Dani Antunes, a fotógrafa de mulheres reais

Com frases de empoderamento em suas redes, ela incentiva mulheres a se amarem e aceitarem como são

“Amar-se é um ato de coragem. Aceitar o seu corpo, a sua personalidade, os seus defeitos e os seus medos são coisas que mostram uma força sem igual”. 

Essa é a legenda de um ensaio postado nas redes sociais de Dani Antunes, a fotógrafa de mulheres reais. Ela sempre trabalhou com beleza e moda, em especial com maquiagem em estúdios de fotografia. 

Até que se tornou mãe e começou a fazer registros fotográficos de seu bebê e postar no site Fotolog, rede social que usava em 2009. As fotos fizeram sucesso, então decidiu investir neste talento. 

De início, trabalhou como fotógrafa de baladas, pois o mercado de fotografia de moda, que era o que ela mais gostava, era muito fechado onde morava. Em 2012, conseguiu abrir um estúdio para fotografar famílias e bebês, que foi como este projeto começou.

Depois, seu foco passou a ser gestantes e tinha também contratos de trabalho para eventos, como formaturas e casamentos. Foi quando a irmã de uma amiga pediu que ela fizesse seu ensaio, pois iria participar de um concurso de Miss Plus Size. 

“Nunca tinha feito fotos desse tipo, de estúdio, de mulheres. Já tinha até feito ensaio sensual, mas na casa da pessoa”. Apesar disso, resolveu aceitar o desafio. Ela conta que em 2012 ainda não conhecia o feminismo e chegou a se questionar como a deixaria magra. 

Em seguida, pensou: “Por que eu tenho que deixar ela magra, se ela está justamente participando de um evento de plus size?”. A partir de então passou a receber cada vez mais pedidos de ensaios de ‘mulheres reais’ e seu telefone não parou mais de tocar.

Dani Antunes. Foto: Nicole Thessing

Dani explica que os cursos de fotografia ensinam que, além de tirar a foto, parte do processo fotográfico é fazer o Photoshop depois. “E eu me sentia muito errada ao fazer isso. Quem sou eu para dizer que a característica da minha cliente não é boa o suficiente?”, questiona. De início, ela relata que algumas pessoas estranharam e que achou que não iriam querer contratá-la. Mas foi justamente por conta dessa proposta que ela fez tanto sucesso. 

“Eu vim te procurar para ver se eu sou bonita como eu, não bonita editada”, é o que Dani ouviu de mulheres que a procuraram após terem feito ensaios fotográficos em outros estúdios e não se reconhecerem nas fotos. “Eu trato minhas fotos com cor e tudo mais, o mais real possível. Mas eu não mudo nenhuma característica das minhas clientes, nenhuma; porque o nome do meu trabalho é ‘fotógrafa de mulheres reais’, e quem eu seria fazendo Photoshop, mudando elas?”

O processo de aceitação pelo qual algumas mulheres passam ao fazer o ensaio espelhou na fotógrafa: “eu também não me aceitava como eu era”. “Isso me transformou muito, principalmente profissionalmente. Às vezes, eu ficava frustrada com o resultado do meu trabalho na formatura, no casamento. E hoje eu olho minhas fotos, meu trabalho, e tenho orgulho dele”.

Dani conta que no decorrer dos anos já recebeu muitas mulheres que sofriam violência doméstica. “O marido usava da violência psicológica dizendo que ela não era nada, que ela era um lixo. E ela aceitou aquilo como sendo a verdade dela”, lamenta. 

Algumas faziam o ensaio às escondidas do companheiro. “Ela não está vindo fazer o ensaio para mostrar para ninguém. Ela está vindo para entender que ainda é uma mulher bonita, que independente da violência física e psicológica que ela sofre em casa, ela ainda é uma mulher”. 

E ali ela se sente à vontade para  “usar coisas que o marido sempre falou que é feio, que é coisa de puta, mas que ela gostava e deixou para trás por conta da violência psicológica, e ela ressignifica tudo isso”. E assim, o  esmalte e o batom vermelho, condenados por muitos homens, aparecem.

“Elas não vêm aqui para agradar homem. A maioria vem por si”. Elas querem ser fotografadas para se verem bonitas novamente, querem saber “se ainda são bonitas”. Para Dani, esse acaba sendo um processo importante de empoderamento e que tem muitos relatos de mulheres que conseguiram se separar depois.

Orientadora: Marcia Boroski (professora)

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