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Desertos de Serviço em Curitiba | Plural
Dados & Cidades
Investigação de dados · Curitiba · 2026

Os desertos de serviço de Curitiba: onde o mercado nunca chegou

Uma análise de quatro bases de dados — 492 mil alvarás ativos, 8 mil equipamentos públicos, 256 mil pedidos ao Serviço 156 e o Censo 2022 — revela quais bairros têm menos médicos, academias, farmácias e restaurantes por habitante, e onde os moradores mais reclamam da falta de atendimento.

75
bairros analisados
492 mil
alvarás ativos em Curitiba
36×
diferença entre o bairro mais e menos servido em saúde
4,7×
mais demandas no 156 na CIC que a média da cidade
0,69
correlação entre renda e acesso a serviços de saúde

Em Curitiba, o bairro onde você mora determina em grande parte quais serviços você consegue acessar a pé ou a poucos minutos de casa. A diferença não é marginal: o bairro mais bem servido em saúde — o Batel — tem 122 estabelecimentos médicos por mil habitantes. O menos servido, São Miguel, tem 0,3. Uma razão de 36 para um.

A desigualdade não se limita à saúde. Uma reportagem do Plural cruzou quatro bases de dados públicas da Prefeitura de Curitiba e do IBGE para mapear, pela primeira vez, o nível de saturação de doze categorias de serviço em cada um dos 75 bairros da cidade: clínicas, academias, farmácias, restaurantes, pet shops, salões de beleza e mais. O resultado é um retrato do que os urbanistas chamam de "desertos de serviço" — áreas onde a demanda existe, mas o mercado nunca chegou.

"O bairro que você mora define o seu acesso. Não é falta de demanda — é falta de oferta."

O Serviço 156 como termômetro

Antes de olhar para os alvarás, o Plural olhou para onde os curitibanos pedem socorro. O Serviço 156 — canal de solicitações e reclamações à Prefeitura — recebeu 256.391 registros entre janeiro e abril de 2026. A distribuição por bairro é o primeiro sinal de onde há déficit de serviços.

A Cidade Industrial de Curitiba lidera com folga: 16.022 registros em quatro meses — quatro vezes e meia mais que a média dos demais bairros. Mas não é só volume. Quando cruzamos os tipos de solicitação com o que existe instalado no bairro, o padrão fica mais nítido: os bairros que mais pedem no 156 são exatamente os que têm menos serviços por habitante.

🔔 Onde os curitibanos mais pedem à Prefeitura

Total de registros no Serviço 156 por bairro — jan a abr/2026. Cores por perfil do bairro.

Mas o volume bruto de pedidos distorce: bairros populosos naturalmente geram mais solicitações. Quando corrigimos pelo número de habitantes, um padrão diferente emerge — bairros menores, mais centralizados e com população de maior renda também aparecem entre os que mais reclamam por habitante, especialmente em áreas de transição urbana intensa.

A geografia da desigualdade em saúde

Nenhuma categoria ilustra melhor a desigualdade de serviços do que a saúde. A correlação entre renda média do bairro e taxa de estabelecimentos médicos por habitante é de 0,69 — robusta o suficiente para afirmar que, em Curitiba, quem tem mais dinheiro não apenas pode pagar por melhores serviços, como também tem mais serviços disponíveis perto de casa.

O gráfico abaixo mostra todos os 75 bairros em dois eixos: renda média do responsável pelo domicílio (horizontal) e taxa de estabelecimentos de saúde por mil habitantes (vertical). Cada bolha tem tamanho proporcional à população. Passe o mouse para ver detalhes de cada bairro.

💊 Renda versus acesso à saúde

Cada ponto é um bairro. Eixo X = renda média do responsável (R$). Eixo Y = estabelecimentos de saúde por 1.000 hab. Tamanho da bolha = população.

O Batel, no quadrante superior direito, concentra alta renda e altíssima taxa de saúde. A Cidade Industrial, no centro-esquerda, tem renda intermediária baixa e uma das piores taxas da cidade. São Miguel, Caximba e Tatuquara ficam no canto inferior esquerdo — baixa renda, pouca saúde.

No Batel, há 122 estabelecimentos de saúde para cada mil moradores. Na Cidade Industrial, há 3,4. São o mesmo município, com a mesma rede pública, separados por 15 quilômetros e uma diferença de 36 vezes na oferta privada.

Os bairros campeões da lacuna

O gráfico a seguir mostra os quinze bairros com menor oferta de serviços de saúde por habitante — os "desertos de saúde" de Curitiba. A cor indica o perfil demográfico. Vários bairros têm alto volume de crianças ou idosos e, ainda assim, pouquíssimos serviços médicos disponíveis.

🏥 Os bairros com menos saúde por habitante

Taxa de estabelecimentos de saúde (clínicas, médicos, fisioterapeutas) por 1.000 habitantes · linha tracejada = média de Curitiba

Academia e lazer: a categoria mais desigual

Se a saúde tem uma correlação de 0,69 com a renda, academia e lazer é ainda mais concentrada. Nove bairros têm zero alvarás de atividade física e esporte. Outros dezesseis ficam abaixo do percentil 25 da cidade — o que significa que em um quarto dos bairros curitibanos, a probabilidade de encontrar uma academia a menos de dez minutos de casa é baixíssima.

A ironia: são exatamente os bairros com maior proporção de jovens que têm menos academias. Em bairros populares com 22% ou mais de jovens entre 15 e 29 anos, a oferta de espaços de exercício per capita é sistematicamente inferior à média.

A Cidade Industrial: um caso de estudo

Com 172 mil habitantes — o segundo maior bairro de Curitiba — a Cidade Industrial acumula o maior número absoluto de alvarás da cidade: 28.675. Mas quando se calcula a taxa por habitante, o bairro está abaixo do percentil 20 em dez das doze categorias analisadas.

O Serviço 156 confirma: são 16.022 registros em quatro meses, o equivalente a 93 pedidos por mil habitantes — número que supera bairros com muito menos gente. A saúde é a principal categoria de reclamações (não de solicitações): 473 reclamações em 704 registros totais sobre Unidades de Saúde, uma taxa de insatisfação de 67%.

📊 Cidade Industrial vs. média de Curitiba

Taxa de estabelecimentos por 1.000 hab em cada categoria — quanto maior a área, maior a oferta. CIC em laranja, média da cidade em azul.

A área laranja — representando a Cidade Industrial — fica consistentemente dentro da área azul da média curitibana em todas as categorias. A diferença mais extrema está em Saúde, onde a CIC chega a apenas 3% do valor máximo registrado na cidade (contra uma média de 14%).

Explore: o ranking completo dos 75 bairros

A tabela abaixo permite buscar qualquer bairro e filtrar por categoria. Os valores são taxas por 1.000 habitantes. Vermelho indica abaixo do percentil 25 da cidade; verde indica acima do percentil 75.

🔍 Ranking completo — oferta de serviços por bairro

Taxa de estabelecimentos por 1.000 hab · use a busca e os filtros para explorar

Bairro Perfil Pop. Renda Saúde /1k Educ /1k Acad /1k Alim /1k Farm /1k Pet /1k 156 (total)

O mapa do que falta

O gráfico abaixo consolida em um único painel o nível de oferta de cada categoria por bairro. Cada coluna é uma categoria de serviço; cada linha é um bairro. Vermelho profundo indica os piores déficits; verde indica boa cobertura. Bairros com faixas predominantemente vermelhas são os verdadeiros desertos de serviço.

🗺️ Mapa de calor: oferta de serviços nos 75 bairros

Percentil de oferta por categoria (0–100%) · vermelho = menor oferta · verde = maior oferta · ordenado pelo score composto de lacuna


Escolas privadas: o mapa do poder de compra por bairro

A densidade de escolas privadas por bairro é um dos indicadores mais diretos de renda domiciliar disponível em dados abertos: famílias só matriculam filhos em escolas particulares quando têm renda suficiente para pagar mensalidades. Cruzar essa métrica com outros serviços revela com precisão onde o poder de compra se concentra — e onde não chega.

Em 2024, Curitiba tem 517 escolas privadas de educação básica ativas, contra 578 escolas públicas (federal, estadual e municipal). Mas essa aparente paridade esconde uma transformação profunda: desde 2008, as matrículas na rede estadual caíram 40% — de 195.555 para 117.012 alunos —, enquanto as matrículas em escolas privadas cresceram 41% — de 100.315 para 141.598. O setor privado de educação básica absorveu uma demanda que o Estado foi perdendo ao longo de 16 anos.

Matrículas na educação básica por dependência administrativa — Curitiba, 2008–2024

Censo Escolar/INEP · Escolas ativas · Rede estadual inclui colégios militares

A geografia desse movimento é tão importante quanto o tamanho. A densidade de escolas privadas varia de 5,2 escolas por 10 mil habitantes no Centro — onde 89% das matrículas são particulares — até 0,5 por 10 mil em Campo de Santana e 0,5 por 10 mil em Tatuquara, onde praticamente toda a oferta educacional é pública. A Cidade Industrial, o maior bairro da cidade com 172.510 habitantes, tem 75 escolas públicas e apenas 17 privadas (1,0/10k) — um reflexo direto da composição de renda das famílias.

Escolas privadas por 10 mil habitantes — 20 bairros mais populosos (2024)

Ordenados por população · Cores indicam densidade de oferta privada

Alta (≥4/10k) Média (2–4/10k) Baixa (1–2/10k) Deserto (<1/10k)
Centro: 89% das matrículas são privadas. Tatuquara: 97% das matrículas são públicas. A escolha da escola revela com exatidão o que as pesquisas de renda só aproximam.

O dado de participação privada nas matrículas — a share do setor particular dentro de cada bairro — funciona como um indicador sintético de renda. Bairros onde a maioria das famílias paga escola particular tendem a concentrar também maior consumo em saúde privada, academias, restaurantes e serviços premium. Campo de Santana (6% de matrículas privadas), Tatuquara (3%) e Sítio Cercado (10%) estão na outra ponta: famílias que dependem integralmente da rede pública em educação tendem a depender igualmente do SUS e dos serviços gratuitos em outras dimensões.

Entre 2008 e 2024, os bairros com maior crescimento absoluto de escolas privadas foram Xaxim (+9 escolas), Sítio Cercado (+8) e Bacacheri (+7). Xaxim e Sítio Cercado são bairros de renda média-baixa com grande população — o crescimento sinaliza ascensão de uma classe média periférica disposta a pagar por educação particular. O Centro, ao contrário, perdeu 9 escolas privadas no período — reflexo do envelhecimento populacional e da migração de famílias com filhos para outros bairros.

O que os dados dizem — e o que eles não dizem

Uma análise de alvarás mede o que está formalmente registrado. Em bairros de renda mais baixa, parte significativa da economia acontece na informalidade — o cabeleireiro que atende em casa, a quitanda sem alvará, o mecânico no galpão. Isso significa que os números subestimam a oferta real em bairros populares, mas não invalidam a análise: serviços formais são mais rastreáveis, têm maior regularidade e geram empregos registrados.

O Serviço 156, por sua vez, mede demanda expressa — pessoas que tiveram tempo, acesso e disposição para registrar uma solicitação. Populações mais vulneráveis frequentemente não reclamam, o que tende a subestimar a demanda em bairros de renda muito baixa. Os números da CIC são altos apesar disso, não por causa.

Metodologia: Esta reportagem cruzou cinco bases de dados públicas: (1) Base de Alvarás da PMC, referência abr/2026 — 492.800 alvarás ativos classificados em 12 categorias via código CNAE; (2) Perfil Demográfico IPPUC/IBGE — Censo 2022 com projeções até 2026; (3) Cadastro de Unidades de Atendimento PMC, referência mar/2026 — 8.141 equipamentos; (4) Serviço 156 PMC — 256.391 registros de jan a abr/2026; (5) Microdados do Censo Escolar INEP 2008–2024 — filtrado para Curitiba (CO_MUNICIPIO = 4106902), escolas ativas (TP_SITUACAO_FUNCIONAMENTO = 1), 13 edições do censo, 13.693 registros-escola. Taxas calculadas por 1.000 ou 10.000 habitantes usando população do Censo 2022. Percentis calculados dentro do universo dos 75 bairros de Curitiba.

Dados públicos · Prefeitura Municipal de Curitiba · IPPUC · IBGE Censo 2022
Análise e visualização: Plural · 2026

Desertos de Serviço em Curitiba | Plural
Dados & Cidades
Investigação de dados · Curitiba · 2026

Os desertos de serviço de Curitiba: onde o mercado nunca chegou

Uma análise de quatro bases de dados — 492 mil alvarás ativos, 8 mil equipamentos públicos, 256 mil pedidos ao Serviço 156 e o Censo 2022 — revela quais bairros têm menos médicos, academias, farmácias e restaurantes por habitante, e onde os moradores mais reclamam da falta de atendimento.

75
bairros analisados
492 mil
alvarás ativos em Curitiba
36×
diferença entre o bairro mais e menos servido em saúde
4,7×
mais demandas no 156 na CIC que a média da cidade
0,69
correlação entre renda e acesso a serviços de saúde

Em Curitiba, o bairro onde você mora determina em grande parte quais serviços você consegue acessar a pé ou a poucos minutos de casa. A diferença não é marginal: o bairro mais bem servido em saúde — o Batel — tem 122 estabelecimentos médicos por mil habitantes. O menos servido, São Miguel, tem 0,3. Uma razão de 36 para um.

A desigualdade não se limita à saúde. Uma reportagem do Plural cruzou quatro bases de dados públicas da Prefeitura de Curitiba e do IBGE para mapear, pela primeira vez, o nível de saturação de doze categorias de serviço em cada um dos 75 bairros da cidade: clínicas, academias, farmácias, restaurantes, pet shops, salões de beleza e mais. O resultado é um retrato do que os urbanistas chamam de "desertos de serviço" — áreas onde a demanda existe, mas o mercado nunca chegou.

"O bairro que você mora define o seu acesso. Não é falta de demanda — é falta de oferta."

O Serviço 156 como termômetro

Antes de olhar para os alvarás, o Plural olhou para onde os curitibanos pedem socorro. O Serviço 156 — canal de solicitações e reclamações à Prefeitura — recebeu 256.391 registros entre janeiro e abril de 2026. A distribuição por bairro é o primeiro sinal de onde há déficit de serviços.

A Cidade Industrial de Curitiba lidera com folga: 16.022 registros em quatro meses — quatro vezes e meia mais que a média dos demais bairros. Mas não é só volume. Quando cruzamos os tipos de solicitação com o que existe instalado no bairro, o padrão fica mais nítido: os bairros que mais pedem no 156 são exatamente os que têm menos serviços por habitante.

🔔 Onde os curitibanos mais pedem à Prefeitura

Total de registros no Serviço 156 por bairro — jan a abr/2026. Cores por perfil do bairro.

Mas o volume bruto de pedidos distorce: bairros populosos naturalmente geram mais solicitações. Quando corrigimos pelo número de habitantes, um padrão diferente emerge — bairros menores, mais centralizados e com população de maior renda também aparecem entre os que mais reclamam por habitante, especialmente em áreas de transição urbana intensa.

A geografia da desigualdade em saúde

Nenhuma categoria ilustra melhor a desigualdade de serviços do que a saúde. A correlação entre renda média do bairro e taxa de estabelecimentos médicos por habitante é de 0,69 — robusta o suficiente para afirmar que, em Curitiba, quem tem mais dinheiro não apenas pode pagar por melhores serviços, como também tem mais serviços disponíveis perto de casa.

O gráfico abaixo mostra todos os 75 bairros em dois eixos: renda média do responsável pelo domicílio (horizontal) e taxa de estabelecimentos de saúde por mil habitantes (vertical). Cada bolha tem tamanho proporcional à população. Passe o mouse para ver detalhes de cada bairro.

💊 Renda versus acesso à saúde

Cada ponto é um bairro. Eixo X = renda média do responsável (R$). Eixo Y = estabelecimentos de saúde por 1.000 hab. Tamanho da bolha = população.

O Batel, no quadrante superior direito, concentra alta renda e altíssima taxa de saúde. A Cidade Industrial, no centro-esquerda, tem renda intermediária baixa e uma das piores taxas da cidade. São Miguel, Caximba e Tatuquara ficam no canto inferior esquerdo — baixa renda, pouca saúde.

No Batel, há 122 estabelecimentos de saúde para cada mil moradores. Na Cidade Industrial, há 3,4. São o mesmo município, com a mesma rede pública, separados por 15 quilômetros e uma diferença de 36 vezes na oferta privada.

Os bairros campeões da lacuna

O gráfico a seguir mostra os quinze bairros com menor oferta de serviços de saúde por habitante — os "desertos de saúde" de Curitiba. A cor indica o perfil demográfico. Vários bairros têm alto volume de crianças ou idosos e, ainda assim, pouquíssimos serviços médicos disponíveis.

🏥 Os bairros com menos saúde por habitante

Taxa de estabelecimentos de saúde (clínicas, médicos, fisioterapeutas) por 1.000 habitantes · linha tracejada = média de Curitiba

Academia e lazer: a categoria mais desigual

Se a saúde tem uma correlação de 0,69 com a renda, academia e lazer é ainda mais concentrada. Nove bairros têm zero alvarás de atividade física e esporte. Outros dezesseis ficam abaixo do percentil 25 da cidade — o que significa que em um quarto dos bairros curitibanos, a probabilidade de encontrar uma academia a menos de dez minutos de casa é baixíssima.

A ironia: são exatamente os bairros com maior proporção de jovens que têm menos academias. Em bairros populares com 22% ou mais de jovens entre 15 e 29 anos, a oferta de espaços de exercício per capita é sistematicamente inferior à média.

A Cidade Industrial: um caso de estudo

Com 172 mil habitantes — o segundo maior bairro de Curitiba — a Cidade Industrial acumula o maior número absoluto de alvarás da cidade: 28.675. Mas quando se calcula a taxa por habitante, o bairro está abaixo do percentil 20 em dez das doze categorias analisadas.

O Serviço 156 confirma: são 16.022 registros em quatro meses, o equivalente a 93 pedidos por mil habitantes — número que supera bairros com muito menos gente. A saúde é a principal categoria de reclamações (não de solicitações): 473 reclamações em 704 registros totais sobre Unidades de Saúde, uma taxa de insatisfação de 67%.

📊 Cidade Industrial vs. média de Curitiba

Taxa de estabelecimentos por 1.000 hab em cada categoria — quanto maior a área, maior a oferta. CIC em laranja, média da cidade em azul.

A área laranja — representando a Cidade Industrial — fica consistentemente dentro da área azul da média curitibana em todas as categorias. A diferença mais extrema está em Saúde, onde a CIC chega a apenas 3% do valor máximo registrado na cidade (contra uma média de 14%).

Explore: o ranking completo dos 75 bairros

A tabela abaixo permite buscar qualquer bairro e filtrar por categoria. Os valores são taxas por 1.000 habitantes. Vermelho indica abaixo do percentil 25 da cidade; verde indica acima do percentil 75.

🔍 Ranking completo — oferta de serviços por bairro

Taxa de estabelecimentos por 1.000 hab · use a busca e os filtros para explorar

Bairro Perfil Pop. Renda Saúde /1k Educ /1k Acad /1k Alim /1k Farm /1k Pet /1k 156 (total)

O mapa do que falta

O gráfico abaixo consolida em um único painel o nível de oferta de cada categoria por bairro. Cada coluna é uma categoria de serviço; cada linha é um bairro. Vermelho profundo indica os piores déficits; verde indica boa cobertura. Bairros com faixas predominantemente vermelhas são os verdadeiros desertos de serviço.

🗺️ Mapa de calor: oferta de serviços nos 75 bairros

Percentil de oferta por categoria (0–100%) · vermelho = menor oferta · verde = maior oferta · ordenado pelo score composto de lacuna


Escolas privadas: o mapa do poder de compra por bairro

A densidade de escolas privadas por bairro é um dos indicadores mais diretos de renda domiciliar disponível em dados abertos: famílias só matriculam filhos em escolas particulares quando têm renda suficiente para pagar mensalidades. Cruzar essa métrica com outros serviços revela com precisão onde o poder de compra se concentra — e onde não chega.

Em 2024, Curitiba tem 517 escolas privadas de educação básica ativas, contra 578 escolas públicas (federal, estadual e municipal). Mas essa aparente paridade esconde uma transformação profunda: desde 2008, as matrículas na rede estadual caíram 40% — de 195.555 para 117.012 alunos —, enquanto as matrículas em escolas privadas cresceram 41% — de 100.315 para 141.598. O setor privado de educação básica absorveu uma demanda que o Estado foi perdendo ao longo de 16 anos.

Matrículas na educação básica por dependência administrativa — Curitiba, 2008–2024

Censo Escolar/INEP · Escolas ativas · Rede estadual inclui colégios militares

A geografia desse movimento é tão importante quanto o tamanho. A densidade de escolas privadas varia de 5,2 escolas por 10 mil habitantes no Centro — onde 89% das matrículas são particulares — até 0,5 por 10 mil em Campo de Santana e 0,5 por 10 mil em Tatuquara, onde praticamente toda a oferta educacional é pública. A Cidade Industrial, o maior bairro da cidade com 172.510 habitantes, tem 75 escolas públicas e apenas 17 privadas (1,0/10k) — um reflexo direto da composição de renda das famílias.

Escolas privadas por 10 mil habitantes — 20 bairros mais populosos (2024)

Ordenados por população · Cores indicam densidade de oferta privada

Alta (≥4/10k) Média (2–4/10k) Baixa (1–2/10k) Deserto (<1/10k)
Centro: 89% das matrículas são privadas. Tatuquara: 97% das matrículas são públicas. A escolha da escola revela com exatidão o que as pesquisas de renda só aproximam.

O dado de participação privada nas matrículas — a share do setor particular dentro de cada bairro — funciona como um indicador sintético de renda. Bairros onde a maioria das famílias paga escola particular tendem a concentrar também maior consumo em saúde privada, academias, restaurantes e serviços premium. Campo de Santana (6% de matrículas privadas), Tatuquara (3%) e Sítio Cercado (10%) estão na outra ponta: famílias que dependem integralmente da rede pública em educação tendem a depender igualmente do SUS e dos serviços gratuitos em outras dimensões.

Entre 2008 e 2024, os bairros com maior crescimento absoluto de escolas privadas foram Xaxim (+9 escolas), Sítio Cercado (+8) e Bacacheri (+7). Xaxim e Sítio Cercado são bairros de renda média-baixa com grande população — o crescimento sinaliza ascensão de uma classe média periférica disposta a pagar por educação particular. O Centro, ao contrário, perdeu 9 escolas privadas no período — reflexo do envelhecimento populacional e da migração de famílias com filhos para outros bairros.

O que os dados dizem — e o que eles não dizem

Uma análise de alvarás mede o que está formalmente registrado. Em bairros de renda mais baixa, parte significativa da economia acontece na informalidade — o cabeleireiro que atende em casa, a quitanda sem alvará, o mecânico no galpão. Isso significa que os números subestimam a oferta real em bairros populares, mas não invalidam a análise: serviços formais são mais rastreáveis, têm maior regularidade e geram empregos registrados.

O Serviço 156, por sua vez, mede demanda expressa — pessoas que tiveram tempo, acesso e disposição para registrar uma solicitação. Populações mais vulneráveis frequentemente não reclamam, o que tende a subestimar a demanda em bairros de renda muito baixa. Os números da CIC são altos apesar disso, não por causa.

Metodologia: Esta reportagem cruzou cinco bases de dados públicas: (1) Base de Alvarás da PMC, referência abr/2026 — 492.800 alvarás ativos classificados em 12 categorias via código CNAE; (2) Perfil Demográfico IPPUC/IBGE — Censo 2022 com projeções até 2026; (3) Cadastro de Unidades de Atendimento PMC, referência mar/2026 — 8.141 equipamentos; (4) Serviço 156 PMC — 256.391 registros de jan a abr/2026; (5) Microdados do Censo Escolar INEP 2008–2024 — filtrado para Curitiba (CO_MUNICIPIO = 4106902), escolas ativas (TP_SITUACAO_FUNCIONAMENTO = 1), 13 edições do censo, 13.693 registros-escola. Taxas calculadas por 1.000 ou 10.000 habitantes usando população do Censo 2022. Percentis calculados dentro do universo dos 75 bairros de Curitiba.

Dados públicos · Prefeitura Municipal de Curitiba · IPPUC · IBGE Censo 2022
Análise e visualização: Plural · 2026

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