Mulheres são minoria entre candidatos de Curitiba | Jornal Plural
22 out 2020 - 20h39

Mulheres são minoria entre candidatos de Curitiba

Representatividade étnico-racial nas candidaturas do Legislativo aumentou, mas Prefeitura continuará branca

Com número recorde de candidatos na eleição municipal, Curitiba continua com sub-representação feminina: apenas 33% dos candidatos à Câmara de Vereadores são mulheres. A disputa para a Prefeitura apresenta números similares, com 38% como candidatas. Pelo principal cargo do Poder Executivo Municipal, todos os concorrentes são brancos.

O perfil da eleição municipal 2020 está diferente do pleito anterior em representatividade feminina. Em 2016, entre as candidaturas para prefeita e vice, elas não eram nem 10% dos candidatos.

No Poder Legislativo Municipal, a situação é similar à última eleição, quando 31% das vagas já eram disputadas por mulheres. Em 2016, oito vereadoras foram eleitas para a Câmara Municipal, um recorde histórico. Mas isso significou apenas 21% das 38 vagas da Casa.

Em uma análise comparativa com as características da população, a disparidade das candidaturas fica evidente: mulheres são 52% da sociedade de Curitiba, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fundo eleitoral

Ainda assim, as perspectivas podem ser positivas. Essa é a primeira disputa municipal em que as chamadas cotas para as mulheres com reserva do fundo eleitoral estão sendo colocadas em prática. O complemento de 30% dos recursos partidários para as candidaturas femininas, aprovado em 2018 pelo STF, é uma forma de garantir que a lei 9.100/95 seja colocada em prática e a representatividade feminina fique mais próxima.

A cientista política e diretora da Agência de Pesquisa Aplicada do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (DataIESP), Carolina de Paula, acredita que há avanços. “A lei poderá ser colocada em prática, finalmente. As mulheres terão mais chances, candidaturas mais competitivas, que finalmente terão recursos para resultarem em candidatas eleitas”, avalia.

Leis eleitorais podem ajudar a diminuir a desigualdade no Legislativo, mas não há as mesmas normas de paridade para verbas e candidaturas do Poder Executivo. No que diz respeito a prefeituras, a decisão é política. “Esses espaços estão ocupados basicamente por homens brancos e mais velhos. Eles decidem para quem vai o dinheiro e quem recebe mais atenção”, diz a cientista política.

Casos em que os dirigentes partidários não realizam o repasse de recursos para campanhas femininas já estão ocorrendo nesta eleição. Como o Plural já noticiou, as candidatas do PDT tiveram que se rebelar e exigir a verba para ter acesso ao dinheiro para ações eleitorais. Situação semelhante está ocorrendo entre candidatas do DEM e o diretório municipal do partido.

Nem prefeitas, nem prefeitos negros

Na disputa deste ano, há mais mulheres como candidatas a vice-prefeita do que ao cargo de prefeita. A diferença pode ser analisada como redução no poder decisório, já que vices não têm o mesmo poder de mudança política que os prefeitos.

Entre os candidatos à Prefeitura, todos os homens e mulheres são brancos. “Tem muito a ver em como a sociedade de Curitiba se vê. Afinal, a cidade nunca teve uma prefeita ou ainda um representante negro nesse cargo”, analisa a cientista.

E, por mais que a relação entre população e candidatos esteja próxima, o número total de candidatos étnico-raciais que divergem da etnia branca são poucos. Entre 1.183 candidatos à vereador, apenas 253 (21%) se declaram pretos ou pardos. Além disso, entre essas candidaturas, apenas 26% são mulheres negras.

Mudanças a longo prazo

Ainda assim, esta é a eleição na qual mais pessoas se declaram negras, amarelas ou indígenas. As novas cotas aprovadas para reservar 30% dos recursos e vagas para pessoas pretas e pardas têm um grande impacto no aumento dessas candidaturas. No entanto, a pressão social nas grandes cidades, principalmente nas Capitais, resulta em eleições mais diversas.

Segundo pesquisas de opinião pública, conduzidas pelo (DataIESP), um dos propulsores de mudanças na questão étnico-racial e de gênero na política brasileira são os jovens. A diversidade prática, assim, deve melhorar a longo prazo.

No caso das mulheres, elas ainda precisam superar desafios como as candidaturas laranja, nas quais são usadas apenas para receber verbas eleitorais para o partido. Candidatas que receberam poucos ou até nenhum voto.

“A gente espera pelo melhor. Assim como esperamos que a mudança a longo prazo realmente aconteça. Até lá, comemoramos que, ao menos, as coisas estão começando a mudar para as cidades”, acredita Carolina de Paula.

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