Cresce o uso de smartphones por crianças no Brasil

Crianças brasileiras são as mais expostas a dispositivos eletrônicos do mundo; 59% têm smartphone próprio

O isolamento social causado pela pandemia da Covid-19 continua tendo reflexos na sociedade, inclusive no comportamento infantil. Um dos efeitos se traduz no aumento do tempo de uso de smartphones por elas.

O maior crescimento de posse de celular aconteceu entre crianças na faixa etária de 7 a 9 anos. A proporção com smartphone próprio subiu de 52% para 59% no intervalo de um ano.

No grupo de 10 a 12 anos, o percentual passou de 76% para 79%. Os dados são da pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box, divulgada em outubro de 2021. Ainda segundo o levantamento, YouTube, WhatsApp, Netflix e TikTok são os aplicativos mais utilizados pelas crianças.

Outro estudo, realizado em dezembro do ano passado e divulgado em maio deste ano pela McAfee, revela que o Brasil é o país em que crianças e adolescentes mais estão expostos ao uso de aparelhos eletrônicos.

Antônio dos Santos Lima, tem um filho de nove anos que tem seu próprio celular, mas monitora o que seu filho faz na internet. “Ele tem o celular próprio, conectado à internet e a gente policia algumas coisas, jogos, aplicativos que possam comprometer a educação. Teve uma vez mesmo, que flagrei ele com um jogo no qual o cara estava narrando e xingando, imediatamente excluí o jogo”, disse. Questionado sobre limites de tempo, ele respondeu que não há regras estabelecidas e o uso é apenas para diversão.

A pesquisa da Mobile Time também mostra que desde o começo da pandemia os pais passaram a monitorar menos o limite de acesso dos filhos, caindo de 72% em 2020 para 65% em 2021, fato preocupante para alguns especialistas.

Para a psicóloga Alessandra Augusto, especialista em terapia sistêmica, o uso de celulares sem monitoramento dos pais, pode trazer danos à saúde e ao ambiente social dessa criança ou adolescente. “As crianças […] estão ficando muito ansiosas, então já vemos um comprometimento da saúde mental, não só do comportamental. A saúde mental também está sendo afetada com o volume de conteúdo inadequado”, disse.

Orientadora: Larissa Drabeski (jornalista e professora)

Principal crescimento no uso de dispositivos foi de crianças entre 7 e 9 anos. Foto: Freepik

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