1 mar 2022 - 11h09

A condição que nos limita

Usamos o “se” para justificar atos e, especialmente, omissões, quando o que precisamos é usá-lo para evoluirmos como nação

Quantas vezes você prometeu que se conseguisse algo faria um outro algo? 

E quantas você também ouviu isso de alguém? 

É só parar e perceber a cultura que está por trás do que repetimos para amigos, filhos, família: Aí está uma bola de neve que inventamos num país que nem sequer tem a cultura de nevar. (Com raríssimas exceções!)

“Se” é uma condicional. Um requerimento. Uma exigência a nós mesmos.

Colocamos o “se” inocentemente em afirmações, sem perceber que estamos justificando com isso algumas omissões. 

Colocar uma condição para algo é especialmente protelar feitos, conquistas, ações. 

E não é simples assim, ao contrário do que você pode pensar que eu afirmaria. Não podemos ignorar que cada pessoa nasce em condições diferentes, especiais.

Quebrar um hábito e uma cultura é equivalente a romper um padrão que muitas vezes nos arrasta por séculos. É necessário, primeiro, Reconhecer, para então REcomeçar. 

“Se” eu fosse mais jovem eu faria diferente e recomeçaria de uma nova forma”. E dá pra voltar ao passado?

O que falamos é fundamental para concretizar pensamentos que podem se tornar ações. E nos sabotamos diariamente com a bendita da condicional. 

“Se eu ganhasse na Mega Sena…”, comentou uma amiga hoje, e mais uma centena de pessoas pelo mundo.

Por quê “se”? 

Penso que essa é uma estratégia que criamos para protelar o que podemos e devemos fazer para tomarmos atitudes melhores. Para sermos melhores. Para, de fato, sairmos da inércia.

Ganhar na loteria não deveria ser uma condição.

“Se eu ganhasse na Mega Sena eu ajudaria pessoas menos favorecidas.”

“Se eu ganhasse na Mega Sena eu iria escrever uma coluna para o Plural.”

Não devemos nos esconder atrás de uma condição. Isso gera frustrações em nós, em quem está ao nosso redor e em nossas futuras gerações. 

O se deveria ser utilizado para mostrar o quanto precisamos evoluir como nação. Para cobrar a constituição. Para criar possibilidades.

– Se houvesse estudo de qualidade para todas as crianças…

– Se tivéssemos moradia para toda a população…

– Se nunca faltasse comida no prato de ninguém…

– E se nos uníssemos para que todas as pessoas tivessem acesso a livros?

Todos temos nossos limites. Mas não precisamos nos limitar na condicional. Ao contrário, nossa natureza é a de ampliar possibilidades.  

O “se” deveria ser utilizado para mudar o mundo.

“E se a cada vez que pensássemos em criar guerras começássemos a plantar árvores?”

Não se sabote com condições que você pode superar.

E não se limite com condições que você pode lutar para conquistar pra você e pra mim.

O mundo não gira só ao nosso redor.

Se assim fosse, não teríamos o mundo.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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