Mulher. Negra, Feminista. Professora. Os adjetivos que seguem o nome de Carol Dartora (PT) não costumam estar associados ao estereótipo do vereador de Curitiba. E no entanto neste domingo (15), ela se transformou na terceira candidata mais votada para a Câmara e garantiu um lugar no Legislativo a partir de fevereiro.
Historiadora formada pelo UFPR em 2008, Carol milita há tempos no movimento negro e no feminismo. Depois, ao entrar para dar aulas na Rede Pública do Paraná, começou também a militar na APP-Sindicato, que representa os professores e trabalhadores de ensino do Estado. Hoje é diretora licenciada de Mulheres, Trabalhadoras e Direitos LGBTI.
Com mais de oito mil votos, Carol se tornou a primeira negra a se eleger para qualquer cargo público em mais de 300 anos de Curitiba - nunca houve vereadoras ou deputadas negras na cidade. A seu lado, terá mais um militante do movimento negro, o também petista Renato Freitas.
Ao contrário de outros negros que chegaram, à Câmara, Carol disse em entrevista por telefone ao Plural (a primeira concedida após o anúncio de sua eleição) que pretende guiar seu mandato pela questão racial. E, claro, também por suas outras bandeiras, como os direitos das mulheres e a defesa da Educação Pública.
"Acho uma pena quando um negro se elege e não se diz representante da pauta racial. Eu não posso deixar de ver o mundo pelo que eu sou, uma mulher negra e trabalhadora", afirma. Segundo ela, Curitiba tem de parar de tornar invisíveis seus negros. "Não podemos continuar com esse discurso de cidade europeia, há uma imensa população negra aqui", diz ela.
O discurso da nova vereadora passa pelo acesso à cidade - ou seja: o acesso às políticas públicas, ao transporte, à educação, à cultura. E também pela crítica ao modelo de Rafael Greca (DEM), prefeito reeleito neste domingo (15).