No século passado, Curitiba construiu abrigos antiaéreos para proteção a bombardeios

Amedrontados pelos conflitos no mundo, bunkers foram construídos para proteger a população civil de ataques de bombas.

Algumas histórias de guerras e conflitos vistas em livros ao longo da vida podem ser difíceis de acreditar, mas elas existiram. Muitos países ainda permanecem em disputas motivadas por conflitos religiosos, econômicos, étnicos, ideológicos e territoriais – como no ataque russo à Ucrânia na semana passada.

Engana-se quem pensa que a capital do estado do Paraná é marcada apenas pelas belíssimas araucárias e não possui nenhuma história de guerra para contar. Elas existem e também fazem parte da história de Curitiba. Por meio de uma discussão motivada por um pente, em 1959, surgiu uma das maiores revoltas populares na capital paranaense: a Guerra do Pente.

Parece cômico, mas ao mesmo tempo trágico um apetrecho tão simples dar início a um conflito. Mas, talvez não fosse esse caso, em específico, que faria a população neutra da época precisar de uma proteção com uma estrutura mais reforçada e robusta. Antes mesmo da Guerra do Pente, curitibanos já se sentiam amedrontados pelas guerras sangrentas que aconteciam no restante do mundo. Diante do medo de ataques, foram construídos em alguns pontos da cidade os bunkers, abrigos antiaéreos feitos de concreto, projetados para resistir a projéteis de guerra e contra ataques nucleares e biológicos. Os abrigos geralmente são subterrâneos, mas há uma diversidade de modelos e projetos. Muito não têm registros, pois são particulares e secretos.

Outros estão em locais populares. A sede do Colégio Estadual do Paraná, construída na década de 1950, por exemplo, possui um espaço subterrâneo estruturado para servir como abrigo antiaéreo. No local hoje funciona a biblioteca da escola. Segundo o pesquisador Marcos Juliano, a planta do colégio é a mesma da Academia Militar das Agulhas Negras, localizado no estado do Rio de Janeiro. “Por ser a planta de um colégio militar, os militares sempre tiveram essa preocupação de fazer um subsolo nas construções para reforço antiaéreo, com estratégias de conexões subterrâneas”, explica o pesquisador.

Em pleno século XXI, as guerras ainda atravessam fronteiras.

As guerras fora dos livros de história

Em pleno século XXI, as guerras ainda atravessam fronteiras. Em Israel, por exemplo, vários bunkers públicos foram espalhados pelas cidades. Quando um novo ataque inicia, uma sirene toca e um limite de tempo é dado para que as pessoas que não tenham nenhum bunker em casa possam correr para os abrigos coletivos mais próximos para se protegerem.

O brasileiro Alan Souza, que mora em Israel, viveu momentos de pânico e de medo no país no ano passado. Souza mora na cidade de Herzliya e precisou buscar refúgio junto com sua esposa em um abrigo próximo de sua casa. “A experiência dentro do abrigo é um tanto quanto tensa. Por mais que os abrigos passem a sensação de segurança devido as suas estruturas de concreto e ferro, ainda sim é algo nada poético ficar dentro dele e escutar os mísseis caindo ao lado,” relata.

Na maioria das vezes, as pessoas buscam em outros países e, inclusive no Brasil, um refúgio para ficarem longe dos conflitos internos.

Imagem interna do bunker que Alan e sua esposa se abrigaram no dia 13 de maio de 2021. Foto: Alan Souza.

Holocausto nuclear: o fim de Curitiba

Imagine a seguinte situação: um avião modelo Tu-95-202 transporta a bomba mais potente do mundo: Tsar Bomb. O avião segue para o sul do Brasil e o alvo é a cidade de Curitiba. Os curitibanos estão prestes a sofrer um “holocausto nuclear”.

Uma simulação feita por meio do site americano NukeMap, criado por Alex Wellesrtein, um historiador que estuda a história das armas nucleares, mostra como seria o efeito devastador das bombas atômicas em qualquer lugar do mundo. Na capital do Paraná, por exemplo, a Tsar Bomb seria capaz de destruir todo o território curitibano. No infográfico abaixo, é possível ver, em números, o resultado da explosão.

Info: Rozielen Joelma dos Santos.

Orientadores: Karine Moura Vieira (jornalista e professora) e Otacílio Vaz (professor).

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