O Conselho de Ética da Câmara de Curitiba aprovou nesta terça-feira (10) o pedido de cassação do mandato do vereador Renato Freitas (PT). O caso agora será levado a plenário, onde o petista deverá ter dificuldades para conseguir evitar a cassação. No Conselho, a votação pela cassação acabou com cinco votos pela perda do mandato, um pela suspensão por seis meses e um pelo arquivamento.
Renato Freitas foi levado ao Conselho de Ética por ter entrado na Igreja do Rosário no dia 5 de fevereiro durante uma manifestação contra o racismo. Naquele momento, os manifestantes pediam justiça pelos assassinatos de dois homens negros, um congolês e um brasileiro, ocorridas nos dias anteriores. Diversos movimentos fizeram o mesmo naquele dia por todo o país.
Renato Freitas fez um discurso dentro da Igreja basicamente em defesa da vida. No entanto, a Igreja Católica e diversos setores conservadores da cidade se sentiram incomodados com a manifestação, que contou com uma bandeira partidária dentro da igreja. Por isso, cinco representações foram feitas contra o vereador na Câmara e transformadas num processo de quebra de decoro.
Votos
A primeira etapa do julgamento no conselho se deu com a apresentação de três teses. O relator, Sidnei Toaldo (Patriota), foi favorável à cassação de Renato Freitas. A segunda proposta, apresentada em voto em separado pela vereadora Maria Letícia (PV), pediu o arquivamento da denúncia. A terceira proposta, apresentada pelo presidente do Conselho de Ética, Dalton Borba (PDT), pediu suspensão do mandato do petista por seis meses.
Depois disso, os quatro outros membros do Conselho passaram a votar. Denian Couto disse que Renato Freitas não teve uma conduta compatível com a Constituição e com o respeito à Igreja e por isso votou a favor da cassação. Indiara Barbosa (Novo), disse que houve um erro do vereador e que ele é "reincidente", e por isso votou igualmente pela cassação.
A seguir, o advogado responsável pela defesa de Renato Freitas, Guilherme Gonçalves, fez o seu discurso. Numa defesa arrebatadora, que apontou diversos erros fáticos do relatório de Sidnei Toaldo, Gonçalves disse que seria um despropósito a Câmara votar pela cassação de Renato Freitas. Com base nos vídeos apresentados do momento em que os manifestantes entram na Igreja do Rosário, o advogado mostrou que Toaldo errou ao dizer que o petista liderou o movimento.
Noêmia Rocha, fazendo uma ressalva de que seu voto não se devia à pressão sofrida, também escolheu acompanhar o relator no pedido de cassação. O vereador Toninho da Farmácia,último a votar, fez o mesmo.
Intimidação
O julgamento foi marcado por tensão e por uma tentativa de intimidação à vereadora Noêmia Rocha. O blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, que já foi preso por atos antidemocráticos contra o Supremo Tribunal Federal, tentou pressionar a vereadora a votar pela cassação. O blogueiro já havia gravado pedidos de Silas Malafaia e Marco Feliciano para que a "irmã em Cristo" votasse contra o petista. O blogueiro foi retirado do plenário.