Teu carro começou a apresentar problema depois de passar no posto? Te deixou na mão no meio da rua? O motor foi pro espaço bem antes do que você imaginava que aconteceria. Olha só, você pode ter sido vítima do PCC.
A megaoperação da Polícia Federal com as polícias estaduais nesta quinta (28) deixa oficial o que todo mundo já sabia. O Primeiro Comando da Capital, essa facção criminosa que se tornou uma multinacional com diversos ramos de atuação, é dono hoje de parte importante do setor de combustíveis no Brasil.
Não é só que eles têm postos de gasolina, controlados por seus membros. Fosse só isso, e eles já poderiam adulterar os combustíveis para aumentar o lucro - e desviar o dinheiro para sustentar seus negócios clandestinos. Isso, todo mundo já sabia que acontecia. Mas há mais, muito mais.
A fraude começa, aparentemente, aqui ao lado, no Porto de Paranaguá, por onde entram os combustíveis - é esse um dos endereços em que a PF está atuando nesta quinta, naquela que foi denominada como a maior operação contra o crime organizada já feita no país.

Depois dos postos, o PCC também começou a usar o setor financeiro, montando fintechs para lavar o dinheiro e trabalhar sem deixar rastros - lembre disso quando alguém for contra a regulamentação desse tipo de empresa.
Hoje, segundo especialistas ouvidos pela Folha, é difícil que alguém, dependendo da região do país, consiga atuar no ramo de combustíveis e fazer tudo de acordo com a lei. Além de tudo, é evidente que os criminosos atuam para transformar a atividade num cartel e regular preços - não que isso não acontecesse antes.
A operação desta quinta pode começar a virar esse jogo. No entanto, enquanto as fronteiras não forem mais protegidas, enquanto os presídios forem a bagunça que são, enquanto não houver uma fiscalização mais séria das fintechs, tudo isso poderá acontecer.
E quem paga é você, com o combustível mais caro e que corrói por dentro o teu carro. Sem contar que, com essa grana, estamos financiando o tráfico de drogas, de armas e todo tipo de crime Brasil afora.
