A Câmara Municipal de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, começa a analisar nesta terça-feira (27) o pedido de cassação do mandato do vereador Denys Moraes (PRD), que quebrou o vidro de um carro durante o ato em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, em Curitiba, no dia 17 de outubro.
A sessão que começa às 18 horas vai analisar se o caso será encaminhado para a Comissão de Ética da Câmara. A representação foi apresentada pelo presidente estadual do PT, deputado estadual Arilson Chiorato, e pelo presidente do diretório municipal de Almirante Tamandaré, Hélio dos Santos Dias.
Moares foi flagrado em vídeo pelo repórter Luís Pedruco no momento em que quebrava o vidro traseiro do veículo utilizando a haste de uma bandeira do Brasil. O carro tinha um adesivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O motorista, Carlos Diovanne, chegou a sair do veículo e foi hostilizado pelos bolsonaristas. Um deles disse que eleitor de Lula morreria se ficasse no local. As agressões foram no cruzamento da Rua XV de Novembro com a Rua Dr. Muricy.
Diovanne relatou ao Plural que, depois das agressões, passou a ter insônia, crises de ansiedade e dificuldades de concentração, o que comprometeu seu rendimento profissional – ele ficou quatro dias afastado do trabalho. Diovanne mora e trabalha em Araucária e precisou ir até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No dia 22 ele registrou um boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial, em Curitiba.

O PT também encaminhou uma denuncia ao Ministério Público do Paraná (MPPR). "Logo após a quebra do vidro, o noticiado (Moraes) aparece afastando-se do veículo com a haste da bandeira nas mãos, trajando camiseta clara e boné preto estampado com o número 22, que é o número do Partido Liberal, legenda do candidato homenageado no ato. Na sequência, é interpelado por pessoas presentes e reage aos gritos", diz a denúncia.
No mesmo dia, o deputado federal e senador eleito Filipe Barros (PL) gravou um vídeo para ressaltar "a diferença" entre os apoiadores de Bolsonaro e os de Lula. "A manifestação tá acabando agora, algumas pessoas ainda estão aqui, mas pra vocês verem a diferença das manifestações nossas, patriotas, de verde e amarelo, das manifestações da esquerda. O povo limpando, tudo ordeiro, diferente da 'esquerdalha'", disse Barros. O governador eleito Sergio Moro (PL), que participou do ato, não comentou a ocorrência.
