Até o fim de 2024, de acordo com o Cadastro Único (CadÚnico), mais de 4 mil pessoas viviam em situação de rua em Curitiba. O número pode ser maior porque muitas pessoas não têm acesso aos serviços públicos e não relatam que não têm onde morar. Além da falta de moradia, muitas destas pessoas sofrem com a insegurança alimentar.
Em todo Brasil o número pode chegar a mais de 335.151, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Uma alternativa para que as pessoas em situação de rua têm para fazer refeições diárias são os restaurantes do programa Mesa Solidária. Em Curitiba, há cinco unidades: Dom Bosco, Patrícia Casillo, Plínio Tourinho, Vila Agrícola e Luz dos Pinhais. Esta última fica nas imediações da praça Tiradentes e frequentemente é algo de ataques na Câmara Municipal.
Recentemente, o vereador João Bettega (União Brasil), sugeriu que o equipamento fosse alocado em outro endereço porque, segundo ele, uma comerciante das imediações reclamou da concentração de pessoas em situação de rua no local. “Eu peço que vejam este pronunciamento, para que possamos olhar com carinho essa situação”, pediu o parlamentar.

Outra manifestação na Câmara que cerceia o direito das pessoas em situação de rua aos alimentos, foi a do vereador Eder Borges (PL), que afirma que o Mesa Solidária Luz dos Pinhais “traz um impacto muito grande para o centro da cidade”. Para ele, a unidade deve ser transferida para outro endereço.
Perto do meio-dia e perto das seis da tarde é possível ver a fila de pessoas – principalmente homens – que aguardam o atendimento do Mesa Solidária para o que, muitas vezes, é a única refeição do dia. Ao menos 400 refeições são servidas diariamente no local
Ao Plural, a Secretaria Municipal da Segurança Alimentar e Nutricional informou que não há perspectiva de fechamento ou mudança do Mesa Solidária Luz dos Pinhais, mas isso não significa recuo dos ataques.

No dia 21 de maio a Câmara Municipal aprovou moção de apoio a um abaixo-assinado contrário à instalação de um equipamento da Fundação de Assistência Social (FAS), que também abrigaria o Programa Mesa Solidária, na Travessa Itararé, na região do terminal Guadalupe.
Medidas como esta são consideradas higienistas. Em 2023, por iniciativa de Eder Borges, foi aprovada a sugestão ao Executivo para retirada da unidade da praça Tiradentes para uma região mais afastada da cidade, ou seja, “limpar” o centro da presença de pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade. A sugestão foi rejeitada pela prefeitura à época.