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Ratinho confunde prisão de Bolsonaro com "briga" e mostra não entender como funciona a Justiça

Jair Bolsonaro não é um pobre inocente encurralado por um juiz cruel. É um infrator que está pagando por atos gravíssimos contra o país

Ratinho confunde prisão de Bolsonaro com "briga" e mostra não entender como funciona a Justiça
Ratinho Jr. Foto: Roberto Dziura/AEN
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A mensagem de solidariedade de Ratinho Jr. (PSD) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mostra mais uma vez que o governador paranaense tem certa dificuldade em compreender o conceito de justiça.

Às vezes, Ratinho é de um rigor extremo com quem comete crimes: acha que o justo é a sua Polícia Militar sair atirando em pessoas - pena de morte sem inquérito, acusação e muito menos julgamento. É o governador implacável que carrega mais de 2,3 mil mortes cometidas por policiais desde que assumiu o governo.

Em outras vezes, Ratinho é de uma incrível benevolência com os criminosos. É esse o caso de sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, um homem que, diante dos olhos de 200 milhões de pessoas, tramou um golpe de Estado, atentando contra a democracia de um país inteiro.

Na nota que fez publicar em suas redes sociais, Ratinho teve com Jair um carinho todo especial. Mais do que isso, classificou a prisão preventiva do ex-presidente como parte de uma "briga"que não vai colocar mais pão na briga de ninguém. Pediu união, vejam só.

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É preciso ter um completo desconhecimento da noção do sistema de Justiça para achar que prender alguém é equivalente a uma "briga". Levemos o caso a um extremo do ridículo para ver como seria.

Sabe esse sujeito que espancou a namorada até quase matar? Aquele, num elevador em Natal? Imagine que Ratinho chega para a polícia, que vai prender o sujeito, ou para o juiz, que vai sentenciá-lo, e diz: "Puxa, para que essa briga? Isso não põe pão na mesa de ninguém. Deixa ele..."

É de se esperar que o governador não fizesse isso. Seria patético. Igualmente patético, porém, é ver Ratinho pedir que se faça o mesmo por Bolsonaro - um homem que, além de tramar um golpe de Estado, de liderar um grupo que planejou sequestros e mortes de autoridades; que além de tudo isso deixou que centenas de milhares de pessoas morressem na pandemia por teimosia e por interesses políticos seus.

Jair Bolsonaro, é preciso que Ratinho e seus congêneres (Tarcísio, Caiado, Zema, e tantos outros), não é um pobre inocente encurralado por um juiz cruel. É, sim, um criminoso que cometeu atos gravíssimos contra a democracia e contra o país. Agora, simplesmente, está pagando por isso. Não porque alguém queira "briga", mas porque é preciso punir infratores - foi por não punir o pessoal de 1964 que Bolsonaro se achou no direito de fazer o que fez, afinal.

Mas é evidente que Ratinho sabe de tudo isso. E que sua solidariedade com Bolsonaro é uma farsa - o que ele quer, por óbvio, é sair bem com os eleitores do ex-presidente, fingindo se importar com ele ou com eles. Quando na verdade, sabe-se bem, Ratinho se importa é com a sua possível eleição e nada mais.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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