O candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) afirmou em nota que "sempre esteve do lado oposto ao PT" ao comentar ações na Justiça Eleitoral movidas pelas campanhas de Requião Filho (PDT) e Cristina Graeml (PSD) contra sua candidatura. Nesta quarta-feira (2), Requião Filho pediu a suspensão da propaganda eleitoral de Dallagnol e Cristina, que também concorre ao Senado, solicitou a retirada de uma propaganda feita com auxílio de inteligência artificial.
Estar "do lado oposto ao PT" (ou a qualquer outro partido) é uma posição legítima para qualquer candidato ou cidadão. Ao dizer que sempre esteve contra o partido, no entanto, Dallagnol põe em dúvida sua imparcialidade quando atuava como procurador da República e chefiava a força-tarefa da operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba – que teve integrantes do PT entre seus maiores alvos.
O principal argumento dos petistas contra a Lava Jato é justamente esse: segundo eles, Dallagnol e o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, agiam para perseguir membros do partido. Até porque a Lava Jato agiu para proteger o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o ex-senador Alvaro Dias (então filiado ao Podemos), como revelou a série Vaza Jato, do site Intercept Brasil.
De acordo com o Intercept, Sergio Moro pediu para o MPF não dar sequência às investigações contra o Fernando Henrique Cardoso, para não "melindrar um aliado importante". Dois ex-ministros de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Trabalho), também foram poupados de investigações pela Lava Jato, informou o site.
O nome do Alvaro Dias teria sido citado em dois episódios como beneficiário de propinas – o que não ficou comprovado. O ex-senador chegou a ser interrogado por Moro em 2017, mas o então juiz e o procurador do MPF Diogo Castor de Mattos (que também integrava a força tarefa da Lava Jato) não fizeram perguntas sobre a denúncia de recebimento de propina, informou o Intercept em agosto de 2019.

Crítica a Cristina Graeml
Na nota, Deltan Dallagnol critica a postura da candidata do PSD ao Senado, Cristina Graeml, apoiadora da operação Lava Jato. Ela recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) para pedir que a campanha de Dallagnol tirasse do ar uma propaganda com áudio e vídeo produzidos por IA. A juíza auxiliar Sandra Bauermann negou o pedido nesta quinta-feira (3).
Já ação da campanha do candidato do PDT ao governo, Requião Filho, solicitou o afastamento de Dallagnol do horário eleitoral gratuito, já que o registro de sua candidatura ainda não foi julgado pelo Tribunal. A coligação Paraná Para Todos, que inclui o PT, argumenta que Deltan está inelegível após ter o mandato de deputado federal cassado, em 2023. O julgamento do registro da candidatura deverá ocorrer na próxima semana.
"Que o PT tente me tirar da eleição, derrubar minha propaganda ou usar a Justiça para tentar silenciar minha campanha não me surpreende. Sempre estive ao lado oposto ao PT: enfrentei a corrupção, os poderosos, o sistema que o PT defende. Ser combatido pelo PT, portanto, não é novidade. É quase uma confirmação de que continuo no lugar certo", disse Dallagnol em nota.
"O que eu jamais imaginei era Cristina Graeml desse lado. E é justamente por conhecer a história de Cristina que isso causa tanta perplexidade. Foi Cristina quem escreveu que minha eleição representava um 'recado claro do eleitor paranaense' em favor do combate ao crime do colarinho branco", afirmou o ex-procurador. "Foi ela quem, durante anos, se apresentou ao Paraná como uma voz contra o establishment, contra o PSD, contra a censura, contra os abusos do poder e em defesa da liberdade de expressão. Nós estivemos do mesmo lado dessa trincheira".
