“Minha responsabilidade com o funcionalismo é dobrada”, diz Francischini | Jornal Plural
Clube Kotter
6 out 2020 - 15h23

“Minha responsabilidade com o funcionalismo é dobrada”, diz Francischini

Deputado estadual marcado pelo 29 de Abril diz que quer virar a página com candidatura a prefeito

O deputado Fernando Francischi (PSL) chega à eleição de 2020 tentando mudar de perfil. Durante sua entrevista ao Plural, disse que continua tendo os mesmos princípios ideológicos e apoiando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas apareceu com um discurso mais flexível, dizendo que amadureceu e que sabe que, caso queira ser prefeito, terá de ser mais inclusivo e conversar com pessoas que têm ideologias e experiências diferentes.

Uma das principais peças no 29 de Abril, o ex-secretário de Segurança de Beto Richa (PSDB) carregará para sempre as marcas daquele dia em que 213 pessoas foram feridas pela Polícia Militar em frente à Assembleia Legislativa. Mas agora ensaia inclusive uma tentativa de aproximação com o funcionalismo, dizendo que, pela marca que carrega, tem “o dobro de responsabilidade” de fazer algo pela categoria.

Francischini critica o atual prefeito, Rafael Greca (DEM), não apenas pela gestão do funcionalismo (diz que vai retomar os planos de cargos e salários congelados na atual gestão) como em diversos outros pontos, principalmente o transporte coletivo.

Em conversa com o jornalista Rogerio Galindo, Francischini falou sobre temas polêmicos de sua trajetória política e sobre sua candidatura a prefeito neste ano.

Veja outros trechos da entrevista:

Essa é a primeira vez que o senhor concorre a um cargo majoritário. Em 2018, o senhor quase concorreu e bateu na trave. Como vê essa mudança do Legislativo para o Executivo?

Acho que é um momento único para quem está exercendo um mandato parlamentar e tem vários projetos como eu tenho, que são mais de Poder Executivo do que do Legislativo. De mudança na área de segurança pública, de intervenção direta da vida das pessoas com a saúde, educação. O prefeito é um gestor da cidade e muitas vezes meus projetos de lei foram até determinado nível, mas não tinham impacto direto na população.

Então é a primeira vez que tenho possibilidade de disputar uma eleição majoritária, que reúno as condições necessárias. Tenho tempo de televisão, fundo partidário, candidatos a vereador de segmentos, é uma estruturação toda; as pessoas às vezes não enxergam que a eleição envolve uma série de componentes, que não é simplesmente a vontade de ser.

Envolve uma montagem de um plano de governo que seja exequível e eficiente para que depois você possa fazer uma administração. A montagem de uma bela equipe que tenha experiência. Curitiba é uma das maiores capitais do Brasil, precisa de uma equipe experiente. Não dá pra servir a cidade de cobaia para qualquer experimento. Hoje consigo reunir todos esses atributos, estou muito animado.

Depois de estar mais velho, aprendendo com erros e acertos, um novo Francischini, que tá mais velho. Talvez um pouco de cabelo branco ajude a gente a ouvir mais as diferenças, chegar a diálogos e consenso ali. Eu me vejo muito mais assim hoje do que anteriormente. Eu me posicionei muito firme no Congresso Nacional, tivesse que fazer os enfrentamentos ideologicamente, e também na questão do combate à corrupção; hoje já não me vejo mais em uma posição de enfrentamento.

Não há pautas ideológicas tão grandes em uma eleição municipal, agora estamos falando de uma pessoa estável, que possa ser líder e ouça as diferenças, que tenha bons projetos e que possa agrupar aqueles que pensam como ele e possa administrar aqueles que não pensam, para fazer com que eles também se sintam representados. Esse é um resumo mais humano do que eu penso hoje.

O senhor é o Francischini “paz e amor” hoje então?

Eu acho que é a idade… A gente sente que para administrar um país, um estado ou um município você tem que ter a estabilidade de saber ouvir os que pensam diferente, tem que tomar decisões que muitas vezes ideologicamente eram situações difíceis, mas tem que administrar para todo mundo. Um líder é aquele que, em um período de dificuldades como esse, segura a mão das pessoas, olha no horizonte, dá confiança nas decisões, toma decisões difíceis, muitas vezes que não são populares, mas cidadão se sente representado nessa pessoa.

Eu acho que não cabe hoje em grandes administrações pautas muito ideológicas, as pautas têm que ser cuidar da saúde, da segurança, da educação das pessoas. Claro nunca vou deixar o âmago de alguém que se vê como cristão, conservador nos costumes, mas não que eu não saiba respeitar, conviver e até trabalhar pelas diferenças das pessoas.

É isso que você quer dizer com paz e amor, alguém pela idade, maturidade de mais de dez anos do mandato parlamentar é alguém que tenha aprendido com seus acertos e muito com seus erros. Acho que a gente aprende mais errando do que acertando.

O presidente Bolsonaro não segue essa receita que o senhor está falando, ele busca o confronto o tempo inteiro. Como vê essa postura dele?

Eu sou um aliado do presidente Bolsonaro, assim como sou um aliado do governador Ratinho Jr, independente de quem ele esteja apoiando e eu vou continuar sendo, independente do resultado das eleições. Eu me identifico com princípios e valores que são a defesa da família, seja ela onde ela estiver e da forma como ela for; eu defendo a liberdade econômica, mas entendo que, no momento de pandemia e no desastre em que nós estamos, temos que ter a mão amiga e a presença do poder público com auxílio emergencial.

Essa não é uma pauta de direita; nesse momento, não há de se falar em liberdade econômica e assistir pessoas passando fome e desempregadas, pessoas que estão em um momento de desespero. Um aliado é aquele que defende os mesmos princípios e valores; um alienado é aquele que concorda com tudo que a pessoa faz, mesmo entendendo que em determinados momentos ela tava errada.

Eu cito um momento pra você, quando o presidente Bolsonaro falava da Polícia Federal, eu fui um dos maiores defensores da PEC que dava autonomia a Polícia Federal, e comuniquei vários amigos que estão junto lá (na Câmara Federal) com o Felipe Francischini, que eu continuo defendendo a mesma pauta. O presidente Bolsonaro acha que precisa ter um controle maior na administração pública. Então eu sou um aliado, não alienado.

Discordo sempre propositalmente, mostrando quais são as soluções, quais os meus posicionamentos. Era bonito eu jogar pra torcida, mas hipócrita. “Defendo tudo que o presidente Bolsonaro diz porque eu gostaria dos votos”. Acho que as pessoas que me escolherem têm que ver um líder, que toma as decisões para todas as pessoas.

Acho que essa é uma forma em que me sinto muito tranquilo, porque sinto uma verdade no que tô sendo. Não preciso ser a favor do Ratinho Jr como se ele fosse a coisa mais importante da minha vida; sacrificaria tudo como o prefeito Greca fez para obrigar o Eduardo Pimentel a sair do PSDB e ir para o PSD do Ratinho.

Eu me mantenho de uma forma ligado com o governador, sendo presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), em que eu vejo que se eu ganho a eleição eu terei apoio do Governo do Estado da mesma forma que ele teria. Com o presidente Bolsonaro também vou bater às portas e pedir ajuda. Acho que isso me dá uma verdade de não ser um alienado e ser um aliado, e isso me da tranquilidade de poder conversar tranquilo em qualquer tipo de entrevista ou debate.

O senhor falou de não concordar com todas as decisões do presidente e do governador. Qual sua posição em relação à gestão que o Bolsonaro teve sobre a pandemia do Coronavírus?

Veja, eu tenho duas posições em relação a isso. Não acho que é uma gripezinha, acho que é muito sério, muitas pessoas morreram e a gente tem que tomar atitudes que são, muitas vezes, impopulares pra defender a saúde; em cima de festas clandestinas, aglomerações. Mas eu acho que a Prefeitura, em parceria com a polícia, tem que ser orientativa e não intervencionista. A gente viu até uma ação mais agressiva em bares e restaurantes. A polícia serve para proteger as pessoas e quando ela está em parceria com a Prefeitura em uma ação integrada de fiscalização urbana, a fiscalização deve ser feita durante o dia e de uma maneira inicialmente orientativa.

Vê se é normal você deixar uma casa com alvará vencido abrir e ir com viaturas, com gente armada da polícia para dentro do estabelecimento? Não têm bandidos, têm jovens lá. Se você sabe que o alvará tá vencido, vai de dia lá e fecha a casa antes de abrir. Por que deixar correr o risco?

Agora à noite, a ação tem que agir em qualquer horário, de dia, de madrugada, quando for flagrante delito. Seja um grande crime ambiental, uma ação de volume ultrapassando os limites embaixo da casa do prefeito Rafael Greca – que tem mantido uma viatura da Guarda Municipal para cuidar da casa dele nos últimos dias. Eu acho que essa é a função do prefeito, que é mais um gestor de consenso do que de atritos.

Como o senhor imagina que a eleição pode ir para o segundo turno, contando que o senhor tem uma rejeição em função de episódios como o 29 de abril?

Eu sou Davi contra Golias; o Davi com uma pedra só e uma tiradeira botou Golias ao chão. Eu uso essa citação bíblica com muita verdade. Eu vejo o prefeito errando muito durante a pandemia, fechando estabelecimentos, causando um pandemônio na cidade porque ele não teve coragem de tomar as decisões nos momentos que precisava. Abriu cedo, fechou politicamente no momento do frio, fechou 37 postos de saúde, ajudou somente os seus amigos empresários de ônibus, ou seja, causou uma emoção e uma ruptura de desemprego fenomenal na cidade.

Não teve coragem, chamou a secretaria Marcia Huçulak e deu a administração de Curitiba na mão dela. Não chamou a sociedade para um diálogo na hora de tomar decisões e mudar de bandeiras, então, acho que tem um campo muito fértil para alguém que é posicionado e tem coragem de tomar as decisões. Eu vejo como uma candidatura muito forte. Nós vamos ver nas urnas quem tem a maior rejeição. Se você pegar qualquer pesquisa de qualquer instituto, você vai ver que nas pesquisas dos últimos seis meses, em nenhuma eu tenho maior rejeição que o prefeito Rafael Greca.

Nós temos pautas de passado, pautas ideológicas, muitas vezes situações que ocorreram fora do nosso controle. Eu acho que é um momento de enfrentá-las, é um momento como na última eleição em que eu fiz 427 mil votos, em que a grande discussão eram pautas ideológicas.

Eu tenho certeza que vou para o segundo turno, eu me sinto já no segundo turno; o prefeito com toda a força da Prefeitura, com a máquina que ele usa diariamente, ele conseguiu três minutos dos dez de TV. Eu, com uma parceria sem oferecer um cargo, uma secretaria, eu juntei dois dos dez minutos, ou seja, metade do tempo está polarizado entre eu e o prefeito Rafael Greca, a outra metade são outros com 40, 50 segundos.

Deputado, se o senhor for eleito será o prefeito também do funcionalismo público. O senhor tem uma marca muito grande com eles que é o 29 de abril. O que o senhor diria para o funcionário público sobre aquele episódio?

Infelizmente, houve confronto, milhares de professores que tinham o seu direito de manifestação; do outro lado policiais, vários casos de filhos policiais e mães professoras, não havia lado. Era o mesmo lado da sociedade cumprindo uma missão, como eu, Tribunal de Justiça que deu várias decisões impondo a presença da polícia naquele momento. O projeto que era do Governo do Estado, não era do Francischini, que era o secretário que estava cumprindo uma ordem judicial.

É um momento muito triste de se lembrar, que eu já lembrei muitas vezes, você sabe a história também, que minha sogra e vó eram diretoras de escola. A Flávia quando eu conheci era professora de Matemática, tinha pressão dentro da minha casa com tudo aquilo, então era um momento triste. Já falei que tentaria fazer tudo outra vez para evitar um confronto como aquele, tomaria todas as medidas, mas não foi possível.

Como eu disse, eu aprendi muito, talvez o maior ensinamento da minha vida foi em como evitar que aquilo aconteça novamente. Muito diálogo, conversa, coloca o projeto, tira, melhora, acho que esse é o Francischini amadurecido, que aprendeu com tudo que aconteceu na sua vida, quando chega o momento de amadurecimento é o momento de disputar essas eleições. Os calos que a vida te trouxe te dão uma verdade em que você aprendeu a lidar com esses problemas.

Eu tenho estudado uma coisa que acho que é muito importante, conversando com muitos professores municipais e estaduais, recebendo-os diariamente, fazendo essa virada de página, e eles querem ouvir de novo da minha boca essa história que eu tenho contado; o que eu passei, o que eles passaram, claro, muito pior pra eles, mas claro o principal. Eles têm feito comigo uma proposta de plano de governo, em como criar degraus na minha administração para flexibilizar o que o Greca fez.

Ele suspendeu tudo, ninguém tem direito a uma progressão, a juntar um mestrado e um doutorado. Até a meritocracia que a gente defende tanto acabou. Hoje o professor tá desanimado, ele não tá preparado para dar Ensino à Distância. Os da Educação Infantil estão em casa, reclusos, vendo as crianças que não voltam pra aula, indo para creches clandestinas.

É triste a situação da educação e na saúde pior, eles são heróis da linha de frente. Quando a gente tá em casa no final de semana evitando sair, eles não têm escolha, escala de serviço na boca do coronavírus. As doenças mentais, depressão e outras vão ser maciças.

Então, eu estou estudando e vou apresentar um plano de flexibilização conforme a economia for se recuperando, para não ser nada assim, discurso populista, hipócrita. Por exemplo, se a economia recuperar com o número x de degrau, terão progressões em determinados níveis. No segundo ano, recuperou então a gente vai mexer aqui e aqui. Assim, eles vão ter estabilidade e vão saber o que têm com o Francischini e o que eles já têm com o Greca.

Eu não vou dizer que vou acabar com a suspensão que o Greca fez, isso seria hipócrita e ia soar mentiroso, então, eu estou estudando, estamos bem avançados nesse estudo e nós queremos flexibilizar. Voltar o funcionário público a sentir que ele representa. Eu acho que tenho o dobro de responsabilidade do que os outros candidatos. Virar essa página não vai ser só contar história, vai ser agir, tomar decisões.

Eu tomei uma decisão que foi muito polêmica, deputados me procuraram, eu peguei todas as minhas emendas como deputado no ano passado e coloquei todas para reformas de escolas em Curitiba; são 12 escolas estaduais que estão sendo reformadas com emendas do meu gabinete. Então, acho que o virar a página vai ser cuidar bem daqueles profissionais, para entenderam que eu era mais um naquele campo de batalha.

Sobre mais assunto polêmico, saiu na imprensa no ano passado que verba do seu gabinete parlamentar foi para o “Novo Brasil Empreendimento”, uma empresa que acabou sendo pega com páginas de Fake News. O senhor repassou para eles R$ 24 mil do seu gabinete. Por quê?

Não foi R$ 24 mil em uma parcela só, que vai dar a impressão que eu estava comprando alguma coisa. Foi um trabalho de R$ 3 mil por mês em um ano de trabalho com um grupo dessa empresa que fazia um trabalho pra mim de edição, compartilhamento, trabalho nas minhas redes sociais. Era um valor baixo por mês e esse trabalho era em cima desses vídeos. Pra mim não foi feito nada de fake news, os vídeos eram meus, eu falando, então não era um contrato para campanha, foi muito antes da campanha eleitoral.

Eu estou muito tranquilo, não tenho nenhum processo aberto, todas as minhas certidões foram juntadas, nunca fui investigado nesse caso. E essa empresa foi citada, não vi denúncia e nem indiciamento contra ela. Eram jovens, eu gostava do trabalho deles, todas as publicações que vejo deles até hoje são polêmicas porque são muito ideológicas, eles defendem uma linha ideológica.

Deputado, um dos assuntos que vai estar mais em discussão com o próximo prefeito é a licitação do transporte coletivo. O que fazer em um caso como esse?

Eu vou abrir a licitação, em um edital que empresas do Brasil todo possam vir participar. Eu quero ter lotes com vários modais, um lote de administração de terminais, um lote do BRT para que a gente possa terminar as obras que faltam, algo em torno de R$ 300, R$ 400 milhões que faltam para terminar a linha verde, são três viadutos, cinco trincheiras e cinco passarelas.

Eu fui pessoalmente andar a Linha Verde com arquitetos que já conhecem os projetos, o BRT vai ter que sair do Terminal do Pinheirinho via linha verde, do Terminal do Santa Cândida via Atuba, para chegar na Carlos Gomes com agilidade, qualidade melhor, para as pessoas voltarem a usar o transporte.

O preço da tarifa tende a cair, hoje não dá para a URBS cobrar uma taxa de administração do contrato, o prefeito já tinha que ter revogado isso. Além de outros custos, o prefeito subiu 22% a tarifa do ônibus.

É um escândalo que ele fez o primeiro aumento, um aumento grande e depois os jornalistas da capital pegaram ele jantando no Graciosa Country Clube com o Gulin que é o dono das maiores empresas de Curitiba. Tem que ter um relacionamento altivo com os empresários para o prefeito dar um aumento como esse e jantar com o dono das empresas em um dos restaurantes mais chiques e mais bem frequentados pela nata da sociedade curitibana.

Eu tenho certeza que o prefeito tem uma relação promíscua com o setor do transporte coletivo. Eu quero trabalhar em um novo modelo de transporte que envolva na retirada da linha férrea, também vai ter um novo edital da linha férrea, da renovação de alguns. O Felipe Francischini, que é meu filho e deputado federal procurou o ministro Tarcísio para que o Governo Federal quando for fazer um novo edital da Linha Férrea, preveja os desvios dos trens de cargas da cidade.

Eu quero usar isso para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), elétrico, sem barulho, sem buzina, que possa cruzar a linha verde, que eu chamo de linha amarela. Dá para a gente fazer praticamente fazer um x da cidade, um com a linha verde e a amarela, uma com o VLT e BRT. No pátio da Estação Rodoviária Federal eu quero levantar onde era o pátio de cargas, um super terminal rodoviário, ferroviário, hub de integração de transporte modal e de bicicleta, ônibus menores para o centro, carros elétricos, porque dai a ideia é ser a maior estrutura da Prefeitura de Curitiba a ser construída ali.

Vai ser uma obra rápida? Não. Vai ser uma obra cara? Vai. Mas dai nós vamos ter que buscar parcerias internacionais de financiamento, mas eu vejo como um coração da cidade aquele pátio, dali vão sair todos os modais, porque ali cruza a linha verde, bem próximo, cruza a linha amarela também na proximidade com o trilho.

O Centro da cidade será abastecido com esse transporte, do patinete a bicicleta até o carro elétrico. É uma visão de futuro que esses técnicos que ajudaram em outras administrações e estão me ajudando a construir esse plano de governo, que vai ter obras.

Eu sempre pergunto, me cite uma obra estratégica de Rafael Greca nos últimos quatro anos? todo mundo só me fala asfalto, asfalto, asfalto. O que ele fez foi pegar o dinheiro que o ex-governador Beto Richa fez pra ele e faz até hoje. Ele usa a estrutura política que o elegeu.

O senhor vai enfrentar um outro problema se eleito, que é a crise hídrica. O senhor tem propostas na área do meio ambiente, na área de gestão de recursos hídricos para mitigar esse problema? Quais seriam?

Primeiro, o prefeito falhou de novo. Eu andei conversando com técnicos, um grande pensador dessa área de recursos hídricos e ele me falava “cadê o prefeito?” para liderar a cidade nessas campanhas de racionamento, de uso racional, agora que ta em uma situação de emergência aparecem as propagandas, mas as propagandas do Rafael Greca foram de asfalto. E a campanha de racionamento de água? E a liderança do prefeito?

Eu estou planejando o plano de contenção a Sanepar, que á empresa ainda contratada, em poucos anos vai ter a nova também em Curitiba, vamos ter também em alguns anos uma renovação na questão do saneamento e da água.

Teremos que ter grandes campanhas de racionamento antes de faltar água na torneira das pessoas e uma parceira em obras e ações da Prefeitura, podendo ser financeiras, para aumentar a capacidade de água dos reservatórios.

Além do senhor, o seu filho é deputado federal e a sua esposa é candidata. O senhor não diria que essa é uma prática que pode irritar o seu eleitor?

Veja, o Felipe faz um dos melhores trabalhos que um deputado federal fez pelo Paraná. Para mim é um orgulho muito grande ver que ele conduziu a tramitação da Reforma Tributária que agora está na Comissão Especial, isso vai tirar o peso do empresariado, vai gerar empregos e melhorar a renda das pessoas.

A Reforma da Previdência, quantos iam perder a sua aposentadoria com o ritmo da divida pública? Quantos tentaram aprovar essa reforma? Um menino como ele nos seus 20 e poucos anos de idade foi quem fez esse trabalho. O Felipe e a Flavia se orgulham do meu trabalho e eu tenho respeitado essa vontade deles de serem candidatos e colocado a disposição da urna.

Tem uma história que o senhor, Goura e os candidatos mais a esquerda têm um pacto de não agressão nesse primeiro turno? Como é isso?

Não é um pacto de não agressão, eu e o Goura nos damos superbem, trabalhamos juntos na Assembleia Legislativa e tenho falado com ele a mesma coisa que tenho falado com você. Nós pensamos diferente na questão de defesa da família, discordamos na questão do tamanho do Estado, eu penso mais em uma questão de apoio a liberdade econômica e iniciativa privada, ele tem uma posição mais estatizante, de um fortalecimento dos órgãos públicos.

Mas isso não nos impede de ter pautas comuns, que são o combate a corrupção, a questão ética, a questão de ser boa pessoa, de bom relacionamento, alguém que é fácil de discordar de pensamentos mas não ser inimigo, ter adversidades em uma eleição, mas não ser inimigos. A conversa foi mais nesse sentido e tem sido com vários outros candidatos. Muito do que a gente escuta nos bastidores são mais fofoca do que realidade.

A maioria dos candidatos que não são o prefeito Rafael Greca tem um caso em comum de não concordar com a atual administração, então essa é a chance verdadeira desses candidatos que disputam com ele. Aquele que for melhor e tiver um bom relacionamento com os outros vai agregar quase todos no segundo turno.

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3 comentários sobre ““Minha responsabilidade com o funcionalismo é dobrada”, diz Francischini

  1. Inimigo número um do funcionalismo público.
    Foi quem autorizou o bombardeio nos professores.
    Funcionário público que votar nesse candidato está comprando o passe para o próprio suicídio profissional.

  2. Não adianta esse papinho mole agora! Fez a proteção para que fossemos roubados pelo governo Richa, foi conivente, nossa previdência se foi. Não esqueceremos.
    ,

  3. Ele realmente falou: “A polícia serve para proteger as pessoas”. Claro que somente se essas pessoal estiverem do lado dele e não do lado de fora batalhando pelos seus direitos. Nunca vamos esquecer o 29 de abril, quando essa mesma polícia, coordenada por esse senhor, feriu mais de 200 professores e alunos!!!

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