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Jornalistas se unem para retomar ONG de direitos das crianças

Escrito por Mauren Luc
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Ciranda tem foco na Educomunicação. Almoço, neste sábado, arrecada fundos para a instituição

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O direito de crianças e adolescentes sempre foi a visão principal da Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência, instituição sem fins lucrativos criada em Curitiba, em 1998, por um grupo de jornalistas. A Educomunicação foi o instrumento utilizado por elas. Com representatividade em todo Estado, a Ciranda era um braço da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) no Paraná.

A entidade, que chegou a ter dezenas de colaboradores e projetos em andamento, passa, desde 2011, por uma crise financeira. Para tentar retomar os trabalhos, um grupo de jornalistas se une e promove, neste sábado, um almoço especial. Com o tema ‘Criança de Novo’, a ideia do encontro é despertar a criança adormecida dentro de cada adulto e trazer novos voluntários para a ONG.

Com o foco voltado aos menores, a Ciranda se destacou por projetos em escolas e centros socioeducativos, especialmente na Capital e em Paranaguá, onde desenvolveu o ‘Navegando nos Direitos’, trabalho voltado a crianças e adolescentes vulneráveis à exploração sexual na região portuária. “A Ciranda também desenvolveu uma série de pesquisas e cursos, inclusive para a mídia. Ajudou a mudar a visão da infância na imprensa do Paraná, sugerindo muitas pautas positivas, mostrando trabalhos de outras ONGs para ajudar estas crianças em situação de vulnerabilidade”, lembra o jornalista Elson Faxina.

“Trabalhava em redação e a Ciranda fez uma série de atividades bem intensas para capacitar os jornalistas a tratar da infância e da adolescência de acordo com o que dispunha o Estatuto da Criança e do Adolescente, pois a entidade foi criada naquela época, de consolidação do ECA, na qual havia uma preocupação em mudar o tratamento da mídia a este respeito”, destaca a também jornalista e professora universitária, Elza Oliveira Filha.

Em 2011, uma crise financeira começou a dificultar a realização dos trabalhos. “A crise coincidiu muito com a crise dos próprios governos. Governos de centro-direita, que não têm muita visão de apoio aos movimentos e instituições sociais como forma de ajudar na conscientização e transformação da sociedade. Então começa a haver mais cobranças e empecilhos para conseguir recursos”, analisa Faxina.

Em 2014, assumiu o último presidente da Ciranda, o também jornalista e professor universitário Hendryo André. Ele conheceu a entidade quando estagiário e trouxe consigo a força do idealismo. Sua gestão terminou oficialmente em 2016. “Como não havia ninguém para me substituir, eu fiquei, mas não temos uma diretoria, tocamos informalmente em algumas pessoas.”

Ele conta que os trabalhos, hoje, se resumem a alguns projetos de Educomunicação que ele desenvolve com seus alunos de Jornalismo do curso Positivo. “Mas as demais atividades estão paradas. Pago o aluguel da sala, onde deixamos os documentos, do meu bolso. Temos ainda dívidas trabalhistas que não foram sanadas e nenhum parceiro institucional”, revela.

Para ajudar nas despesas mensais, que somam aproximadamente R$ 2 mil, amigos jornalistas decidiram se unir. “Temos um grupo de voluntários que ajuda a gente a pagar essa conta. Algumas pessoas historicamente ligadas à Ciranda. Quase todos jornalistas”, conta Hendryo, lembrando que a ideia é reativar a rede de voluntários que se interessam pela temática da infância e adolescência e que estejam interessados em apoiar os projetos da entidade.

“Tenho uma admiração imensa pela hombridade, pela estatura emocional e cívica com que o Hendryo tem conduzido tudo isso. Estamos mantendo a Ciranda por aparelhos mas acreditamos que ela possa voltar a atuar, pois tem uma bela história”, recorda José Carlos, jornalista, professor e integrante do grupo de apoiadores da ONG.

“Há a expectativa de reerguê-la. A Ciranda merece ter os trabalhos retomados”, completa Elza, também apoiadora.
“Este evento de sábado é um pedido para todos os que acreditam nos movimentos sociais, acreditam na sociedade civil como forma de transformação, para que possam comparecer. Vai ser um evento muito bacana. Queremos trazer a Ciranda de volta, fazer com que ela reencontre seu caminho pois o Brasil precisa da Ciranda e o Paraná também. Faz falta uma Ciranda novamente organizada e muito atuante neste contexto em que vivemos”, conclui Faxina.

SERVIÇO:
Almoço Criança de Novo
Data: 13 de abril
Local: Restaurante Dom Antônio
Horário: 11h
Mais informações, clique aqui.
Ingressos podem ser comprados aqui.

Sobre o autor

Mauren Luc

Mauren Luc é jornalista, especialista em Educação e Valores Humanos. Com atuações em reportagem, produção e edição de conteúdo, colaborou com diferentes veículos, redações e assessorias de Comunicação. Presidiu o Grupo de Apoio à Adoção Romã e integrou a direção do Sindijor-PR.

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