Dados da Fundação João Pinheiro (FJP), o déficit habitacional na Região Metropolitana de Curitiba é 83.923 moradias. O número pode ser muito maior, já que o levantamento mais atual é de 2023. Esse problema faz com que o número de pessoas em situação de rua aumente na cidade e essa população tenha que improvisar moradias.
Uma das alternativas são barracas ou tendas que ficam nas calçadas. É o que acontece na região do Jardim Botânico. Moradores das imediações das ruas Basílio Itiberê, Comendador Franco e o Viaduto Colorado relataram ao Plural dificuldades em usar as calçadas do local.

A permanência das pessoas no local devido à falta de estrutura e itens básicos de sobrevivência como banheiro e água, deixa lixo, urina, fezes e outros objetos na jogados na rua. Moradores relataram que caminhões da prefeitura recolhem os rejeitos, mas que isso não resolve a situação da acessibilidade na calçada e tampouco da moradia.
Reações
Os moradores fizeram solicitações via 156, mas não houve retorno da prefeitura de Curitiba.
Na Câmara de Curitiba vereadores analisam a criação de um cadastro de pessoas em situação de rua para elaboração de políticas públicas, embora não haja indicativo de problemas de moradia na cidade.
O Plural procurou a Fundação de Ação Social (FAS) para questionar sobre o atendimento de pessoas em situação de rua, mas não obteve retorno até o fechamento do texto.
ATUALIZAÇÃO:
A prefeitura respondeu em nota que "realiza ações conjuntas diárias, no período diurno, e operações integradas semanais no período noturno na região do Jardim Botânico. A iniciativa tem como foco reforçar a segurança pública, a zeladoria urbana e ampliar a oferta de serviços municipais para pessoas em situação de rua ou que usam os espaços públicos como moradia improvisada".
O texto continua: "Esse trabalho é coordenado pela Administração Regional Matriz e conta com a participação da Guarda Municipal, da Fundação de Ação Social (FAS) e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, por meio das equipes de Limpeza Pública.
"Além das ações programadas, as equipes de abordagem social da FAS também atendem a região sempre que há solicitações registradas pela Central 156. O encaminhamento para os serviços da rede socioassistencial só pode ser feito com o aceite da pessoa abordada.
A condição de pessoas em situação de rua é complexa e está frequentemente associada a questões como saúde mental, dependência de álcool e outras drogas e o rompimento de vínculos familiares. Nos atendimentos realizados diariamente pelas equipes da FAS, são comuns relatos de pessoas que já tiveram moradia, mas que, por uma série de fatores, acabaram deixando suas casas e passaram a viver nas ruas.
Para quem não aceita acolhimento institucional, o município oferta alternativas de atendimento nos Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros Pop), onde é possível fazer higiene pessoal, se alimentar e lavar roupas. Na região do Jardim Botânico, há duas dessas unidades, o Centro Pop Solidariedade, localizado na Praça Plínio Tourinho, e o Centro Pop Doutor Faivre, na Rua Doutor Faivre, em frente à Rodoferroviária.
Além disso, o Jardim Botânico conta com banheiros públicos gratuitos, situados próximos da estufa, que também podem ser usados por toda a população.
Com relação ao atendimento habitacional para a população em situação de rua, desde 2025 a legislação prevê um cota de 3% das unidades habitacionais destinadas à faixa 1 ( renda mensal de até R$ 2.850,00) a essa população, percentual que se soma às cotas já existentes para pessoas idosas e pessoas com deficiência.
A Cohab atualizou seus sistemas para que no momento da inscrição seja assinalada a condição de população em situação de rua. Ao todo, são 40 pessoas inscritas que se declararam em situação de rua"
