Em uma Foz do Iguaçu que deu 60,96% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro (PL) para presidente no primeiro turno, Yasmin Hachem (PT) foi eleita deputada estadual com 43.343 votos. Vereadora em seu segundo mandato, ela deixa a Câmara Municipal para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Aos 30 anos, Yasmin será a deputada mais jovem da próxima legislatura da Alep. O resultado repete um marco alcançado no início de sua trajetória eleitoral. Em 2020, aos 24 anos, tornou-se a vereadora mais jovem da história de Foz do Iguaçu.
A eleição para a Alep é a terceira vitória consecutiva de Yasmin e a primeira pelo PT. Eleita vereadora pelo MDB em 2020 e reeleita pelo PV em 2024, ela ingressou no PT em março deste ano. A disputa de 2026 foi também sua primeira candidatura fora de uma eleição municipal.
Dos 43.343 votos recebidos por Yasmin, 9.389 foram registrados em Foz e 33.954 nos demais municípios. Com isso, 78,3% de sua votação veio de fora da cidade. Segundo a deputada eleita, sua candidatura recebeu votos em 397 dos 399 municípios paranaenses.
“Acredito que a força das redes sociais me ajudou a chegar. E a profundidade e a potência do nosso projeto conquistaram as pessoas e fizeram com que elas quisessem fazer parte de um projeto e de uma sociedade em que acreditam”, destacou ao Plural.
Primeira mulher de Foz desde 2014
Yasmin será a primeira mulher de Foz eleita para a Assembleia desde Cláudia Pereira, em 2014. A chegada ocorre em uma legislatura na qual a presença feminina diminuirá: serão nove mulheres entre os 54 deputados estaduais a partir de 2027, contra dez atualmente.
“Considero uma responsabilidade enorme representar as mulheres paranaenses na Assembleia Legislativa do Paraná, especialmente em uma legislatura que, infelizmente, terá ainda menos presença das mulheres”, afirmou.
Saúde da fronteira
Para o primeiro mandato estadual, Yasmin aponta a saúde como uma das prioridades e defende maior participação do Estado no financiamento dos serviços de Foz e dos demais municípios da faixa de fronteira.
“Quando o Estado não considera essa realidade, quem acaba absorvendo a demanda e os custos é o município de Foz do Iguaçu, sobrecarregando o sistema de saúde e o orçamento municipal”, pontua.
Yasmin defende ainda articulação com o governo federal para uma política nacional voltada às cidades de fronteira.
Na próxima legislatura, ela dividirá a representação de Foz na Alep com Matheus Vermelho (PL) e Paulo Mac Donald (PP), ex-pô prefeito. A cidade passará de um para três deputados estaduais. Para além do debate ideológico, Yasmin aponta a saúde como uma das pautas em que os três poderão atuar conjuntamente.
“Precisamos ter diálogo, disposição para construir soluções coletivas e capacidade de articular com diferentes setores e governos, mas é claro sem abrir mão das nossas posições, dos nossos princípios e daquilo em que acreditamos”, finaliza.