Uma monografia intitulada “Comunicação para todos: estudo da acessibilidade digital nos principais sites jornalísticos de Curitiba”, da estudante de jornalismo da PUCPR, Beatriz Mangili, aponta o Plural como a página mais acessível da cidade. O trabalho foi defendido em junho deste ano e obteve nota máxima.
Segundo Beatriz, a escolha do tema acessibilidade partiu de uma particularidade: ela tem uma prima que é surda e ambas enfrentavam muita dificuldade na comunicação. “Eu lembro que eu postei um vídeo e coloquei legenda e ela agradeceu muito. Isso parece uma coisa simples para quem não tem deficiência, mas ajuda muito. E a partir disso, eu perguntei: como está o jornalismo? Porque a gente acha que é um número pequeno, mas são 18,6 milhões de pessoas que apresentam alguma deficiência no Brasil”, conta.
O estudo, orientado pelo jornalista Renan Colombo, doutor em Ciências da Informação/Comunicação pela Universidade Fernando Pessoa (UFP) e a análise versou sobre dez sites jornalísticos de Curitiba, incluindo o Plural.
“A ideia foi escolher um método que permitisse analisar com objetividade quais eram os portais mais acessíveis e quais estavam mais adequados. A gente ficou bem feliz com o resultado, que foi bem objetivo e permitiu enxergar quais são as funcionalidades presentes e ausentes dos principais portais de notícias da cidade”, explica o docente.
Além disso, o trabalho também se baseou em 20 critérios da Associação Brasileira de Jornalismo Digital (AJOR), da qual o Plural é membro fundador. A estudante fez uma intersecção com as metodologias para chegar ao resultado, averiguando, entre outros: redimensionamento de texto, conteúdo não textual, legenda, autodescrição, características sensoriais, espaçamento texto, contraste não textual, etc.
Com base nisso e em uma escala de 0 a 10, o Plural teve nota 9,6. “O site do Plural Curitiba apresentou conformidade com os 19 critérios analisados da WCAG 2.1, sem prejuízos significativos que comprometesse o atendimento às diretrizes de acessibilidade. No entanto, foi identificada uma falha no critério 2.4.3 – Ordem do Foco, pois não foi possível percorrer toda a página utilizando apenas a tecla TAB. Essa limitação compromete a navegação por teclado e prejudica a característica de interatividade apontada por Canavilhas como essencial ao jornalismo digital.
Porém, observa-se uma boa organização da página, que proporciona uma leitura fluida e contínua, sem interferências que possam dificultar a compreensão do usuário. Os locais de interação, como botões e links, estão claramente identificados, facilitando a navegação, especialmente para usuários que utilizam tecnologias assistivas. Importante destacar que o conteúdo não se restringe apenas a textos, mas conta também com imagens e desenhos, reforçando o critério 1.1.1 da WCAG. 2.1, que trata da apresentação de conteúdo não apenas textual, proporcionando múltiplas formas de acesso à informação”, diz um trecho do estudo.
Para o orientador da estudante, o professor Renan Colombo, o resultado do estudo demonstra a necessidade de o jornalismo ser mais acessível para pessoas que têm algum tipo de deficiência. “É um trabalho muito sensível, que mostra a necessidade de o jornalismo ser inclusive, de o jornalismo se adaptar aos diferentes públicos e isso inclusive em um contexto de jornalismo local. Não à toa ela recebeu a nota máxima e não só isso, mas a oportunidade que ela traz para os portais se atualizem porque todas as pessoas têm direito à informação”.
O trabalho de conclusão de curso está disponível para consulta aqui.