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A dor do Rio é a dor do Brasil

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Enquanto Brumadinho busca suas centenas de mortos em meio à lama e às raízes da irresponsabilidade de quem não cumpre ou dá de ombros para as leis, e o país chora junto, aumentando a enxurrada de dores e protestos que escorre para ouvidos moucos, o Rio de Janeiro lambe dores que são dores do Brasil.

Dez meninos são engolidos pelo fogo em um Centro de Treinamento que não tinha alvará de funcionamento, que queima seus sonhos e os sonhos de esperança e alegria de um local chamado de país do futebol, 13 outros são mortos por balas em morros cariocas dominados pela guerra do tráfico e pela ausência do Estado. E, ainda, desde o dia 7, ensopados sob a dor da morte de seis pessoas que residiam ou passavam por áreas de risco – o que não deve ser considerado fatalidade! – e engolidas pelas chuvas e suas consequências (deslizamentos de terra, quedas de pedras, entupimentos, barreiras etc.), o Rio (leia-se o país) não encontra motivos para saber-se e gabar-se de sua beleza, com o açoite da ventania a lhe cortar o lombo e a paz inerte de seus santos e demônios.

As mortes previsíveis nos acometem de dores, em meio a laranjais de todas as cores. Belo e triste Rio. Belo e triste país. E ainda mais triste porque nele há gente que se acha capaz de mudar os destinos de milhões com o estalar de dedos. Ou de gatilhos.