Um vídeo gravado por câmeras de segurança em Ponta Grossa, nas imediações do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) mostra funcionários da Clinicão, empresa responsável pelo gereanciamento, soltando animais na rua após o atendimento. As imagens causaram polêmica na cidade.
A Clinicão foi vencedora de um pregão para atender animais na cidade. O valor inicial a ser licitado era de R$ 32 milhões e o valor contratado fechou em R$ 22 milhões. O contrato, todavia, foi alvo da Comissão Especial de Investigação (CEI) na Câmara de Ponta Grossa devido a supostos direcionamentos e colocou a empresa sob holofotes da oposição.
Para o vereador Guilherme Mazer (PT), o abandono dos animais é problemático não só pelo desrespeito aos pets, mas por dificultar a fiscalização dos procedimentos já feitos.
“Isso aqui é a cara do governo Elizabeth (Elizabeth Schmidt , prefeita da cidade, do União Brasil), um abandono. A gente não consegue fiscalizar, ainda bem que tinha câmera gravando”, criticou.
A empresa, por sua vez, se defendeu dizendo “os animais receberam assistência veterinária completa, incluindo tratamento clínico emergencial, medicação, castração e vacinação”.
A nota continua explicando que “a devolução de animais ao local de origem não caracteriza abandono. Trata-se do procedimento CED (Captura, Esterilização e Devolução), estratégia ética e reconhecida internacionalmente para o manejo populacional de animais comunitários, que prevê castração, vacinação e posterior retorno após recuperação segura”.

Porém, a vereadora Teka dos Animais (União Brasil) foi ao local onde os cães foram deixados e constatou que eles não viviam por lá antes do atendimento da clínica. “Diante da gravidade da situação, estivemos no local, conversamos com moradores e recebemos a informação de que os animais não pertencem àquela região. Segundo o protocolo, após o procedimento e o período adequado de recuperação, os animais devem ser devolvidos ao mesmo local de onde foram retirados, garantindo segurança e acompanhamento”, disse a parlamentar.
Os animais foram atendidos no dia 20 de fevereiro e a soltura ocorreu no dia 5 de março. A empresa alega que apesar da superlotação, os cães ficaram mais tempo que o previsto internados para garantir a segurança.
“O CRAR opera atualmente próximo de sua capacidade máxima (80 vagas), o que exige gestão responsável das vagas para priorizar casos críticos e animais impossibilitados de retorno, além da realização de eventos de adoção”.
A prefeitura de Ponta Grossa, por sua vez, mencionou que atua “estritamente nos termos da Lei” e que, nestas situações é de praxe devolver os animais aos locais onde habitualmente circulam.
