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Um coração doente e uma amizade improvável estão no centro de novo livro de Giovana Madalosso

Escritora curitibana faz o lançamento de "Batida Só", publicado pela Todavia, nesta quinta-feira na Livraria da Vila

Um coração doente e uma amizade improvável estão no centro de novo livro de Giovana Madalosso
Giovana Madalosso, autora de "Batida Só". Foto: Ricardo Parada
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Quem for à Livraria da Vila nesta quinta (26) para o lançamento do novo romance de Giovana Madalosso vai se deparar com um livro que trata de doenças e mortalidade humana. Mas "Batida Só", embora já na primeira página mostre sua protagonista desacordada devido a uma doença cardíaca, também fala sobre fé, esperança e o conforto que pode vir de uma amizade.

Segundo a escritora, a primeira parte do livro fala sobretudo de emoções - ou, para ser mais preciso, sobre a impossibilidade de viver sem sentir emoções fortes. A personagem central, uma jornalista, descobre uma doença cardíaca grave ao ser abordada por dois homens na rua que aparentemente pretendem estuprá-la. Ela cai desacordada e, ao voltar à consciência, descobre que os médicos acham sua arritmia gravíssima.

Maria João se refugia na cidade de infância para fugir de qualquer emoção enquanto faz um tratamento à base de remédios fortes. Entupida de antidepressivos, se afasta não apenas do trabalho, mas da própria vida - deixa para trás os pais, a vida afetiva e (até certo ponto) a própria sexualidade. Mesmo assim, apavorada com seu diagnóstico, continua sentindo as batidas fora de tempo.

Mas a trama muda quando entram as duas outras personagens que formam o centro do romance. Na cidadezinha de interior, Maria João encontra uma ex-colega de escola totalmente diferente dela e seu filho, um menino que enfrenta um câncer. Sara é devota e ao mesmo tempo muito mais mundana que a amiga (usa vestidos sensuais e não se importa em usar seus dotes para arranjar um milionário que ajude o filho a sobreviver).

Os três, a partir desse ponto, entram literalmente numa jornada. Viajam para conhecer um lugar de curas religiosas. Só que enquanto Sara crê de olhos fechados, Maria João não tem um pingo de fé. E o menino é uma história à parte: enfrenta sua doença, entre outras coisas, lendo o Livro Tibetano dos Mortos.

Giovana diz que esse livro é diferente dos três anteriores (um volume de contos e dois romances), e que os outros também são diferentes entre si. Mas, assim como nos que já haviam publicados, a história nasceu de uma angústia pessoal. Nesse caso, uma doença na família que testou os limites da fé da escritora, que sempre se considerou atéia e de repente se viu pensando sobre o que a ausência de religiosidade significava naquele momento difícil.

Autora em ascensão, que tem recebido elogios e críticas positivas a cada livro, Giovana tem uma narrativa ágil e o dom da fabulação: suas histórias sempre têm algo de surpreendente e até cinematográfico, embora ela jamais abra mão de um tom literariamente mais sóbrio.

Serviço
Lançamento de "Batida Só", de Giovana Madalosso
Dia 26 (quinta), às 19h
Livraria da Vila, no Shopping Palladium

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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