Pular para o conteúdo

Buscando…

Nenhum resultado para “”

Sergio Moro apresenta como modelo regime ditatorial "feito para matar pessoas"

Senador diz que, caso seja eleito governador do Paraná, fará presídio em homenagem ao governo de Bukele em El Salvador

Sergio Moro apresenta como modelo regime ditatorial "feito para matar pessoas"
Sergio Moro e Flávio Bolsonaro com o ministro Gustavo Villatoro, de El Salvador: candidatos do PL apoiam governo acusado de matar pessoas. Foto: Divulgação/PL

Uma das propostas que Sergio Moro (PL) mais repete em sua campanha pelo Governo do Paraná é a criação de um presídio de segurança máxima. O nome do local já foi anunciado: El Salvador. Moro fez o anúncio depois de uma conversa com o ministro da Justiça de El Salvador, que ele próprio fez questão de trazer ao Brasil durante a campanha - e a homenagem se deve à diminuição do número de homicídios no país depois que o presidente Nayib Bukele começou a aplicar regras extraordinariamente duras.

A redução da criminalidade em El Salvador é real. O modo como isso foi obtido, porém, vem causando choque no mundo todo. Abusos, violência, desrespeito aos direitos humanos fazem do país um regime de exceção, uma ditadura. Mães veem seus filhos sumirem ao serem levados para a prisão e nunca mais conseguem vê-los. Mulheres não sabem informações sobre seus maridos, presos sob acusações genéricas e julgados em massa, sem direito a uma defesa ampla como garante qualquer regime democrático.

O símbolo do regime de Bukele é justamente um presídio. O Cecot, apresentado como o maior centro de detenção das Américas, foi feito de acordo com o governo de El Salvador, para 40 mil pessoas. A BBC, em uma reportagem, chegou a afirmar que, caso esse número de presos seja colocado no local, haverá um presidiário para cada 0,58 metro quadrado - a Cruz Vermelha Internacional afirma que o mínimo recomendável em cadeias seria 3,5 metro quadrado por pessoa.

O Cecot “é um lugar de concreto e aço para as pessoas morrerem, onde existe um cálculo perverso para eliminar as pessoas, sem aplicar formalmente a pena de morte", afirmou à BBC Miguel Sarre, ex-membro do Subcomitê das Nações Unidas para a Prevenção da Tortura.

Além da falta de espaço, o governo divulgou que as "camas" (na verdade placas de metal frio) não têm colchão; os vasos sanitários são em plena cela, cem qualquer privacidade; não há comunicação com a família nem com os advogados. São todas medidas de exceção que, segundo qualquer estudo sério de segurança, não ajudam a ressocializar ninguém, muito pelo contrário.

Moro também tem dito que o Paraná precisa "aumentar o encarceramento". Bukele fez isso, elevando o número de presos em El Salvador para quase 2% da população do país. São pelo menos 118 mil presos no país, embora os números não sejam claros e o governo não tenha transparência sobre o assunto - há famílias que não sabem se seus parentes foram presos ou se estão simplesmente desaparecidos.

O regime de Bukele também limita a liberdade de quem não está preso - algo que deveria assustar Moro, que diz ser um defensor das liberdades individuais. O ministro Gustavo Villatoro, que Moro ajudou a trazer ao país, afirmou publicamente que seu governo monitora jornalistas que se opõem a Bukele e ao modelo de segurança imposto por seu regime. Críticos da ditadura de Bukele também foram chamados por Bukele de "pseudo-salvadorenhos", uma vez que o governo compreende que não se pode ser patriótico e opositor dos atos da ditadura ao mesmo tempo.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

Todas as reportagens

Gostou desta reportagem?

Considere pagar um café para Rogerio Galindo e apoiar o jornalismo independente do Plural. Aponte a câmera do seu banco para o QR Code ou faça um Pix de qualquer valor para a chave abaixo.

32885173000120

Mais em poder

Ver todos

Mais de Rogerio Galindo

Ver todos

Conteúdo de parceiros