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A volta da Estação Primeira, a rádio que marcou época em Curitiba

Escrito por Rogerio Galindo
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“Eu vi isso acontecer várias vezes”, conta Margot Brasil. “Chegava o representante da gravadora e dizia: é pra tocar a faixa três. Era assim que funcionava em todas as rádios. Mas com a gente era diferente. Assim que o sujeito ia embora, a gente riscava a faixa três e nunca mais ela tocava na rádio”, ela ri.

Segundo ela, a partir dali todas as faixas seriam ouvidas com cuidado e a própria equipe era quem decidia o que ia ser executado. Podiam ser todas as música, podia não ser nenhuma, ou só algumas. Só não podia ser aquela que já estaria tocando em todos os outros lugares.

A Estação Primeira era de fato uma rádio diferente. O simples fato de o anúncio de sua volta, 24 anos depois do fechamento das portas, causar frisson na cidade, é sinal de que alguma coisa marcou. Nos nove anos em que funcionou, entre 1986 e 1995, a Estação estabeleceu um padrão de ousadia e qualidade jamais igualado na cidade.

Voltada principalmente para o rock e para a música independente, a rádio tinha como marca registrada a locução 100% feminina. Chegou a lançar dois discos com compilações de artistas locais. Revelou talentos. E marcou época por ser a primeira FM de Curitiba se dedicar para o rock’n’roll – depois houve outras, mas nenhuma que tenha galvanizado tanto as atenções.

Helinho Pimentel, fundador da Estação nos anos 80, passou por mais duas dessas rádios rock. Hoje, como empresário, é responsável pela gestão do Parque das Pedreiras, onde ficam a Pedreira Paulo Leminski e a Ópera de Arame.

A hora da volta

Na semana passada, ele e Margot, uma das locutoras da rádio, foram dar uma entrevista na CBN – ironicamente, a rádio que ocupou a frequência da Estação Primeira em 1995 – e, inesperadamente, anunciaram o retorno da rádio. Claro, em outro formato, mas igualmente ousado.

“Pensamos em ter quatro ou cinco rádios simultâneas”, diz Helinho (segundo ele, só a esposa o chama de Hélio). “Vamos ter a rádio igual à original, mas também outros canais com música”, conta. Entre os outros canais estão um de rock clássico (anos 70 e 80), um de pop+rock, um de músicas brasileiras e um de músicas antigas.

Helinho Pimentel: de novo à frente da rádio. Foto: Valdecir Galor/SMCS.

Ainda não há data para a estreia. Provavelmente, segundo Helinho, os primeiros canais estarão disponíveis ainda neste ano. E depois, a ideia é ampliar. O empresário, inclusive, não descarta a possibilidade de voltar para o dial. “Dependendo do formato do negócio , pode ser”, diz ele.

Além de Helinho e Margot, já estão a bordo Fabiane Barros e uma equipe de marketing. Antigos parceiros da rádio também devem ser procurados em breve.

A hora da ousadia

Helinho diz que algumas marcas registradas estarão de novo no projeto. E destaca que um dos diferenciais será a pouca interferência na música. “Será quase como ouvir uma playlist no Spotify, com pouco anúncio, quase nada. A diferença é que o ouvinte terá mais informação”, conta.

Para Margot, um ponto importante é que a rádio vai mostrar a mesma ousadia da primeira fase. “Não adiante ter uma rádio rock e ficar se limitando por aspectos comerciais. As pessoas têm que ser apaixonadas por aquilo, conhecer a fundo. E ousar. Esse sempre foi o ponto alto da Estação Primeira, a ousadia”, diz.

Para os fãs, agora é só esperar a contagem regressiva para ouvir a vinheta que rodou no rádio em 1986 e marcou época. A Estação Primeira estará, de novo, transmitindo em caráter experimental.

Sobre o autor

Rogerio Galindo

Rogerio W. Galindo é jornalista e tradutor. Responsável pelo blog Caixa Zero, é um dos profissionais que criaram o Plural.jor.br

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