Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realiza nesta terça-feira (17), às 9h, no Plenarinho, a audiência pública “Veneno na Água”, para debater a contaminação da água por agrotóxicos e os impactos na saúde da população de Curitiba e Região Metropolitana (RMC). A discussão ganha peso em um estado que, entre 2013 e 2020, elevou em 14,55% o consumo de agrotóxicos, passando de 8,87 kg por hectare para 9,82 kg por hectare, acima da média brasileira, segundo estudo publicado na Revista Brasileira de Meio Ambiente. A iniciativa é do deputado estadual Goura (PDT).
De acordo com o Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, produzido em 2022 pelo Ministério da Saúde, no período analisado que vai de 2007 a 2014, o Paraná apresentou 10.967 notificações de intoxicações por agrotóxicos, ficando atrás no número de casos apenas de São Paulo, com 12.562. A discussão na Alep é uma sequência do evento “APA do Iraí, 23 anos livre de agrotóxicos”, realizado em dezembro de 2025, quando também foi divulgado o Manifesto contra a flexibilização das restrições ao uso de agrotóxicos na Área de Proteção Ambiental (APA) do Iraí. O material alerta para os riscos ambientais e sanitários associados à eventual liberação desses produtos em áreas responsáveis pelo abastecimento de água da região.

A audiência deve abordar também os limites atuais da legislação. A Portaria GM/MS nº 888/2021, do Ministério da Saúde, define parâmetros de potabilidade para agrotóxicos individualmente, sem estabelecer um teto para a soma de substâncias na água, ao contrário do que faz a União Europeia (UE). Na teoria, a UE trabalha com dois filtros: um limite por substância e um limite para o “coquetel” de agrotóxicos somados. Isso parte do princípio de que a mistura de vários venenos, mesmo em doses baixas, pode ter efeito cumulativo ou sinérgico sobre a saúde. Ainda conforme dados do Sisagua, a capital paranaense possui 19 agrotóxicos detectados acima do limite considerado seguro na União Europeia entre 2014 e 2017. “Isso não é só um número. São vidas. [...] O veneno está no solo, na água e na nossa mesa. Precisamos falar sobre isso e agir”, destaca a Rede Curitiba Climática (Reec), em publicação.
Aberta ao público, a audiência “Veneno na Água” pretende reunir pesquisadores, órgãos de controle, representantes do governo e da sociedade civil para discutir medidas de monitoramento, transparência dos dados de qualidade da água e redução da exposição da população a agrotóxicos. A expectativa é que o encontro resulte em encaminhamentos que fortaleçam a vigilância sanitária e ambiental no estado e pressionem por revisões normativas que considerem os efeitos cumulativos dessas substâncias na água que sai da torneira.
Serviço
Audiência pública - “Veneno na Água”
Data: 17 de março, 9h
Local: Plenarinho da Alep, Praça Nossa Senhora de Salete, s/n - Centro Cívico, Curitiba - PR
Aberta à população
Audiência terá transmissão ao vivo pelo YouTube.
