O ano letivo da rede municipal de Foz do Iguaçu teve início nesta semana com professores em estado de greve. Nesta quarta-feira (04), dia do retorno às aulas, educadores realizaram manifestação em frente à Prefeitura, no centro da cidade, e reafirmaram que a mobilização seguirá até que o Executivo apresente respostas às principais pautas da categoria.
A decisão foi deliberada em assembleia do Sinprefi, que representa professores e profissionais da educação da rede municipal. Segundo o sindicato, o estado de greve permanece enquanto não houver avanço nas negociações sobre direitos funcionais e, principalmente, sobre o pagamento do Piso Nacional do Magistério.
De acordo com a presidente da entidade, Viviane Dotto, o piso segue sendo pago de forma inadequada. “O piso nacional é um reajuste salarial dos professores, e esse reajuste não está sendo pago da forma correta aos profissionais”, afirmou durante o ato realizado em frente à Prefeitura.
Além da questão salarial, a mobilização ocorre após o recuo da Prefeitura na alteração da matriz curricular. No fim de 2025, a Secretaria Municipal de Educação anunciou mudanças que reduziriam a carga horária de Português, Geografia e Ciências para incluir Inglês e Robótica. A proposta gerou protestos e levou o sindicato a denunciar ausência de diálogo e impacto no planejamento pedagógico.
Após as manifestações, a Secretaria manteve, de forma provisória, a matriz curricular do ano anterior e informou que eventuais mudanças serão discutidas e implantadas de maneira gradual, condicionadas a pareceres do Conselho Municipal de Educação e do Ministério Público. O Sinprefi afirma que acompanhará o processo e cobra participação da categoria em qualquer alteração.
Somando escolas e CMEIs, mais de 30 mil alunos voltaram às aulas nesta semana, distribuídos em 97 unidades e 1.508 turmas. A Prefeitura informa que, ao longo do último ano, foram admitidos 549 profissionais, entre efetivos e contratados.
Críticas à gestão
O cenário foi levado ao plenário da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu na abertura do ano legislativo, na terça-feira (3). Vereadoras da Comissão de Educação criticaram a condução da política educacional e relataram problemas decorrentes do atraso na publicação da normativa de escolha de turmas, assinada às vésperas do início das aulas.
A vereadora Yasmin Hachem (PV) afirmou que o improviso administrativo comprometeu o planejamento escolar e afetou famílias. “Algo que é central na vida escolar foi tratado às pressas, desrespeitando completamente o servidor e impactando quem se organizou conforme o calendário”, disse.
Já a vereadora Valentina Rocha (PT) atribuiu a situação à falta de planejamento da gestão. Segundo ela, “o caos que está implementado na educação municipal é fruto de um mau planejamento, que vem sendo denunciado desde o ano passado”.
O que diz a Prefeitura
Em nota divulgada nesta quinta-feira (5), a Prefeitura de Foz do Iguaçu afirmou que cumpre integralmente o pagamento do piso nacional do magistério, conforme a legislação vigente. Segundo o Executivo, a maioria dos professores já recebe o piso como salário-base em razão da progressão na carreira e, nos casos em que o vencimento-base ainda não atinge esse valor, o município realiza o pagamento de um complemento, assegurando o piso mínimo legal.
A administração municipal informou ainda que vem adotando providências para a implantação e o pagamento de valores retroativos de benefícios congelados durante a pandemia, o que, segundo a nota, gera impacto significativo na folha de pagamento e exige planejamento.
Por fim, a Prefeitura informou que está agendada para sexta-feira (6) uma reunião com o sindicato da categoria, na qual as pautas serão tratadas. O Sinprefi afirma que manterá o estado de greve até que haja encaminhamentos concretos após o encontro.