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Simulador do Plural mostra quanto cada família ganha ou perde com cortes no Orçamento federal

Ferramenta do Plural calcula, por faixa de renda, quanto cada família ganha ou perde ao ligar ou desligar programas e tributos do Orçamento federal de 2026

Simulador do Plural mostra quanto cada família ganha ou perde com cortes no Orçamento federal
Foto: Ramon Buçard / Unsplash

O Plural lançou um simulador interativo que calcula, família por família, o efeito financeiro direto de ligar ou desligar programas e tributos do Orçamento federal brasileiro de 2026. O leitor informa a renda mensal da família, marca o que gostaria de cortar ou manter — do Bolsa Família aos juros da dívida pública, do IRPF ao imposto sobre consumo — e vê na hora quanto a sua faixa de renda ganharia ou perderia por mês. Os valores partem dos dados da Lei Orçamentária Anual, publicados pela Controladoria-Geral da União, e da arrecadação federal divulgada pela Receita Federal.

A ferramenta está disponível no site do Plural, com código e dados abertos: qualquer leitor pode auditar os pressupostos ou propor ajustes. A base é a execução orçamentária da União de 2026 e as séries de arrecadação por tributo, cruzadas com coeficientes de incidência extraídos de estudos do IPEA, do Banco Mundial e do World Inequality Database, projeto que reúne pesquisadores de referência em desigualdade de renda.

Como funciona

O simulador classifica os brasileiros em dez faixas, da pobreza extrema (famílias com até R$ 1.500 por mês) aos ultra-ricos (acima de R$ 1,5 milhão mensais), com rótulos coloquiais como "classe média", "ricos" e "milionários". Para distribuir cada rubrica entre as fatias, a ferramenta aplica coeficientes de incidência — quanto cada faixa paga em determinado tributo, quanto recebe em determinada despesa — calibrados pelas pesquisas citadas.

Há ainda a opção de incluir o custo de reposição privada: se o SUS fosse desligado, por exemplo, o simulador soma quanto cada família teria que gastar em plano de saúde para repor o serviço — algo entre três e quatro vezes o custo per capita do atendimento público, segundo a literatura. O mesmo vale para outras rubricas que, uma vez cortadas, forçariam o pagamento particular do serviço.

O que os resultados expõem

Os números revelam desigualdades que costumam ficar escondidas no debate fiscal. Cortar o Bolsa Família reduz em cerca de R$ 650 por mês a renda das famílias em pobreza extrema, equivalente a mais de 70% do que elas ganham hoje, e não altera nada da vida de quem está do meio da pirâmide para cima. Já desligar o pagamento de juros da dívida pública faz a classe média perder menos de R$ 100 mensais, mas tira cerca de R$ 350 mil por mês da família ultra-rica típica — quase um quarto da sua renda.

O Imposto de Renda, apesar de progressivo no desenho, bate mais pesado nos milionários (algo como 10% da renda) do que nos ultra-ricos (menos de 3%), resultado da isenção de dividendos e do teto da alíquota, que permite que quem vive de capital pague proporcionalmente menos do que quem vive de salário alto.

Em termos práticos

A ferramenta é uma simplificação deliberada: trabalha com médias por faixa de renda, não considera efeitos de segunda ordem na economia — como a queda de consumo que vem com o corte de benefícios — e assume que o governo gasta de forma eficiente. Os números devem ser lidos como ordens de grandeza, não como previsões exatas.

Ainda assim, servem como contraponto a um debate fiscal que costuma apresentar os cortes orçamentários como escolhas técnicas e neutras, sem dizer de qual bolso o dinheiro sai e para qual outro deixa de ir.

Como apuramos esta reportagem

A matéria descreve o simulador publicado pelo Plural em outubro de 2026. As rubricas de despesa são extraídas da execução da Lei Orçamentária Anual de 2026 divulgada pela Controladoria-Geral da União, e as de receita, dos dados abertos de arrecadação federal da Receita Federal. Os coeficientes de incidência por faixa de renda vêm de pesquisas do IPEA, do Banco Mundial e do World Inequality Database. O custo de reposição privada do SUS adota a razão de três a quatro vezes o custo per capita público, apontada pela literatura. A ferramenta tem código e dados abertos no site do Plural; qualquer leitor pode auditar ou propor ajustes.

Perguntas rápidas

O que o simulador do Plural calcula? O efeito financeiro mensal, por faixa de renda, de ligar ou desligar programas e tributos do Orçamento federal de 2026. O leitor informa a renda da família e marca o que cortaria ou manteria; a ferramenta mostra quanto a família ganharia ou perderia por mês.

De onde vêm os dados? Da Lei Orçamentária Anual de 2026 publicada pela Controladoria-Geral da União e da arrecadação federal divulgada pela Receita Federal. Os coeficientes de incidência por faixa de renda saem de pesquisas do IPEA, do Banco Mundial e do World Inequality Database.

Como as famílias são classificadas? Em dez faixas, da pobreza extrema (até R$ 1.500 por mês) aos ultra-ricos (acima de R$ 1,5 milhão mensais), com rótulos coloquiais como "classe média", "ricos" e "milionários".

Qual a limitação da estimativa? Trabalha com médias por faixa, não considera efeitos de segunda ordem na economia e assume gasto público eficiente. Os valores são ordens de grandeza, não previsões exatas.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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