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Shows na Ilha do Mel podem causar impactos ambientais, alerta LAGEAMB/UFPR

“A situação é grave pois se trata de uma unidade de conservação de uso indireto, onde não se permite perturbar a fauna local. O impacto do som e da luminosidade de um show desse porte pode ser significativo, especialmente na restinga, um ecossistema sensível.”

Shows na Ilha do Mel podem causar impactos ambientais, alerta LAGEAMB/UFPR

Neste final de semana (27 e 28), o Governo do Estado faz o encerramento do Verão Maior Paraná 2025/2026 e sua temporada de shows. Pela primeira vez, o local de despedida é na Ilha do Mel, região da Baía de Paranaguá, e contempla quatro apresentações nacionais: Vitor Kley, Maskavo, Lagum e Maneva.

Porém, apesar do cenário aprazível e convidativo, a escolha da Ilha do Mel traz preocupação para profissionais interessados na preservação deste nativo paraíso ecológico.

De acordo com o professor e coordenador do Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais da Universidade Federal do Paraná (LAGEAMB/UFPR), Eduardo Vedor de Paula, eventos como estes realizados em reservas ambientais podem trazer um impacto significativo, principalmente para a fauna da região.

"A realização de shows abertos em áreas de proteção ambiental, como o Parque Estadual da Ilha do Mel, é preocupante. A capacidade de suporte da região e o impacto sobre a restinga e a fauna protegida são questões importantes. O plano de manejo do parque deve estabelecer diretrizes claras para esse tipo de uso público, caso contrário, pode haver implicações legais", observou o professor.

A região é um dos principais destinos de ecoturismo do estado, com mais de 90% de sua área protegida por unidades de conservação. O Parque Estadual da Ilha do Mel, criado em 2002, e a Estação Ecológica, estabelecida em 1982, trabalham em conjunto para preservar a rica biodiversidade da Mata Atlântica, restingas e manguezais.

“A situação é ainda mais grave se considerarmos que se trata de uma unidade de conservação de uso indireto, onde não se permite perturbar a fauna local. O impacto do som e da luminosidade de um show desse porte pode ser significativo, especialmente na restinga, um ecossistema sensível. A magnitude do evento pode ser difícil de dimensionar, o que aumenta a preocupação”, complementou Eduardo Vedor.

A região passou a ser regida pelo Novo Marco Regulatório de 2025, que estabelece a ilha como área de especial interesse ambiental. O objetivo é equilibrar o turismo e a preservação dos ecossistemas locais. A visitação é permitida para fins de educação ambiental, lazer consciente e pesquisa científica, mas com controle de acesso para minimizar o impacto.

Sobre esse assunto, o coordenador do LAGEAMB/UFPR ressaltou, “uma normativa recente que regula o uso da Ilha do Mel, priorizando o turismo de natureza e sol e praia, pode estar sendo ignorada com a realização de shows na região. A possibilidade de montagem de palco na praia levanta preocupações sobre o descumprimento de regras e o impacto ambiental”.

Responsabilidade de fiscalização

Segundo o Governo do Estado, a Unidade Administrativa da Ilha do Mel (UNADIM) “está acompanhará toda a programação, sendo responsável por gerir, fiscalizar e ordenar o uso do solo e as atividades na unidade de conservação durante os eventos”.

A UNADIM foi criada pelo Instituto Água e Terra (IAT) com o objetivo de organizar os serviços públicos na Ilha e facilitar o acesso da população às informações e autorizações sobre uso e ocupação do solo. A lei que a criou, a Lei Estadual nº 22.315, foi sancionada em 20 de março de 2025.

Em tese, a unidade deverá atuar como ponte entre a comunidade, a Superintendência do Patrimônio da União (SPU), o IAT, a Prefeitura de Paranaguá e outros órgãos públicos, visando garantir que as ações na Ilha sejam realizadas de acordo com as regras socioambientais e urbanísticas.

Gestão IAT

Sob gestão do Instituto Água e Terra (IAT), o Parque Estadual da Ilha do Mel é responsável pela proteção integral da fauna, flora e sítios arqueológicos, incluindo os sambaquis. A ilha é dividida em áreas com diferentes níveis de proteção: cerca de 81% é classificada como Estação Ecológica, com restrições mais rígidas, e 12% é Parque Estadual, que permite visitação ordenada e sustentável.

Andresa Costa

Andresa Costa

Jornalista por formação, especialista em Comunicação Audiovisual - Cinema e Televisão. Já trabalhei como repórter em jornal impresso, rádio e TV aberta

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