A justificativa poderia ser ambiental, financeira, de segurança ou até climática. Mas a razão que levou o prefeito Toninho Fenelon (PSC), de São José dos Pinhais, a vetar um pedido da própria Prefeitura foi a rejeição popular ao investimento de lazer. Após o projeto ter sido aprovado na Câmara de Vereadores, o Executivo voltou atrás e desistiu de aplicar R$ 400 mil em um programa natalino de 10 dias, no Parque São José.
O projeto, chamado ‘O Show das Águas’, previaapresentações diárias de orquestras sinfônicas; projeção de luz em jatos deágua, montados nas lagoas do parque; cinema ao ar livre; praça de alimentação;parque inflável para as crianças; aulões de exercícios e de música. Tudo gratuito,incluindo a participação da Rede Municipal de Ensino, com 30 mil alunos daEducação Infantil, Fundamental e Especial.
O evento integraria as atrações de Natalda cidade, famosa pela Casa do Papai Noel – por onde passam, todos os anos,cerca de 100 mil visitantes. A decisão de cancelar os planos foi tomada “diantedos fatos que vêm circulando nas redes sociais”.
“Tendo em vista a repercussão da realização do evento, o prefeito de São José dos Pinhais Toninho Fenelon vetou este projeto, que foi cancelado e não será mais realizado. Com relação aos recursos da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, os mesmos serão utilizados em outras ações”, diz, em nota, a Prefeitura.
Pavimentação e Educação
“Com esse dinheiro poderíamosfazer mais de mil metros quadrados de pavimentação para os usuários poderemestacionar os carros de maneira mais adequada. Mas optaram por pegar esse dinheiropara 10 dias de dança das águas. É um retrocesso. Temos outras prioridades”,contestou o vereador Abílio Alves (DEM), em um dos vídeos que repercutiu nainternet. Ele puxou a oposição ao projeto, que foi votado na sessão do dia 12de novembro e aprovado por 10 dos 18 vereadores presentes.
Segundo Abílio, a cidade viveum momento em que “não temos condições de arcar com tantas atrações natalinas. Têmobras paradas por falta de verba. Precisamos melhorar as vias públicas, investirem saúde e educação”, acredita. “Temos um projeto urgente, de R$ 30 milhões,para investir na recuperação de escolas e CMEIs, alguns embargados pela DefesaCivil, onde ainda tem aluno estudando”, acrescenta.
De acordo com ele, que é presidente da Comissão de Educação da Câmara, os R$ 400 mil aprovados vinham de um pedido de crédito adicional, não vinculado a uma área específica, por isso, seria possível reavaliar onde pode ser melhor investido.
Lazer e Arte
O investimento em lazer e entretenimento, porém, não pode ser visto como dispensável, defendem movimentos ligados à cultura e às artes. “Investir em cultura, arte e entretenimento não é gastar ou, pior, jogar dinheiro fora. É justamente ao contrário. Investir nisso nos proporciona uma experiência tão profunda e transformadora que, inevitavelmente, pode mudar o caminho de uma pessoa. Você enaltece sua alegria, espanta seus fantasmas. Menos doentes, mais desenvolvidos humanamente. A arte e o lazer não são algo novo ou moderno, eles estão intrinsecamente ligados a nossa essência”, pondera a artista visual e diretora da Associação Profissional de Artistas Plásticos do Paraná (APAP/PR), Katia Velo.