Família acusa UPA por negligência em morte de jovem | Jornal Plural
28 jun 2019 - 0h26

Família acusa UPA por negligência em morte de jovem

Técnica de enfermagem tinha asma e sofreu morte encefálica

O recurso à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Sítio Cercado era frequente. Com crises de asma, a técnica de enfermagem Cassiara Fernanda da Costa, de 29 anos, precisava de atendimento com frequência. Mas naquela quinta (16/5) foi diferente. Após um desentendimento com a enfermagem e demora no atendimento, o quadro de saúde da jovem piorou. Ela teve complicações e acabou morrendo. A família acredita que houve negligência; denunciou o caso à polícia e acusa profissionais e UPA de não prestar os devidos atendimentos e esclarecimentos. O caso está sendo analisado pela Comissão de Avaliação Interna de Prontuário da Secretaria Municipal da Saúde, que não quis falar sobre o caso ao Plural.

De acordo com a família, Cassiara chegou a UPA por volta das 23h, acompanhada da irmã. Após atendimento médico, foi solicitada inalação. “Como ela não estava se sentindo bem, a médica mandou entrar direto e a enfermeira não gostou. Aí ficou discutindo com a gente e disse que não ia atender minha irmã. Tivemos que esperar um tempão. Aí mandaram eu sair. Pelas duas da manhã, eu escuto a Cassiara gritando socorro, dizendo que ia morrer. Foi aí que chamaram a médica e internaram pra emergência”, diz a irmã, Pamela Kukla.

“Três da manhã ela já estava entubada, com um avc e uma parada cardíaca e ninguém me falou nada; me mandaram embora. Deixei meu telefone lá. Ninguém me ligou. Meu pai foi lá no outro dia, no horário de visitas, e o médico disse que ela estava sedada e que ia fazer exames. Não falou dos problemas da madrugada”, assegura.

Pamela conta que a irmã foi então levada para o Hospital do Trabalhador, para um exame neurológico, e na volta acabou tendo nova parada cardíaca. “Nem falaram pra nós. Ninguém falou nada. Minha mãe só descobriu porque entrou direto na emergência e viu minha irmã tendo outra parada cardíaca; só então que fomos saber como ela realmente estava.”

Maria de Lourdes, a mãe: “Só um pouco de amor faria a diferença.”

No dia seguinte, Cassiara foi transferida para o Hospital Cruz Vermelha, onde permaneceu uma semana na UTI. Ele teve morte encefálica e faleceu em 23 de maio. As causas, segundo atestado de óbito, foram asma e pneumonia. “A gente quer saber por que o caso dela se agravou tão rápido? Por que em tão poucas horas ela teve um avc e uma parada cardíaca? Eu entreguei ela falando, andando”, lamenta a irmã.

A família realizou uma denúncia na Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde, que investiga o caso. Os respectivos conselhos de classe também foram acionados.

Questionada a respeito, a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba disse apenas que o caso está sendo analisado pela Comissão de Avaliação Interna de Prontuário e que “por questões de ética e sigilo médico, não é possível dar mais detalhes do caso”.

Cassiara tinha 29 anos e deixa três filhos

Cassiara deixa três filhos, de 3, 5 e 7 anos. “Minha filha sofreu muito pra fazer o curso de enfermagem dela; trabalhou muito e morreu na semana em que ia pegar o registro no Coren. A morte dela foi muito sofrida, não precisava ser assim. Só um pouco de amor faria a diferença. Poderia até não ter evitado a morte, mas não a teria feito sofrer tanto”, percebe a mãe, Maria de Lourdes da Costa Kukla.

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