A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) de Londrina comunicou aos trabalhadores do sistema que serão liberadas somente 1.252 cotas do Benefício Emergencial Eventual (BEE) na modalidade cartão alimentação - o conhecido “cupom” - neste mês de janeiro. Isso significa uma redução de mais de 400 benefícios diante dos 1.670 cupons que costumavam ser liberados. Quanto ao BEE na modalidade depósito, ainda não foi liberada nenhuma cota para janeiro.
A reportagem teve acesso à tabela que mostra a limitação das cotas por Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). “Fizeram os cortes e a gente só pode conceder o cartão alimentação a partir do dia 12 de janeiro. Não justificaram o porquê, já que o alimentação era justamente para saner emergâncias que o BEE depósito não sanaria no início do mês”, relata uma trabalhadora que pediu anonimato.

Apenas o corte na modalidade cartão representa R$ 87.780 a menos investidos pela assistência; caso confirmada a retenção do BEE depósito, o corte ultrapassará R$ 438 mil.
A informação de circulação interna não foi publicizada e o Plural aguarda retorno da secretaria sobre o motivo dos cortes.

PMTR quase reduziu
Além dos benefícios eventuais, o município de Londrina mantém o Programa Municipal de Transferência de Renda (PMTR), que atende cerca de 3,6 mil famílias com o valor mensal de R$ 288. Enquanto o BEE é reavaliado mensalmente - ou seja, famílias que recebem em um mês não têm garantia que receberão no próximo - o PMTR tem renovação anual".Obri
Na última reunião de 2025 do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), realizada em 22 de dezembro, os conselheiros se recusaram a votar proposta que derrubava para R$ 200 o valor do PMTR. A justificativa era de que a redução preservaria a quantidade de BEE.
“É uma desconsideração em relação à secretaria e com as pessoas que recebem os benefícios, taxadas como pessoas que não querem trabalhar”, declara outra trabalhadora, que também prefere não se identificar.
Ela acrescenta que os benefícios não tiveram reajuste inflacionário no ano passado, como vinha acontecendo nos anos anteriores.
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Luta por orçamento
A pasta da Assistência Social vem sofrendo com redução de recursos e atrasos nos benefícios desde meados de 2025 devido a um decreto municipal de contingenciamento publicado em 8 de agosto pela gestão Tiago Amaral (PSD). Em setembro do ano passado, uma trabalhadora do setor já informava os reflexos: “Usuários do CRAS estão sem agendamento para a renovação do cadastro e as que precisam do entrevistador na casa não estão sendo atendidas”, contou à reportagem na época.
No projeto inicial da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026, a prefeitura previa o corte de R$ 17 milhões no orçamento da pasta, porém, uma intensa mobilização social impediu o rombo e R$ 15 milhões foram repostos, sendo R$ 4 milhões da Câmara de Vereadores e R$ 11 milhões de um convênio a ser firmado com o Governo do Estado.
A aplicação desse recurso, de acordo com declarações do prefeito, seria em um programa voltado à reinserção no mercado de trabalho.

Entrave no CadÚnico
Outro problema antigo que se agravou no início de 2025 foi a fila de espera para inscrição e renovação do CadÚnico, necessário para acesso a benefícios sociais. Um convênio de seis meses com a EPESMEL (Escola Profissional e Social do Menor de Londrina), que se efetivou no segundo semestre, aliviou a situação, mas acabou não sendo renovado.
“SMAS não nos procurou para continuidade, publicou o edital que observamos que deu deserto”, comenta Márcia Paiva, Gerente do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos da EPESMEL.
De acordo com ela, a instituição apresentou à secretaria e ao CMAS uma avaliação do trabalho desenvolvido no período e as necessidades de ajustes para continuidade. “Nenhum dos ajustes foram contemplados no edital”, diz Márcia.
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“A Epesmel cumpriu e superou as metas propostas e os resultados foram excelentes. Se os ajustes necessários tivessem sido feitos teríamos continuado”, garante.
Segundo ela, seria necessário maior investimento financeiro para evitar rotatividade dos cadastradores, adquirir equipamentos indispensáveis, custo de despesas que não haviam sido contempladas, melhorias no agendamento eletrônico, entre outros.
“O serviço exige coordenação; SMAS garantiu apenas supervisão”, conclui Márcia.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, novos cadastradores já foram contratados. No último sábado, eles já estavam em treinamento durante um mutirão realização na sede da SMAS.
Ausência nos territórios
A restrição de verbas na pasta da Assistência Social também está afetando o atendimento nos territórios, incluindo Terras Indígenas (Tis), informam trabalhadores.
De acordo com uma determinação do Ministério Público Federal (MPF), equipes do CRAS Rural devem se deslocar semanalmente para as TIs para atendimentos relacionados ao CadÚnico. Porém, a gestão já teria informado que isso não acontecerá nem em janeiro nem em fevereiro. Em março o atendimento retornará, porém, na sede do CRAS Rural – que fica na zona urbana.