Filme “Quarto vazio” habitava a cabeça de Julia Vidal há muito tempo

Com roteiro que passa por memórias e subjetividades, assinado por Julia em parceria com Lígia Teixeira, o curta-metragem estreia no Olhar de Cinema

“’Quarto Vazio’ surgiu a partir de uma imagem que não saía da minha mente”, diz a diretora Julia Vidal, “uma mulher acordando encharcada na cama, como se estivesse se afogando.” O curta-metragem é o primeiro projeto autoral da cineasta para o público adulto e, no roteiro desenvolvido em parceria com Lígia Teixeira, estão sensações, memórias e subjetividades da dupla. A estreia nas telas acontece na Mostra Mirada Paranaense do 13º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, com sessões no dia 15 de junho, sábado, às 14h, no Cinemark Mueller; e no dia 18 de junho, terça-feira, às 18h30, no Cine Passeio Luz.

“Quarto vazio” (Dir. Julia Vidal | Brasil | 2024 | 19’)

No enredo, a personagem Paula não consegue superar um trauma que a paralisa, mesmo sendo amparada, inclusive por seu marido, com quem compartilha um luto. Encarar o que restou, neste caso, é lidar com uma possibilidade que deixou de existir. 

Julia Vidal

A curitibana Julia Vidal é formada em cinema pela Faculdade de Artes do Paraná (Unespar), mestre em Linguagem e Tecnologia pela UTFPR, e trabalha como roteirista e diretora. Na entrevista a seguir, ela fala sobre seu filme, algumas referências e do papel do cinema em sua vida. Confira.

Qual a lembrança mais afetiva do cinema em sua vida?

Ir ao cinema na infância, com meus pais. Entre os filmes que me tornaram uma apaixonada pelo ritual de ir ao cinema, desde pequena, “A Viagem de Chihiro” foi um dos mais marcantes. 

Quando e por que você decidiu ser cineasta?

A decisão de fazer cinema foi impulsiva. Na época, eu estava muito envolvida com o teatro e pensava em ser atriz. Quando fui fazer a inscrição no vestibular da FAP, descobri a existência do curso de Cinema e pensei: é uma área sobre a qual gostaria de aprender. Naquele momento, eu ainda não sabia que iria me apaixonar pelo roteiro e depois pela direção.

Como nasceu a ideia para o seu curta-metragem selecionado para a Mostra Mirada Paranaense? Em seu filme, o que deve ter chamado a atenção da curadoria do Olhar de Cinema?

“Quarto vazio” surgiu a partir de uma imagem que não saía da minha mente: uma mulher acordando encharcada na cama, como se estivesse se afogando. Inicialmente, isso era tudo que eu sabia sobre o filme: que essa personagem teria uma relação muito forte com a água. Quando eu contei essa ideia para a Lígia Teixeira, começamos a pensar em possíveis histórias. Escrevemos o roteiro juntas, colocando muito de nossas sensações, memórias e subjetividades. Eu não sei exatamente as razões que levaram à escolha do filme pelo Olhar de Cinema, mas gosto de pensar que alguém tenha sentido essa conexão também, especialmente em uma obra que se apoia tanto na subjetividade e no que não é dito.

“Quarto vazio” é o seu primeiro trabalho no cinema?

Este é o meu segundo curta-metragem, após terminar a faculdade, como roteirista e diretora. O primeiro foi “Sobre Amizade e Bicicletas”, que estreou no Olhar de Cinema em 2022 e desde então continua viajando por diversos festivais. Eu também trabalhei como roteirista das séries infantis “A Caverna de Petra” e “Manual de Sobrevivência da Literatura Brasileira”. Este é meu primeiro projeto autoral que não é infantil.

Quais são suas principais referências no cinema? Essas influências podem ser reconhecidas no curta-metragem em exibição no festival?

Para mim, sempre é muito difícil falar de referências. Eu sinto que há filmes e cineastas que admiro muito, mas que não necessariamente são referências para as minhas obras. Cada filme e cada processo acaba tendo uma linguagem muito própria, então as referências surgem principalmente no diálogo com integrantes da equipe, quando tentamos descobrir como comunicar nossas intenções e aonde queremos chegar. Para “Quarto vazio”, procuramos filmes com protagonistas mulheres em que, ao menos em uma cena, o elemento da água fizesse parte da externalização de seus sentimentos. Entre eles, “A Liberdade é Azul” (1993) do Krzysztof Kieslowski e “Hanezu” (2011) da Naomi Kawase. 

Além de “Quarto vazio”, o que você indica para o público assistir no Olhar de Cinema? 

Eu recomendo separar um tempo para o acaso. O Olhar de Cinema é um festival que possui uma grande diversidade de filmes, é a chance de ser surpreendido por obras que você não assistiria em nenhum outro lugar. Gosto sempre de acompanhar os outros curtas da Mirada Paranaense, para saber o que tem sido feito no cenário regional e prestigiar o trabalho dos colegas de profissão.

Leia também: Olhar de Cinema: Tudo o que você precisa saber sobre a Mirada Paranaense

13º Olhar de Cinema – De 12 a 20 de junho

A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba exibe produções para as crianças, estreias nacionais e internacionais, obras de cineastas paranaenses e filmes clássicos, no Cine Passeio (R. Riachuelo, 410 – Centro); Cinemark Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127, Centro) e no Teatro da Vila (R. Davi Xavier da Silva, 451, Cidade Industrial de Curitiba). A exibição especial de abertura é dia 12 de junho, na Ópera de Arame (R. João Gava, 920, bairro Abranches).

Os ingressos estão à venda no site oficial do evento com valores a partir de R$8 (meia-entrada). Todas as sessões no Teatro da Vila são gratuitas.

Os curtas-metragens brasileiros em exibição no festival também poderão ser assistidos gratuitamente, de 18 de junho a 7 de julho, na plataforma de streaming Itaú Cultural Play.

Programação completa e outras informações aqui, e também nas redes sociais oficiais do evento: Instagram @olhardecinema e Facebook.com.br/Olhardecinema. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição.

A 13ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba é realizada por meio do programa de apoio e incentivo à cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, sendo também o projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Lei Paulo Gustavo, e pelo Ministério da Cultura – Governo Federal, com patrocínio do Itaú e Peróxidos do Brasil, apoio do Instituto de Oncologia do Paraná, Sanepar, Cimento Itambé, Favretto Mídia Exterior, e apoio cultural de Projeto Paradiso, Cine Passeio, Instituto Curitiba de Arte e Cultura. Verifique a classificação indicativa de cada filme e sessões com acessibilidade de audiodescrição. A produção é da Grafo Audiovisual.

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