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Colunistas

Ao mestre (com carinho)

Raul de Souza com George Duke.
Escrito por Pancho
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Muito mais do que um livro. Uma enciclopédia: Curitiba no Tempo do Jazz Band, do jornalista Adherbal Fortes de Sá Júnior, lançado pela Editora Artes & Textos, remete o leitor a um tempo fantástico – no bom e melhor sentido. Temos bandas e músicos famosos, caso de Raul de Souza, que trocou o trombone de válvula pelo trombone de vara e foi considerado pela revista DownBeat um dos maiores do mundo.

Ele era um dos 20 músicos do Rio de Janeiro que, no final dos anos 50, foram recrutados para formar a Banda da Base Aérea da Aeronáutica em Curitiba. Durante o dia, os “cariocas” tocavam dobrados militares. À noite, tiravam o uniforme para formar a Orquestra 14 Bis e tocar bebop e cool jazz nas rádios Guairacá e Clube Paranaense.

Uma das correntes mais influentes do Jazz, o bebop “provém da onomatopeia feita ao imitar o som das centenas de martelos que batiam no metal na construção das ferrovias americanas, gerando uma melodia cheia de pequenas notas”.

Cool  jazz, por sua vez, “é um estilo de jazz surgido no final da década de 1940, em Nova Iorque. Um de seus maiores representantes foi o músico Miles Davis. O estilo caracteriza-se por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica. Há mais espaços na música, ela é mais estendida, e menos notas são tocadas”.

“1950 – o dinheiro do café, envolto em conhaque, droga e imenso talento, alimenta a grande música da capital mais gelada do Brasil e a transforma na cidade do jazz.

Enriquecendo o vocabulário

Mas, a propósito do autor do livro, há quem recorde a atuação do Adherbal na prática do jornalismo. Até saiu publicado, anos atrás, um texto assinado por um colega de profissão (quem seria, hein?).  Com o título A propósito do Adherbal Fortes de Sá júnior, temos um depoimento:

– Tempos atrás, a revista Seleções publicava a seção Enriqueça o Seu Vocabulário, assinada por Aurélio Buarque de Holanda. Na década de 70, na redação do jornal O Estado do Paraná, então na Rua Barão do Rio Branco, 556, o jovem reportariado enriquecia seu vocabulário ao vivo e a cores. Todos os dias, ao chegar ou mesmo durante o trabalho.

Uma descontraída provocação do jornalista Adherbal Fortes de Sá Júnior, apontado como o melhor texto da imprensa paranaense. Tanto que, por muitos anos, suprema glória, fechava a primeira página do jornal, sob a batuta de outro mestre, Mussa José Assis.

A didática brincadeira foi levada depois para a TV Iguaçu, Canal 4, nas Mercês, onde o Adherbal e outros cobras, entre eles Renato Schaitza e Ducastel Nicz, tocavam o recordista de audiência Show de Jornal, bem como o Jornal da Cidade, apresentado por Salle Wolokita.

Consistia em perguntas fulminantes:

– O que é nefelibata?

– O que é apodo?

– Peripatético, que diabo é isso?

– O que significa paquiderme?

Afinal, era comum nas redações, em meio ao barulho das máquinas de escrever Olivetti, alguém erguer a voz em busca de socorro:

– Gás é com Z ou com S?

– S!

– E chinês, é com Z ou com S?

– S!

Quanto ao adjetivo nefelibata, trata-se de pessoa que vive nas nuvens, pessoa que busca se esquivar da realidade; ou escritor que despreza os processos simples.

Apodo? Substantivo masculino, zombaria, mofa, alcunha, apelido.

Por extensão, nubívago; adj. Que vive nas nuvens; que se afasta da realidade ou não tem os pés no chão. Que vive a vagar por entre as nuvens; nefelibata.

Despiciendo – adjetivo – desprezível. Diz-se daquele ou daquilo que é digno de desprezo ou desdém; desdenhável ou menosprezível. Etimologia do latim despiciendu.

Mais-valia – sf. Na economia marxista, valor não remunerado que o trabalho assalariado acrescenta aos bens produzidos, e que é a real fonte de lucro dos capitalistas.

Sobre o autor

Pancho

Francisco Camargo, o Pancho, é jornalista. Passou pela chefia das maiores redações do Paraná. É autor das tirinhas Rollmops e Catchup.

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