Campanhas de vacinação elevam alerta para a difteria

Em 2023, casos foram confirmados para a doença em dois estados brasileiros

A difteria, também conhecida como crupe, é uma doença contagiosa causada por uma bactéria que atinge a laringe, faringe, nariz, amígdalas e outras partes do corpo. A disseminação da bactéria causadora da doença ocorre em ambientes fechados, por isso é mais comum o contágio no outono e inverno.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2019 e 2020, foram notificados 59 casos suspeitos de difteria no Brasil, dos quais 5 foram confirmados. Em 2021, 11 casos suspeitos de difteria foram registrados, dos quais um foi confirmado laboratorialmente. Em 2022 e 2023, são dois casos confirmados de difteria cada ano. Um no Estado de Goiás e 3 em São Paulo. O último óbito pela doença no Brasil ocorreu em 2017, na Região Norte, no estado de Roraima.

Conforme a médica infectologista Sandra Knudsen, o principal risco de retorno da doença é a falta de comprometimento com a vacinação. “Antes do surgimento da vacina a doença tinha índice de mortalidade de até 50%, às vezes. É uma doença bastante grave e que a vacina mudou totalmente o risco. É preciso ficar claro que ela não é uma doença que deixa imunidade para o resto da vida. Então, quem mesmo já teve ela, pode ter de novo. A vacina tem um período que ela protege a pessoa e a gente não pode correr o risco de retornar com essa doença, que é potencialmente grave e até fatal”, explica.

A cobertura vacinal no Brasil vem caindo, segundo o Ministério da Saúde. O patamar aceitável é de 95% de cobertura vacinal. No ano passado, 21% da população não se vacinou contra a difteria.

Uma mulher que gostaria de não ser identificada, de 40 anos, contraiu a doença em uma viagem que realizou para o norte do país. Ela conta que depois começou a sentir alguns sintomas. “Eu fiz uma viagem para o Norte a passeio, nas férias. Foi tudo maravilhoso, mas depois da viagem eu tive uma surpresa. E surpresa mesmo porque eu contraí infelizmente a difteria, essa doença. Andamos por vários lugares, então não sei como foi e onde foi o local certo, mas eu nunca pensei que fosse isso. A difteria a gente via algo muito longe, nos livros de biologia, mas nunca pensei que fosse acontecer comigo e, ainda, quando fui olhar meu cartão de vacinação, também tive mais uma surpresa: não havia realizada as doses de reforço”, relata.

Transmissão e contaminação

A forma de transmissão acontece por meio de contato com a saliva, espirros e lesões na pele. Após a contaminação, a pessoa pode contaminar ainda outras pessoas durante 2 semanas.

Sintomas

Os sinais e sintomas mais comuns surgem geralmente após seis dias. Entre eles dor de garganta leve, glândulas inchadas no pescoço, dificuldade para respirar, palidez, mal-estar, febre baixa. Algumas pessoas podem ou não apresentar sinais da doença. O diagnóstico para a difteria geralmente é clínico e laboratorial.

Tratamento
O tratamento é realizado com soro antidiftérico, que geralmente é administrado nos hospitais. O antibiótico deve ser considerado como medida auxiliar no tratamento, ajudando a interromper o avanço rápido da doença.

Vacina
A vacina contra a difteria está disponível no calendário vacinal público para toda população. A vacina pentavalente é indicada aos 2, 4 e 6 meses de vida. Após, são feitos dois reforços com a DTP, para difteria, tétano e coqueluche, aos 15 meses e 4 anos de idade. Já os adultos devem tomar um reforço da difteria a cada 10 anos.

Orientação: Guilherme Carvalho

Sobre o/a autor/a

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O Plural se reserva o direito de não publicar comentários de baixo calão, que agridam a honra das pessoas ou que não respeitem níveis mínimos de civilidade. Os comentários são moderados por pessoas e não são publicados imediatamente.

Rolar para cima