Casos de suicídio no Brasil seguem em crescimento

Enquanto o mundo está conseguindo diminuir as taxas de suicídio (-36% entre 2000 e 2019), o Brasil enfrenta dificuldades para evitar o crescimento ano após ano

Segundo dados do DataSUS, plataforma do governo federal que concentra informações relativas à saúde no Brasil, as mortes por lesão autoprovocada entre 2011 e 2020 aumentaram 35%. Só em 2020 foram registradas 12.895 suicídios. Entre os cinco estados com maiores casos nesse período estão São Paulo (1º), Minas Gerais (2º), Rio Grande do Sul (3º), Santa Catarina (4º) e Paraná (5º). Já considerando o número de suicídios por milhão de habitantes, os cinco primeiros estados são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Piauí e Roraima.

No início de 2020, quando iniciou a pandemia de Covid-19, temeu-se que o número de casos de depressão e suicídio explodissem no Brasil. Felizmente, isso não aconteceu. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em 2021, o aumento foi de “apenas” 0,4%.
Segundo Bruno Jardini Mader, mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e psicólogo no Hospital Infantil Pequeno Príncipe, as restrições e o isolamento podem ter impactado a saúde mental de algumas pessoas, mas não seriam o suficiente para motivar o suicídio, por isso o aumento foi pequeno. “Sobre a influência da pandemia, precisamos considerar que o isolamento social, as restrições comerciais e todos seus efeitos serviram sim como estressores e houve impactos no desenvolvimento de transtornos mentais e nas questões relacionadas a saúde mental de uma forma geral”, diz.

A psicóloga Fernanda Vicilli, especialista em Psicologia Clínica pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), acredita que o isolamento social pode ter tido um aspecto protetivo, além de destacar que os jovens já estão mais acostumados a ter relacionamentos via internet. “O isolamento social também pode funcionar como fator protetivo quando a família passa mais tempo junta e tem maior oportunidade de identificar fatores de risco e mesmo de não deixar o indivíduo sozinho em momentos de maior vulnerabilidade”. Complementando, a psicóloga relata o que vivenciou em seu consultório: “Em minha experiência clínica durante a pandemia, mais da metade dos jovens não relatou impacto significativo do isolamento social pois está habituado a conversar com os amigos prioritariamente online, fazer compras online e dispender bastante tempo na internet.”

O Brasil está na contramão do mundo nesse quesito – uma vez que a média mundial de suicídio teve uma queda de 36% entre 2000 e 2019, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Frio tem relação com mortes por suicídio?

Com os estados sulistas entre os líderes nas taxas de suicídio, tanto em números absolutos quanto no cálculo por milhão de habitante, uma pergunta a ser levantada é se o frio está relacionado a esses altos índices. Segundo Mader, o clima não é um fator tão relevante, enfatizando a multifatoriedade desse tipo de morte. “Não eu acho que se deva colocar o frio como a principal causa. O tempo até pode influenciar no humor em dias frios, de ficarmos um pouco mais resguardados em dias fios e em dias quentes mais aberto, mas isso seria frívolo para a dimensão do suicídio.”

Um aspecto que pode ter um peso significativo nisso é o fato de que a colonização da região foi marcada pela vinda de povos de países europeus que possuem altos índices de suicídio, conforme descrito por Vicilli. Mas ela acredia que o clima também é determinante. “Como no inverno os dias são mais curtos, existe um impacto na produção de melatonina, que ajuda o corpo a regular o ritmo biológico e ajuda a fazer com que o sono seja mais profundo e reparador e isso está diretamente relacionado ao bem-estar físico e psicológico.”

Pandemia certamente não ajudou pessoas com tendência suicida. Foto: domínio público.

Orientação: Otacílio Vaz (professor).

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