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Sergio Moro, quem diria, transformou o Brasil numa Venezuela

Escrito por Rogerio Galindo
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O pessoal que gritava “Nossa bandeira jamais será vermelha” sempre disse que era necessário votar em Jair Bolsonaro (PSL) para que o Brasil “não virasse uma Venezuela”. A expressão, claro, tem mutos sentidos. Provavelmente quem falava isso estava falando em socialismo.

As reportagens do Intercept mostrando o jogo de cartas marcadas da Lava Jato, porém, revelam que Sergio Moro usou de seu poder como juiz para fazer o mesmo que Hugo Chávez e Nicolás Maduro: se livrar de adversários políticos à beira da eleição presidencial. Num certo sentido, Moro transformou o Brasil numa Venezuela.

Na Venezuela, Maduro ganhou as últimas eleições em parte porque seus dois oponentes principais foram postos fora do páreo: um está proibido de se candidatar por 15 anos, o outro está em prisão domiciliar. Por isso o Brasil e outros países se recusam a reconhecer a legitimidade de Maduro no segundo governo.

Aqui, Lula era líder de todas as pesquisas de intenção de votos antes de ser posto na cadeia por Moro e seus pares. E agora descobres-se que os próprios procuradores não acreditavam na denúncia que fizeram contra o ex-presidente. Depois, o grupo agiu ainda para evitar que Lula falasse em público, mesmo preso, por medo de que ele elegesse Haddad.

A diferença é que na Venezuela quem deu o golpe foi a esquerda. Aqui, foi a direita. Lá, quem abusou do poder foi o presidente – foi o Executivo. Aqui, foi o Judiciário. E já se disse que a tirania do Judiciário é a pior, pois não há a quem recorrer.

Na cabeça de Moro e Deltan, eles salvaram o Brasil de um esquema terrível. Mas vá perguntar aos chavistas, aos bolivarianos, se eles não têm convicção de que livraram seu país da intervenção estrangeira e de um futuro terrível. Todo mundo que se corrompe, que se permite excessos, tem uma desculpa na ponta da língua para ter agido como agiu.

Moro e Dallagnol jogaram o tempo todo com dados viciados, segundo as mensagens a que já tivemos acesso. Aparentemente, vem mais por aí. O que já se sabe, porém, seria suficiente para acabar com qualquer ideia de que a Lava Jato foi uma operação imaculada, limpa, ética. Havia um alvo político e um objetivo extrajudicial: levar o governo para as mãos de um presidente de direita.

O Judiciário deveria usar uma venda. No caso de Lula, agiu de olhos bem abertos. E a desculpa de que as instâncias superiores referendaram as decisões de Moro de pouco adianta.

Juízes não brotam de uma árvore, não nascem da água como a Vênus de Boticelli. Juízes, como todos nós, têm uma família, uma história, um passado. Têm uma classe social e um perfil.

No caso do Brasil, se você não tem uma certa condição econômica, nem chega à faculdade. Se chegar, não passará em Direito. Se passar, não concluirá o curso. Se concluir, não passará no concurso para juiz.

O Judiciário é um espelho de nossa elite econômica – e qualquer pesquisa de opinião de voto mostrará o que isso quer dizer em termos de disputas eleitorais e petismo. Não que todo juiz se corrompa ou se deixe levar por ideologia de classe. Mas se há uma mensagem que o Intercept nos deixou é: não sejamos ingênuos. Há muito mais entre a Lava Jato e a letra fria da lei do que sonha nossa vã filosofia.

Sobre o autor

Rogerio Galindo

Rogerio W. Galindo é jornalista e tradutor. Responsável pelo blog Caixa Zero, é um dos profissionais que criaram o Plural.jor.br

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