Educação e Olimpíadas: o que têm em comum?

Toda formação acadêmica para que esses profissionais se especializem e desenvolvam novas técnicas, práticas e tecnologias é diretamente atrelada à educação

A reunião de mais de 200 países, com o propósito de trazer milhares de atletas a competirem no mais alto nível de cada esporte, faz das Olimpíadas um dos eventos mais importantes da atualidade. Desde a época em que se deu seu início, no santuário de Zeus, em Olímpia, na Grécia, e retomado no ano de 1896 como Jogos Olímpicos da Modernidade, as Olimpíadas congregam o que há de melhor na alta performance do esporte. Mas, e o que isso tem a ver com educação? Tudo.

Toda formação acadêmica para que esses profissionais se especializem e desenvolvam novas técnicas, práticas e tecnologias é diretamente atrelada à educação.

Visito universidades e faculdades no mundo inteiro, procurando encontrar o que há de mais inovador em todas as áreas de conhecimento, para trazer oportunidades aos estudantes e profissionais brasileiros. Com isso, acompanho de perto como cada instituição de ensino se promove e busca os melhores alunos do mundo para estudar em seu campus e aumentar a sua visibilidade internacionalmente.

O esporte é uma das formas que essas instituições encontraram para se promover e construir e fortalecer suas reputações. As marcas patrocinadoras dos esportes e as competições em si promovem pesquisa e desenvolvimento nas universidades.

Trata-se de um círculo virtuoso de muita prosperidade ao esporte e a tudo que se relaciona à educação também.  A lucratividade gerada pelos esportes é reinvestida em pesquisa, tecnologia e recrutamento na instituição.

Para as Olimpíadas de 2021, os Estados Unidos levaram, aproximadamente, 600 atletas de 50 estados americanos para os jogos, sendo que 75% deles eram de algum time da divisão desportiva universitária (NCAA – National College Athletic Association).

De acordo com a própria NCAA, mais de USD 4,5 bilhões são investidos pelas próprias faculdades e universidades para que os alunos atletas atinjam nível global de competitividade. É importante lembrar que os Estados Unidos não têm um fundo governamental para as Olimpíadas. Todo investimento advindo das universidades é recebido de forma privada, independentemente se a instituição é pública ou particular.

Os alunos internacionais das universidades americanas também são impactados por esses investimentos. Segundo a NCAA, mais de 1.000 atletas de 100 países competiram, entre 2020 e 2021, pela liga e aproveitaram as chances de se tornarem profissionais e atletas de alta performance. Um exemplo disso é a jogadora de futebol do time da Universidade de Stanford, na Califórnia, Catarina Macario. A brasileira defende o país que lhe acolheu nos estudos e lhe deu a oportunidade desenvolver o seu talento.

A Auburn University, instituição onde o nadador brasileiro Cesar Cielo se formou e uma das centenas de universidades da qual represento ou sou parceiro oficial, levou 18 atletas olímpicos para os jogos de 2021, e, até o momento, eles já conquistaram duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.

Já na delegação brasileira, com seus 302 atletas participando em 35 modalidades diferentes, poucos receberam incentivo de alguma instituição de ensino. Considerando que 242 atletas recebem incentivo do programa Bolsa Atleta do governo federal, muitos dependem de incentivo privado ou têm outra ocupação para viver.

O incentivo educacional em atletas de alta performance proporciona esperança àqueles que têm no esporte seu sonho de profissão e amplia as possiblidades de carreira do atleta, após o período de performance no esporte.

As universidades americanas formam profissionais completos, com educação crítica, em condições de seguir para o mercado de trabalho ou pesquisa científica assim que “aposentarem suas chuteiras”. Shaquille O’Neal, famoso jogador de basquete norte americano, por exemplo, conquistou um PhD pela Barry University.

Para isso, deve-se investir em Educação e suporte para que os atletas, vindos de uma educação pública ou privada, possam ver no Brasil uma chance de possuir uma carreira no futuro, após seus anos dourados no esporte.

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