A Comissão Processante que analisou o caso de Lórens Nogueira (PP) aprovou na tarde desta quinta-feira (13 de agosto) o parecer que recomenda a cassação do mandato do vereador, suspeito da prática de rachadinha – quando o parlamentar fica com parte dos salários de seus assessores. A conclusão da Comissão será encaminha para a Mesa Diretora da Câmara de Curitiba, que deverá submeter a decisão ao plenário. Para ele ser cassado, será preciso maioria simples entre os 38 vereadores.
O parecer do relator Da Costa (Podemos) que recomendou a cassação foi aprovado pelos outros dois integrantes da Comissão,, os vereadores Serginho do Posto (PSD) e Meri Martins (Republicanos). Para Da Costa, a denúncia atingiu a imagem da Câmara.
"Ouvimos todas as testemunhas, respeitamos todos os prazos e fiz uma análise completamente imparcial. De um lado, tínhamos um depoimento muito forte, muito contundente, inclusive com imagens do Gaeco que comprovavam tudo o que ela falava. Do outro lado, tínhamos o vereador Lórens, que não tinha prova de nenhum empréstimo", afirmou Da Costa após a reunião da Comissão.
O que diz a defesa
O advogado de Lórens Nogueira, Jefferson Vilela, disse que o relatório é fraco e sofre de "anemia probatória". "É muito claro que já se tinha uma decisão formulada e foram buscados fragmentos da instrução para simplesmente corroborar aquilo que, na verdade, já se tinha descrito. É lamentável que seja produzido um relatório dessa forma, com tamanha fraqueza, com anemia probatória, com anemia de fundamentação, um relatório que não guarda relação nenhuma com os fatos que foram apurados".
Para Vilela, o processo foi "viciado" desde a instauração da Comissão. "Tem um posicionamento político do relator, tem busca de ganho político com esse processo. Infelizmente a relatoria (Da Costa) está fazendo desse processo aqui um palanque eleitoral, porque em todas as reuniões ele está com a camisa da marca da campanha".
Em nota, o defensor lembrou que as demais testemunhas ouvidas pela Comissão negaram a acusação. "É profundamente lamentável assistir a um relator tão descompromissado com a verdade e com a séria apuração dos fatos, debruçando-se não sobre as provas, mas exclusivamente sobre uma pauta política, transformando um processo da mais alta gravidade em verdadeiro palanque eleitoral para a sua própria candidatura".
Da Costa disse que o processo "atrapalhou" a campanha."A comissão chega até a atrapalhar um pouco. Muita gente já está trabalhando nesse período de pré-campanha, organizando suas campanhas, e eu estou me debruçando aqui sobre esse processo para poder fazer com que ele seja conduzido da melhor forma".

O caso
Treze endereços ligados a Lórens Nogueira foram alvo de uma operação do Gaeco Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), na manhã de 26 de maio. Foram apreendidos cerca de R$ 100 mil em dinheiro.
Dias depois, foi divulgado um vídeo em que Nogueira aparece recebendo dinheiro de uma suposta assessora. O vereador negou irregularidades e disse que se tratava do pagamento de uma dívida.
Durante os trabalhos da Comissão Processante, a assessoria teria revelado que recebia um salário de cerca de R$ 15 mil em um cargo no Detran-PR, que teria sido intermediado por Lórens Nogueira. Ela disse que ficava com apenas R$ 5 mil e repassava o restante ao parlamentar.