Nesta terça-feira (11) trabalhadores terceirizados do Governo do Paraná entraram em greve por falta de pagamento. Eles fizeram um ato nas imediações da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (Seap), em Curitiba, e na sequência participaram de uma reunião.
A mobilização conta com vários sindicatos, entre eles o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco) e o Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Trabalho Temporário, Leitura de Medidores e Entrega de Aviso (Sineepres).
Os trabalhadores terceirizados são funcionários da empresa Produserv, que há meses atrasa os pagamentos de vales transporte, alimentação e não deposita corretamente o FGTS. O problema fez com que o Sineepres entrasse da Justiça do Trabalho e conseguisse o bloqueio de bens para o pagamento das dívidas, que, segundo a organização, que é de milhões de reais.
Na última semana, atendeu a uma recomendação do Ministério Público do Trabalho (MPT), o Governo do Paraná retive os pagamentos que seria feitos à Produserv. A medida foi formalizada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e vigorará até que as obrigações de salários, férias, verbas rescisórias, vale-alimentação, vale-refeição e depósitos de FGTS sejam feitas aos trabalhadores.

Isso aconteceu após as denúncias feitas pelo Sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e o descumprimento de dois termos de ajuste de conduta, assinados em 2021 e 2025. Todavia, durante reunião na Justiça do Trabalho, a Seap assumiu a responsabilidade pelos pagamentos. A pasta começou o cadastramento dos trabalhadores para realizar os repasses e isto estava previsto para acontecer na segunda-feira (10), mas não ocorreu. Com o novo atraso, os trabalhadores iniciaram a greve.
Ao todo, a Produserv tem mais de 4 mil trabalhadores que atendem o Governo do Estado em várias cidades do Paraná. Na reunião desta terça-feira, a Seap manifestou preocupação com a possibilidade de serviços de segurança pública e saúde serem prejudicados pela greve. “Eles até alertaram que estes serviços não podem parar, mas os trabalhadores são terceirizados, não estão diretamente ligados ao Governo, então vamos manter a greve até que os pagamentos sejam feitos”, destacou o presidente do Sineepres, Paulo Rossi.
Sem dinheiro para tarefas básicas
A orientação do Sineepres para os trabalhadores aderirem à greve foi para que ficassem em casa. “Eu não pedi a eles para participarem da manifestação porque as pessoas estão sem dinheiro para comer, imagine para pagar a passagem”, destacou Rossi.


Protesto contra atraso dos pagamentos dos trabalhadores | Fotos: Sineepres
Funcionários confirmaram a situação crítica ao Plural, mas não quiserem se identificar pois têm medo de não receber os valores pelas horas trabalhadas. Um deles, que foi demitido no último mês, precisou fazer um empréstimo para pagar as outras. Outra está com o aluguel atrasado.
A Produserv não retornou o contato do Plural. Na reunião, a Seap não informou prazo para regularizar a situação. A greve, conforme os sindicatos, será mantida até que os trabalhadores recebam seus vencimentos.
