar a transmissão. Outra opção é a realização de tratamento, quando for possível. Nestes casos, o tutor pode se responsabilizar pelo tratamento e acompanhamento com veterinário para avaliar as condições de saúde do animal.

O fiscal da vigilância sanitária do município de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, Gabriel Alves, conta como foi realizado um dos procedimentos. “A vigilância foi comunicada da suspeita de leishmaniose. Então procedemos com a coleta sanguínea do animal, para realização de análise junto ao Laboratório Central do Estado, o Lacen. Posteriormente, houve a confirmação do diagnóstico da doença, sendo orientado aos tutores de que o informe do manual do Ministério da Saúde e as orientações da Secretaria Estadual da Saúde orientam que deveria ser providenciado a eutanásia do animal para evitar a transmissão ou realização de tratamento”.

O dono do cão que prefere não se identificar fala que não tinha conhecimento da doença. “Tive um caso muito triste. O nome dele era Robinho e fomos descobrir quando era tarde demais, por falta de informação. Não levamos ao veterinário porque tentamos medicar em casa, fazer um tratamento caseiro. Quando a gente viu, estava muito grave e daí, sim, levamos ao veterinário e ele informou que era leishmaniose e que não tem cura, infelizmente”, relata.

Em cachorros, a doença pode causar perda de pelo, emagrecimento, aumento de gânglios, aumento de baço e fígado, aumento das unhas, dentre outros sintomas. Em humanos, a leishmaniose visceral pode provocar febre de longa duração, aumento do fígado e baço, perda de peso, fraqueza, redução da força muscular e anemia.

As medidas de prevenção incluem o uso de repelentes, principalmente nos horários de atividades do vetor (amanhecer e anoitecer), e a limpeza dos quintais, sobretudo os que possuem plantas, para evitar o acúmulo de matéria orgânica.

Mais informações sobre o assunto podem ser conferidas aqui.

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