UTIs Covid-19 estão 91% ocupadas na Grande Curitiba | Jornal Plural
23 nov 2020 - 23h40

UTIs Covid-19 estão 91% ocupadas na Grande Curitiba

Com 1,3 mil casos confirmados nas últimas 24 horas, Redes Pública e Privada têm principais hospitais lotados

Entre os onze principais hospitais de Curitiba e da Região Metropolitana (RMC) com leitos voltados exclusivamente para a Covid-19, três estão com 100% de ocupação e outros sete já passaram de 80% da capacidade. No total, as UTIs para pacientes com coronavírus estão com ocupação de 91%. Estes dados se referem às vagas do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo os hospitais que ainda têm leitos, são poucos para responder à demanda que tem aumentado na cidade nas últimas semanas.

Dos 1.049 leitos hospitalares da Rede Pública dedicados exclusivamente à Covid-19 na RMC, 810 estão ocupados, ou seja, atuam com 77% de sua capacidade total. Considerando apenas os dados de Curitiba, a ocupação é ainda mais alta: 83% (578 das 694 vagas exclusivas). Os dados são referentes às vagas em UTI e enfermaria do SUS até o último domingo (22), segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).

O Hospital das Clínicas (HC), segundo maior em vagas desse tipo na Capital (61), está lotado e sua enfermaria exclusiva para atender a demanda da pandemia está 90% ocupada (apenas 8 dos 75 leitos estão livres). O cenário é similar ao do Hospital Evangélico, que tem 100% da UTI Covid ocupada e apenas 9 dos seus 39 leitos de enfermaria disponíveis (ocupação de 81%). A situação é ainda pior no Hospital do Trabalhador, que está sem vagas de UTI nem enfermaria; todas as 20 vagas estão ocupadas.

Rede Pública sob pressão

Segundo os dados mais recentes da Sesa, Curitiba conta com 282 leitos de UTI exclusivos para Covid-19, que são necessários para os casos mais graves da doença. Desses, restam apenas 32 livres, ou seja, a taxa de ocupação está em 89,8%. Apesar disso, a cidade continua com a bandeira amarela, motivo pelo qual o Ministério Público contesta na justiça os critérios de monitoramento da doença em Curitiba.

Para Rafael Deucher, médico intensivista, membro do Centro de Estudos e Pesquisa em Terapia Intensiva (Cepeti) e presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Paraná, o aumento da ocupação é um problema para o atendimento e para a saúde pública. “Os casos continuam sendo graves, como eram no início da pandemia”, diz ele.

Casos pediátricos não registraram alta; maior parte dos doentes é jovem. Foto: Camila Mendes/PP

Por isso, esse tipo de leito, com mais equipamentos e capacidade de tratamento para situações graves, é essencial para enfrentar a pandemia. O aumento de casos passou a exigir ainda mais desta rede e dos profissionais da área. Atualmente, Deucher diz que está sendo necessário ainda mais organização, já que a demanda aumentou e as equipes estão há muito tempo trabalhando sob pressão.

“É importante que a população entenda que não é apenas o leito físico que é importante, mas a equipe multidisciplinar que acompanha aquele leito. E essa equipe é formada por um grande número de profissionais. Então é muito complexo e depende de mais do que o número de leitos disponíveis para garantir a qualidade do atendimento ao paciente.”

Já os leitos de enfermaria que são da Rede Pública ou financiados pelo SUS apresentam índices melhores. Há 84 vagas das 380 que são exclusivas para atender a demanda da pandemia. Ainda assim, a taxa de ocupação para o tratamento ambulatorial está em 78%.

Rede privada à prova

O principal hospital da Região Metropolitana de Curitiba, o Hospital do Rocio, em Campo Largo, é o que tem mais vagas exclusivas para o tratamento de Covid-19. Os leitos de UTI são 125, mas 118 deles já estão ocupados (94% de lotação). Já no que diz respeito ao atendimento ambulatorial mais simples, o Rocio conta com 212 vagas exclusivas, das quais 99 (47%) estão ocupadas. Todas elas são financiadas pelo SUS.

Também em Campo Largo, o Hospital São Lucas Parolin possui apenas 8 vagas de UTI e 10 de enfermagem que são patrocinadas pelo Estado. O nível de ocupação é de 88%.

Deucher, que também é coordenador das UTIs do Hospital Vita Batel, na Capital, afirma que o cenário é geral na região. “Os hospitais estão, sim, cheios, lotados. Tanto a Rede Pública quanto a Privada. Tivemos um aumento significativo da incidência da Covid-19.”

Não é diferente no Hospital Nossa Senhora das Graças, que desde domingo (22) não recebe mais pacientes graves devido à falta de leitos. “Informamos que estamos com nossa capacidade máxima de lotação em nossas unidades de internação e de terapia intensiva, em especial as unidades específicas para pacientes com Covid-19”, informa a nota no Facebook da instituição.

A situação é igual no Hospital Marcelino Champagnat, que não conta com leitos financiados pelo SUS, mas já conta com 100% de ocupação em toda a unidade. Todas as 33 vagas exclusivas para Covid-19 estão ocupadas. Em nota, o hospital informou que “registrou, na primeira quinzena de novembro, aumento de 44,5% de pacientes, na comparação com o mesmo período do mês anterior”. E completa: “Chama a atenção o crescimento dos pacientes com queixa de síndrome gripal com um aumento de aproximadamente 128% nesse mesmo período”.

Desta forma, a internação de pacientes com quadro mais grave fica cada vez mais complicada. “Ainda conseguimos encontrar leitos, mas já estamos em uma situação em que a internação não é imediata e, às vezes, precisamos até internar o paciente no pronto-socorro até conseguirmos um leito de UTI”, afirma Deucher.

Prevenir

A melhor forma de superar a alta recente no número de casos de coronavírus, segundo médicos e hospitais, é a prevenção. O reforço do “uso de máscaras em qualquer ambiente, respeito ao distanciamento social, higienização constante das mãos” é um dos pedidos da nota do Marcelino.

“Se vamos continuar com um alto número de casos ou vamos conseguir diminuir a infecção, vai depender da população ter consciência de que o vírus vai continuar a circular enquanto houver aglomerações e convívio social intenso”, completa Deucher. 

Nesta segunda-feira (23), foram 10 mortes pela doença e 1.339 mil novos casos somente na Capital. Neste momento, na cidade, 11.232 pessoas possuem o vírus ativo no organismo e apresentam risco de infectar outras .

Ainda assim, a Prefeitura de Curitiba anunciou o início das celebrações de Natal na cidade. O calendário festivo inclui evento diário no Jardim Botânico, que pode reunir até 1,1 mil pessoas de cada vez.

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