A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse no último sábado (8 de novembro) em Londrina que as mulheres devem participar da política, mas que antes devem deixar a “comidinha” pronta para o marido na geladeira. A fala, cheia de confusões entre religião e política, separação entre o que ela considera ser o "bem o mal" e ataques ao Judiciário, foi feita durante um evento do PL Mulher.
Com um discurso que praticamente pregou a exclusão de pessoas não cristãs da vida pública, Michelle Bolsonaro disse que veio de uma “família disfuncional”, por não ser cristã, e que quer “trazer Deus para a política, porque a política está precisando de Deus”. Segundo ela, quando as "pessoas de bem" não participam da política, o "mal toma conta".
Para a presidente do PL Mulher, as mulheres deve participar da política como “auxiliadoras” dos homens. “A Bíblia fala da submissão da esposa ao marido, mas é a submissão saudável”, afirmou Michelle, que disse estar longe de casa, mas não ausente (já o marido dela não pode deixar a própria casa). “O longe é você viajar e a sua casa estar totalmente controlada. É você deixar a comidinha do marido, das filhas, dos 'doguinhos', tudo pronto na geladeira e pedir para o irmão poder aquecer na hora do almoço” – o que pode indicar que Jair Bolsonaro não tem competência para esquentar um prato de comida.
Michelle Bolsonaro deixou implícita a ideia de que somente mulheres que pensam como ela devem ser aceitas no PL. “Eu sou uma mulher comum, eu sou uma dona de casa com muito orgulho, porque eu amo ser dona de casa, eu amo cozinhar, eu amo cuidar da minha casa. E quantas outras mulheres comuns, homens comuns que precisam receber desse conhecimento para entender um pouquinho mais sobre a política, para quando chegar a época de votação, de eleição, eles não negociarem a arma mais poderosa que é o voto”.
Para a ex-primeira-dama, cumprir decisões judiciais – no caso, a condenação a 27 anos e três meses de prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado – é “dobrar os joelhos ao Judiciário”. “A gente tem visto um congresso de joelhos em frente ao STF. Isso é uma tristeza muito grande pra gente. Porque hoje, infelizmente, só quem governa é o Judiciário”. Ela ainda disse que somente Jair Bolsonaro (tratado como "meu galego de olhos azuis") tem "legitimidade" para ser o candidato da direita à Presidência em 2026.
O evento do PL Mulher reuniu os deputados federais Filipe Barros e Fernando Giacobo e os estaduais Jacovós e Ricardo Arruda – investigado pela PF por suposta prática de violência de gênero. O encontro foi organizado pela vereadora de Curitiba e presidente do PL Mulher no Paraná Carlise Kwiatkowski – que emprega dez homens e somente uma mulher em seu gabinete.