Maioria dos pais é contra aulas presenciais no Positivo
14 out 2020 - 0h16

Maioria dos pais é contra aulas presenciais no Positivo

Prefeitura de Curitiba tem levantamento semelhante mas não divulga resultados

Mais da metade dos pais com filhos matriculados nos colégios do Grupo Positivo, um dos maiores de Curitiba, é contra a retomada das aulas presenciais neste momento. Pesquisa feita pela própria rede revela que 57,9% deles preferem que os filhos continuem em casa por ainda temerem os efeitos da pandemia do coronavírus. O levantamento foi realizado com cinco mil entrevistados na Capital e em outros cinco municípios paranaenses.

Em Curitiba – que também tem pesquisa semelhante na Rede Municipal, mas cujos resultados não foram divulgados –, o retorno das atividades extracurriculares será liberado em todas as escolas do Paraná a partir do dia 19 de outubro. A retomada foi definida em decreto do Executivo Estadual, publicado na última sexta-feira (9), e engloba aulas como reforço, educação física, artes e idiomas, tanto na Rede Pública quanto na Particular de Ensino.

Oito das 13 unidades do Colégio Positivo ficam em Curitiba onde, segundo o levantamento da instituição, há mais pais resistentes à volta às aulas em ritmo presencial. O grupo também tem sedes em Londrina, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Cascavel e Joinville (SC). Nestas duas últimas, os pais estão menos resistentes à retomada presencial, revela a pesquisa.

Apesar do índice de concordância com a retomadas das aulas variar em cada unidade, o diretor-geral do Colégio Positivo, Celso Hartmann, disse que a pesquisa revela uma situação comum em todas as escolas particulares brasileiras.

“Nenhum município está 100% convencido de que deve voltar. Os benefícios e malefícios causados pelas escolas fechadas ou abertas ainda não estão 100% claros. Se por um lado, o Brasil é o país que mais tempo deixou suas escolas fechadas, nações desenvolvidas que voltaram a receber seus alunos estão presenciando um crescimento no contágio”, afirma o diretor.

Mesmo com o retorno, nenhum aluno é obrigado a ir para a escola com a volta parcial às aulas. Pais ou estudantes que não se sintam seguros – sejam do grupo de risco ou convivam com alguém vulnerável à Covid-19; ou tenham suspeitas ou sintomas – deverão continuar na assistência remota.

O Colégio Positivo informou ter investido mais de R$ 50 milhões em reformas e melhorias para garantir o cumprimento dos protocolos de segurança determinados por autoridades sanitárias. O Grupo disse ainda que iniciou uma campanha de conscientização e informação à comunidade escolar sobre os novos procedimentos de entrada, saída, uso de máscaras, higienização das mãos, entre outras medidas contra a covid-19.

Rede Pública

O decreto que libera a retomada das atividades extracurriculares vale para todas as escolas do Paraná, públicas e privadas. Na Rede Estadual, o governo fará um “teste” nas cidades onde o risco de infecção é mais baixo.

A secretária municipal de Educação de Curitiba, Maria Sílvia Bacila, não disse quando as escolas municipais entrarão nessa etapa. Um decreto da Prefeitura suspende o retorno até 31 de outubro, mas os professores dizem que não há cenário conivente para volta breve na Capital.

Dados em processo

Assim como o Colégio Positivo, a Prefeitura também vem realizando pesquisa com pais de alunos para monitorar a intenção de volta às aulas na Rede Municipal. Contudo, mesmo com a solicitação do Plural, a Secretaria Municipal de Educação não compartilhou os resultados.

Em pedido feito pela Lei de Acesso à Informação (LAI) no começo de outubro, a pasta justificou que as “informações levantadas não são estáticas, possuem uma variabilidade constante” e que “a tabulação está em processo, portanto não temos dados conclusivos da pesquisa”.

A reportagem apurou, no entanto, que não se tratam de levantamentos independentes, uma vez que a intenção é “medida” mensalmente. Formulários foram aplicados em agosto e setembro, nos dias de entrega dos kits alimentação.

Na resposta via LAI, a própria Prefeitura reforça que a intenção é “subsidiar novas ações que sejam necessárias ao atendimento à comunidade escolar neste período de ensino remoto, e serve também de material de estudo e discussão do trabalho do Comitê de Estudo e Planejamento para retorno às aulas presenciais”.

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