Curitiba registrou uma leve alta nos casos prováveis de dengue em janeiro de 2026, segundo dados consolidados do Datasus/Sinan, mas o número de casos confirmados segue em trajetória de queda, mantendo um cenário mais controlado do que o observado no mesmo período do ano passado.
Os registros mostram que, em janeiro de 2026, a capital contabilizou 140 casos prováveis, após encerrar 2025 com 1.739 casos prováveis no total. Embora o aumento chame atenção, ele ocorre sobre uma base muito inferior à de 2024, ano que concentrou o maior surto já registrado na cidade.
Diferença entre casos prováveis e confirmados
A alta observada em janeiro aparece apenas nos casos prováveis, categoria que inclui notificações clínicas ainda em investigação e que não foram descartadas. Já os casos confirmados, consolidados pela Secretaria Municipal da Saúde, continuam em níveis baixos no início de 2026, indicando que a circulação efetiva do vírus permanece reduzida neste começo de ano.
Esse descompasso é comum em períodos de vigilância intensificada, quando há aumento de notificações por precaução, mas nem todas evoluem para confirmação laboratorial ou clínico-epidemiológica.
Março e abril concentram os meses mais críticos
A série histórica deixa claro que os meses de março e abril são o principal período de risco da dengue em Curitiba. Em 2024, ano do pico da epidemia, esses dois meses concentraram volumes inéditos:
- Março de 2024: 3.656 casos prováveis
- Abril de 2024: 5.851 casos prováveis
O avanço continuou em maio, quando a cidade atingiu o maior volume mensal do ano, com 6.443 casos prováveis. Ao todo, 2024 somou 19.733 casos prováveis, número que sozinho responde pela maior parte dos registros desde 1975.
Em 2025, embora ainda tenha havido transmissão, os números caíram de forma expressiva. Março e abril registraram 449 e 442 casos prováveis, respectivamente — uma redução superior a 90% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Tendência de queda se mantém, apesar do alerta sazonal
Os dados reforçam que a dengue em Curitiba tem comportamento sazonal, com crescimento esperado entre o fim do verão e o início do outono. A leve alta em janeiro de 2026, portanto, não indica, por si só, um novo surto, mas funciona como sinal de alerta para o período historicamente mais crítico que se aproxima.
Mesmo assim, o contraste com 2024 é significativo: naquele ano, já em janeiro havia 397 casos prováveis, quase três vezes mais do que os registrados agora.
Vigilância segue necessária
A redução no número de casos não elimina o risco de novos surtos, especialmente se houver chuvas intensas e calor prolongado nos próximos meses. A dengue apresenta ciclos de explosão e retração, influenciados por fatores climáticos, imunidade da população e circulação de diferentes sorotipos do vírus.
Por isso, as autoridades de saúde mantêm a orientação para eliminação de focos de água parada, atenção aos sintomas e busca por atendimento médico em casos de febre alta, dores no corpo e mal-estar persistente.
Com os dados atuais, Curitiba entra em 2026 em uma situação mais favorável do que a vivida no início de 2024, mas com a consciência de que março e abril seguem sendo o período decisivo para definir o comportamento da dengue ao longo do ano.