A aquisição do livro “Aparelho Sexual e Cia. – Um Guia Inusitado para Crianças Descoladas” pela Prefeitura de Mandaguari acabou tomando proporções que ultrapassaram os muros da administração municipal. A inclusão do título em um processo licitatório virou pauta de embate público nas redes sociais e expôs o cenário de alianças eleitorais no Paraná, no mesmo período em que a gestão local confirmou o cancelamento da compra e travou o certame para auditoria.
A polêmica ganhou visibilidade após a publicação de um vídeo gravado por João Bettega, candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Na gravação, Bettega apontou o item no edital da prefeitura e fez severas críticas à obra da autora francesa Hélène Bruller. Durante o pronunciamento, o candidato também trouxe o ingrediente político ao citar nominalmente o apoio público da prefeita Ivonéia Furtado à candidatura de Sandro Alex (PSD) na corrida eleitoral.
A resposta da prefeita veio em seguida, em um vídeo no qual rebateu as declarações do candidato do PL e prestou esclarecimentos à população. No pronunciamento, Ivonéia reforçou as explicações aos moradores e confirmou o cancelamento da compra dos 15 exemplares da obra, além de determinar a suspensão e revisão de outros 35 títulos que integravam o mesmo lote.
Longe do bate-boca público, a reportagem apurou a origem da demanda dentro do município. A indicação do livro não partiu de uma ordem do Executivo, mas sim de um requerimento formal feito por uma psicóloga da rede de atendimento local. O objetivo da profissional era utilizar o material como apoio em acompanhamentos psicossociais específicos com adolescentes de 11 a 15 anos — faixa etária para a qual a publicação é recomendada no Brasil por abordar temas como anatomia, puberdade, higiene e prevenção de ISTs em linguagem ilustrada.
A reportagem buscou contato com a psicóloga responsável pela solicitação para entender os critérios técnicos adotados e como o material seria aplicado na rotina da assistência social, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Diante da ausência de esclarecimentos imediatos sobre o fluxo interno de escolha dos títulos, a prefeitura abriu um procedimento formal para notificar a Secretaria Municipal de Assistência Social e obter pareceres detalhados. Todo o lote de livros segue suspenso até que cada obra passe por uma reavaliação.