Os debates pelo fim da escala 6x1 e a redução de jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais ganharam palco na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta semana, durante audiência pública. O evento reuniu sindicatos, parlamentares e trabalhadores de diversos setores.
Embora entidades patronais tenham encomendado estudos sobre os impactos econômicos da redução da jornada de trabalho, nenhuma participou da audiência.
A iniciativa da audiência foi da Liderança da Oposição da Assembleia. Para o deputado estadual e Líder da Oposição, Arilson Chiorato (PT), a pauta tem impacto direto na qualidade de vida da população trabalhadora. “O trabalho é um instrumento para sobreviver, não para viver em função dele”, afirmou.
Também estiveram no evento os deputados Requião Filho (PDT), Luciana Rafagnin (PT), Renato Freitas (PT), Dr. Antenor (PT), Professor Lemos (PT), Luiz Claudio Romanelli (PSD) e Lenir de Assis (PT).

Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação e Agricultura (UITA), Federação Única dos Petroleiros e sindicatos também acompanharam as discussões.
Sidnei Machado, professor de Direito do Trabalho da UFPR, destacou que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho, atualmente em pauta no Congresso Nacional, é um tema central para o país e precisa ser ampliado também nos estados. “O debate da redução da jornada é central no Brasil. É um tema antigo, mas que agora voltou com força e precisa ser discutido também nas regiões, ouvindo os trabalhadores e suas realidades”, afirmou.
“A Justiça do Trabalho e o Direito do Trabalho no Brasil pedem socorro. Nós passamos por uma fase de maremoto ideológico, de ultraconservadorismo nos discursos que cercam as questões sociais. Precisamos evoluir, e a agenda pelo fim da escala 6x1 é um passo gigantesco. Precisamos impedir a argentinização, a exemplo do que aconteceu no nosso vizinho”, disse Celio Waldraff, presidente interino do TRT-PR (Tribunal Regional do Trabalho do Paraná).
Fabrício Gomes de Oliveira, representante do Ministério Público do Trabalho, destacou que a entidade apoia a mudança. “São seres humanos, não seres econômicos. Reduzir a jornada é um conceito de civilidade. Jornada é uma questão de saúde. Os mais cansados se acidentam e adoecem mais”, pontuou.
*com Alep
