O orçamento participativo era para ser uma ferramenta para permitir que a população decidisse as prioridades nos investimentos feitos pelo município. Em Curitiba, essa participação é feita através do Fala Curitiba, quando a população de cada regional apresenta projetos e vota para escolher o que vai para o orçamento do município.
Em cinco escolas municipais, os estudantes, profissionais de educação e famílias fizeram a lição de casa direitinho: apresentaram projetos relevantes, mobilizaram a comunidade e conseguiram os votos para colocar suas ideias no orçamento de Curitiba.
O resultado? A Prefeitura ignorou o direito dessas comunidades de verem seus projetos concretizados. Na Escola Municipal Jardim Santo Inácio desde 2020 a comunidade está mobilizada pela construção de uma quadra coberta na unidade. O projeto foi aprovado no Fala Curitiba de 2021, mas continua parado.
A construção de quadras cobertas é essencial para a manutenção das aulas de Educação Física no período de chuvas. Além disso, as escolas têm espaço coberto externo limitado, o que limita também as atividades externas e o recreio das crianças quando chove, o que ocorre em cerca de 120 a 180 dias por ano.
Em 2023 a prefeitura construiu uma quadra coberta na Escola Municipal Madre Maria dos Anjos, no Novo Mundo, por R$ 669 mil. Na Raul Gelbeck a quadra custou R$ 599 mil em 2023.
Enquanto a prefeitura deixa para depois as quadras das escolas, a Secretaria Municipal de Educação gastou R$ 4,5 milhões com a plataforma de leitura Elefante Letrado, que continha livros com problemas de grafia e exigia das família uma conexão de internet em casa.

As escolas Colônia Augusta, Lina Maria Martins Moreira, Campo Mourão e Erasmo Pilotto também aguardam seus projetos aprovados saírem do papel. Na Campo Mourão, a prefeitura organizou uma reunião na última segunda, dia 30 de junho, com a Associação de Pais e Professores e o Conselho da escola para apresentar um projeto de quadra depois que o Plural noticiou o atraso na execução da obra.
O novo projeto prevê a construção da quadra no espaço que hoje abriga plantas, árvores e um parquinho, acabando quase totalmente com a área verde da unidade. Isso seria uma alternativa à construção no local que hoje já há uma quadra sem cobertura. A proposta irritou pais e professores.
Na Colônia Augusta, a prefeitura diz ter iniciado o processo licitatório e promete entregar a obra ainda em 2025. A quadra entrou na Lei Orçamentária de 2023, mas ainda não virou realidade. Na Escola Lina Maria Martins Moreira, o problema seria um processo judicial movido pelo Condomínio Residencial Veredas Barigui contra a prefeitura de Curitiba.
Já a quadra coberta da Escola Municipal Erasmo Pilotto, no Boa Vista, nem virou projeto ainda. O projeto foi aprovado em 2024 e está na Lei Orçamentária de 2025, mas não houve até o momento nenhum movimentação para concretizá-lo.