Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que trabalhadores negros da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) têm rendimento 39% menor que dos brancos. Os dados são baseados em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Conforme o Dieese, o rendimento médio por real habitual de pessoas brancas da RMC é R$ 4.609, enquanto o de pessoas negras é de R$ 2.805, uma variação de – 39,15%.
Por raça a taxa de desocupação da população da RMC está em 4,9 entre os brancos e 9,9 entre negros. Além disso, 34,1% dos trabalhadores informais são negros, enquanto 29,3% são brancos.
Ações
Na última semana a Comissão de Igualdade Racial da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realizou audiência pública para discutir inclusão de pessoas negras no mercado formal de trabalho.
O presidente da comissão é o deputado Renato Freitas (PT). A audiência contou com a presença de representantes da Federação do Comércio do Paraná, da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), além de membros dos bancos Caixa Econômica, Itaú e Banco do Brasil. Também participaram representantes do Fundo Baobá, o primeiro fundo exclusivo para promoção da equidade racial no Brasil.
“Nosso objetivo é equacionar e corrigir os principais problemas que envolvem a racialidade no mundo do trabalho. Isto é, dentro de uma mesma profissão, exercendo o mesmo ofício, as pessoas negras recebem menos do que as pessoas brancas. Dentre as profissões mais degradantes, informais, sem direito algum, a população negra é super-representada. Então, acreditamos que é hora de discutir políticas de afirmação para que a população negra consiga acessar cargos de chefia, decisão e gerência”, explicou o parlamentar.
De acordo com o deputado, ele apresentará um projeto de Lei voltado para reserva de vagas para população negra na estrutura estatal. Conforme o parlamentar as cotas seriam em torno de 30%, percentual de população negra no Estado.